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Arquivos da categoria 'Arrecadação'

Vou passar a ir mais ao cinema e provavelmente vou também passar a escrever mais sobre cinema. Corrijo. Vou passar a ir mais ao cinema e provavelmente vou passar a escrever mais. Não quero escrever sobre cinema. Quero escrever sobre sensações e experiências, isso sim. A esse propósito, National Treasure: Book of Secrets não foi uma experiência muito boa. Este não é o filme ideal para quando não se tem nada para fazer, é o filme ideal para quando não se consegue fazer nada. Em dias em que o pequeno almoço é servido às três da tarde, mexer a cabeça é doloroso e pensar é uma ilusão, aqui está um filme que pode ser a alternativa ao TOP+ ou a uma qualquer outro filme da TVI. Numa palavra: ressaca. Podem dar-lhe outro nome, mas ambos sabemos que há alturas em que estamos em stand-by, não apetece pensar, não conseguimos, e precisamos de nos rodear de facilidades. Comida pré cozinhada no congelador. Coca-cola. Sofá. National Treasure: Book of Secrets

Tem a Diane Kruger, é verdade, mas nem assim, e assim é muito, vale mais.
Diane Kruger

2007-12-28 Almoco no Gordo (16)
A Tasca do Gordo tem a melhor dobrada do mundo e uma das melhores de Algés. Isso impressiona mais porque nem sequer fica em Algés. Fica numa rua estreita e cheia de buracos, certamente terra de ninguém, na fronteira entre o Concelho de Lisboa e o Concelho de Oeiras, mas um pouco a descair para Lisboa.

2007-12-28 Almoco no Gordo (17)
A única sala (há outra, que não é bem outra, mas serve de cozinha) está sempre cheia. É pequena, acolhedora e não lhe faltam galhardetes do Benfica.

2007-12-28 Almoco no Gordo (33) 2007-12-28 Almoco no Gordo (32)
Cerca de 99% dos clientes são homens e bebem o vinho da casa. No Gordo é mesmo assim: come-se bem, mas o vinho da casa é sempre melhor noutra altura. Há vinhos que pedem sabores fortes, outros que pedem peixe, outros carne, outros queijo. Hoje ao almoço o vinho pediu 7-Up. Há vinhos para tudo, há vinhos para todos.

2007-12-28 Almoco no Gordo (15)
Haveria mais a escrever sobre o assunto.

Comprei livros, todos quero ler, e ofereci a quem está mais próximo. Adiei a compra de dois, A Estrada, de Cormac McCarthy, e um outro do qual irei comprar a versão original, em francês. A seu tempo comprar-me-ei a tradução. Os livros que recebi, tal a vontade de os ler, também os poderia ter comprado para oferta. Entretanto, as próximas semanas, os próximos meses, que o tempo nem sempre tem a velocidade que lhe desejamos, serão na companhia de Jorge Luís Borges (Ficções e O Livro Dos Seres Imaginários), os que recebi, e de Ian McEwan (Na Praia de Chesil), Gonçalo M. Tavares (Aprender a Rezar na Era da Técnica), George Steiner (O Transporte Para San Cristobal De A.H.) e Cormac McCarthy (Este País Não É Para Velhos), os que ofereci.

Recebi o que queria, dei quase tudo o que podia. Poderia ter pensado melhor e dado diferente. Carrego sempre esta cruz. Por tudo isto, estranho que os presentes já não sejam o Natal. É estranho, para mim. Faltou-me tudo e, no entanto, tudo foi tão igual ao que sempre foi. Gostava de já ter participado no curso de escrita criativa, talvez conseguisse sentir um Natal melhor, talvez até lhe conseguisse manter a ilusão, mas não a dos presentes, que o meu Natal há muito deixou de lhes pertencer.

Parabéns

Recupero-te. Hoje farias anos. Se hoje é especial, é por isso. A tua morte, como todas, privou-me de ti. Sozinho agarro-me às memórias e descubro, contigo, o poder que encerram. Tenho o poder de te recuperar. Recupero-te e, sabes, acredito que não morreste. É o único milagre que preciso.

Por aqui voltámos a procurar alguma luz. Em Abril, em Berlim, talvez jantar aos apalpões. Tudo o mais terá outras ajudas. O Natal chegou mais cedo.

Em 2008 vou fazer um curso de escrita criativa. Não preciso. É tudo o que não preciso. Ainda assim, agradecemos a prenda. Agradeço-te, obrigado! A gratidão de quem precisa de muito pouco do que quer. A gratidão de quem quer muito.
Obrigado!

Na escuridão o melhor vigilante é cego
Na escuridão é o cego quem melhor vê
Na escuridão é cego quem melhor vê
Na escuridão só o cego consegue ver
Na escuridão só o cego te consegue ver
Na escuridão nem um cego te consegue ver
Na escuridão nem um cego me consegue ver

ecos de 2007

agora que nos aproximamos rapidamente do fim, os meus primeiros segundos de fama em 2007

Entradas
Cocktail de Legumes em molho de fromage blanc, carvi e citronelle
Sopa de abóbora com ananás e pimenta preta
Camaroes salteados em pistáchio acompanhados de rúcula
Compoté de lapin aux deux olives

Pratos de peixe
Pescada assada com legumes salteados no wok
Atum com beterraba e pimenta

Pratos de carne
Rabo de boi de Rio de Mouro mais dois da Amadora
Borrego com tamaras, romã e amêndoa torrada

Sobremesas
Brochette de maçã em espumante e telha de gengibre
Gelado de pistáchio, pevides e água de rosas
Calhau de chocolate preto
Bolo raínha

Vinhos
(Na espera de meia horita, mais coisa menos coisa)

Blanquette de limoux meio-seco
Grequetto Umbria 2005 branco
Monte Baco Verdejo 2006
Espumante Quinta da Serradinha 2003

(à mesa)

Chassagne-Monrachet Premier Cru les champs gain 2001
Arbois les genevret 2001 tinto
Sancerre 2003 Pinard Branco
Quinta do Mouro 2003
Premières neiges coteaux du layon

A minha mais recente ida ao cinema, ontem, acumula-se nisto: não via um filme do David Cronenberg desde Crash (1996) nem da Naomi Watts desde Mulholland Drive (2001).

À quinta há cozido, mas todas as noites, no Bitoque, em Campo de Ourique, a malta senta-se ao balcão a beber umas imperiais ou a jantar qualquer coisinha enquanto vê o telejornal. A malta não me inclui. Saio antes de o telejornal chegar a meio, sempre tarde demais. Quem não pode ficar, não deveria poder entrar.

Sesimbra - Cabo Espichel

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