#
Tags: George Steiner, Livros
“eu sei do que falo”, George Steiner, nos livros que não escreveu.
Tags: George Steiner, Livros
“eu sei do que falo”, George Steiner, nos livros que não escreveu.

Courgettes with Muyshrooms in a Creamy Sauce
Falta a foto da bebida, (Sweet) Lassi de manga. Falta mais. O cheiro. O gosto. O vinho.
Duas horas e meia para o primeiro home-made jantar indiano. A saber, a home não era a minha, nem eu tenho responsabilidade no resultado final. Limitei-me a obedecer e a meter as mãos na massa. Para a história fica pouco: 3 ou 4 chapatas e o desejo urgente de voltar a repetir.
Ah, e fica também este filme.
Nas palavras de Steiner
uma tentativa de escaparmos à sombra da nossa própria condição
(que, obviamente, não são sobre o filme, mas poderiam ser).
Comprei livros, todos quero ler, e ofereci a quem está mais próximo. Adiei a compra de dois, A Estrada, de Cormac McCarthy, e um outro do qual irei comprar a versão original, em francês. A seu tempo comprar-me-ei a tradução. Os livros que recebi, tal a vontade de os ler, também os poderia ter comprado para oferta. Entretanto, as próximas semanas, os próximos meses, que o tempo nem sempre tem a velocidade que lhe desejamos, serão na companhia de Jorge Luís Borges (Ficções e O Livro Dos Seres Imaginários), os que recebi, e de Ian McEwan (Na Praia de Chesil), Gonçalo M. Tavares (Aprender a Rezar na Era da Técnica), George Steiner (O Transporte Para San Cristobal De A.H.) e Cormac McCarthy (Este País Não É Para Velhos), os que ofereci.
Recebi o que queria, dei quase tudo o que podia. Poderia ter pensado melhor e dado diferente. Carrego sempre esta cruz. Por tudo isto, estranho que os presentes já não sejam o Natal. É estranho, para mim. Faltou-me tudo e, no entanto, tudo foi tão igual ao que sempre foi. Gostava de já ter participado no curso de escrita criativa, talvez conseguisse sentir um Natal melhor, talvez até lhe conseguisse manter a ilusão, mas não a dos presentes, que o meu Natal há muito deixou de lhes pertencer.
Tags: Citações, Dúvidas, George Steiner
Quão próxima terá de ser uma data para que comece a preocupar-nos?
[George Steiner]
Tags: George Steiner
George Steiner escreveu que «o texto escrito implica, entre o autor e o respectivo leitor, a promessa de um sentido». A promessa. O sentido. Um sentido. Faz sentido e esse é o problema. Fica a promessa.
Tags: George Steiner, pessoal
Sobre o «orientalismo», a terceira esfera de irracionalidade de George Steiner que surje no livro “Nostalgia do Absoluto”.
Os hippies dirigem-se para Katmandu. Os devotos escalpados do Hare Krishna, com as suas túnicas cor de açafrão, saltitam pela Broadway ou por Picadilly, agitando pandeiretas. A matrona e o empresário contemplam os seus corpos deliquescentes ao longo da lúgubre duração da aula de ioga. O pau de incenso que arde lentamente sob o póster da mandala, o sinal de paz tibetano, o tapete de orações num apartamentozinho em Santa Monica ou Hammersmith. Na universidade de Bacon e Newton, de Darwin e Bertrand Russel, milhares de estudantes juntam-se aos pés calçados de saldálias do Maharishi. Meditamos; meditamos transcendentalmente; procuramos o Nirvana em transes suburbanos. Adolescentes sebosos descem até nós via Air India, dizem ser o Caminho e a Luz, oferecem clichés inefáveis sobre os poderes curativos do Amor, e espalham pétalas com dedos gorduchos. Enchemos o estádio para ouvir a revelação que trazem. Vem-se a saber que eram saltimbancos manhosos, e especuladores monetários. Tal não reduz o brilho à Luz e ao Tao. «Que som faz uma só mão a bater palmas?», pergunta o mestre Zen. «A estrela é o Lótus; ommani padme…», resmoneiam lamas em viagem turística. Tanka e guru, haiku e dharma; todas estas frioleiras iridescentes entraram no nosso discurso.
