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Duas canas, dois pescadores, cinco horas, cinco peixes. Ou quase. Peixe miúdo, o budião em Sesimbra. Ainda assim, depois do desastre que foi a última tentativa, lá conseguimos, mesmo que eu não tenha pescado nada. Fomos uma equipa. Ele pescava, eu tentava e ao fim de cinco horas ainda não tinha percebido o que é que, para além de mim, estava errado. O peixe detecta-me, só pode. Na rocha ali mesmo ao nosso lado, mais um a gozar comigo. Chegara com com tal descrição que, não fosse eu andar de cabeça à roda com a cadência com que o peixe me levava o isco, não o teria visto no cimo da rocha que se erguia atrás de nós. Atiro em tom de desafio um “Bom dia” com o i prolongado de quem quer conversa, mas ainda não percebeu bem como a começar e ele lá responde com qualquer coisa que não ouvi bem, mas que também nem era preciso. O que eu tinha para dizer valia por si. “Pois, isto não está fácil, hoje!”. Aquele homem talvez não me tenha percebido, porque cinco minutos volvidos e já pescava, com uma cana pouco maior que a minha, um polvo que parecia três. É uma situação que desmotiva. Eu nem sequer sabia que era possível.

Praia do Calhau da Mijona - Sesimbra

Um post só mesmo para enaltecer a forma descomprometida, mas dedicada, como o João Aldeia, desde Janeiro de 2004, tem dado a conhecer Sesimbra através do seu blog.

Incluí hoje, no meu perfil da página do Couchsurf, os links para os monuments, Places with a soul and A short walk to the Castle.

Aos 16 anos fui assaltado e levaram-me todo o dinheiro que tinha. Não. Não foi todo. Negociei o dinheiro suficiente para poder apanhar o autocarro até Sesimbra. Em Maputo, aos 30 anos, fui assaltado e levaram-me o telemóvel. Negociámos os cartões SIM. Hoje em dia tem alguma piada a imagem do assaltante a meter a pistola num dos bolsos e a tirar os telemóveis do outro para nos devolver os cartões. É a humanização do roubo, olhos nos olhos.

Sesimbra - Cabo Espichel

Há em Sesimbra uma tasca que o deixou de ser, mas que continua com peixe muito bom. A tasca que, repito, já não o é, chama-se Lobo do Mar, fica junto ao porto de abrigo e não tem menu. O cardápio para o prato principal é o peixe fresco em exposição; para a sobremesa é diferente. Ide até lá. Pelo peixe, vale a pena. Parece ter uma caldeirada deliciosa, mas que é preciso encomendar.

Nas últimas semanas vi-me forçado, face à gula que carregava, a visitar dois dos restaurante que trazia na carteira há alguns meses como “preciso de ir lá ver como é que é”. O Ramiro, muito bom, faz competição directa ao Rodinhas em Sesimbra. Hei-de lá voltar quando não estiver em Sesimbra ou quando me apetecer uns camarões que, pelo aspecto, são cozinhados como em Moçambique. Duas garrafas de vinho não chegaram para estragar o marisco que comemos, o que é de louvar. O Sete Mares, que estava referenciado como tendo o melhor leitão de Lisboa, confirmou tudo e ainda mais alguma coisa. O leitão é mesmo o melhor de Lisboa, mesmo sendo o único que conheço, é óptimo, e o queijo da serra uma maravilha. Não tinha leite creme, uma chatice. Fica a nota que só lá hei-de voltar para comer leitão. Domingo, para memória futura, para a de domingo, não me posso esquecer, serão enguias ali para os lados do Montijo. Hoje é sushi. Eu tenho uma boa relação com o shushi. Eu não digo mal dele