Não são tanto estas superficialidades que importam; é provável que passem, como passou a coqueluche da chinoiseries na marcenaria do século XVIII. O problema é a idealização implícita de valores estranhos, ou mesmo contrários, à tradição ocidental. Passividade contra força de vontade; uma teosofia de estatismo ou eterno retorno contra uma teodiceia de progresso histórico; a monotonia concentrada, chegando mesmo ao vazio, da meditação e do transe meditativo, opondo-se à reflexão lógica e analítica; ascetismo contra prodigalidade pessoal e expressiva; contemplação versus acção; um erotismo polimorfo, ao mesmo tempo sensual e abnegado, em contraste com a sexualidade aquisitiva, mas também sacrificial, da herança judaico-helénica: são estes os termos da dialéctica. O universitário que, enquanto manipula um rosário budista ou medita num enigma Zen, vai entrando num atordoamento melancólico, e o executivo fatigado que se apressa em direcção à sua aula de meditação ou prelecção sobre o karma, procuram ambos ingerir quantidades variadas de elementos, mais ou menos na moda e prontos a consumir, oriundos de culturas, rituais e disciplina filosóficas que, na realidade, lhes são extremamente remotos, díspares, e de difícil acesso. Mas estão também, e isto é mais importante, a articular uma crítica consciente ou instintiva dos seus próprios valores, da sua identidade histórica. A viagem a Benares ou a Darjeeling é uma tentativa de escaparmos à sombra da nossa própria condição.
Terá a Verdade um Futuro?
George Steiner
Receio, como qualquer ser humano, a solidão, mas só eu sei a que ponto admiro aqueles que não a receiam. Admiro a disciplina interior de Pascal e Kierkegaard. Admiro a coragem desse maldoso senhor Heidegger, que nem sequer tinha telefone, porque sabia que basta um simples telefonema para interromper uma presença, ainda quando se seja o maior filósofo do mundo.
e termina
Quando o telefone toca, respondo ao meu interlocutor, embora saiba muito bem que devia não responder.
George Steiner, na última das quatro entrevistas que deu a Ramin Jahanbegloo.
Tags: George Steiner, Livros
George Steiner,
Gostaria de ser recordado – por pouco que perdure nas memórias – como um mestre de leitura, como alguém que passou a vida a ler com os outros.
Depois de ler a Ideia de Europa comprei, este sábado, as quatro entrevistas que deu a Ramin Jahanbegloo. É difícil resistir-lhe.
Tags: George Steiner, vinho
Acordo. Enquanto espero a força necessária para me arrastar até ao banho, descubro A Ideia de Europa de George Steiner. Decido começar pelo fim. O mesmo será dizer que começo por ler George Steiner. Não fui ao debate, mas o livro chegou-me às mãos e não foi pelo prefácio. Começo pelo fim e
Passo a manhã no café. No Flore, por exemplo, ali mesmo ao lado do Deux Magots. Por lá, num dos dois, onde quer que estejamos, ainda se vive um pouco de Sartre, Hemingway, Simone de Beauvoir ou Camus. Steiner escreve que
A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsters de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkegaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo.
Há uma semana estava no Flore. Hoje regressei. Quando fui a Paris levei esse objectivo. Sem ter lido Steiner tinha o desejo simples de passar uma tarde sentado na esplanada de um qualquer café do Quartier Latin. Ou perto. Estive quase a regressar sem o objectivo cumprido. Percebi que não tinha destino.
vai ao café flore, disse-me a Sissi. o albert cossery, escritor que venero, vive lá perto. Pois deve viver. Ia jurar que nos cruzámos no Flore. Parece que o ouvi dizer
Disse mais. Não consta que tenha um blogue.
Bebo mais um copo de vinho enquanto procuro os olhos de quem passa. Hoje janto no Ângelus.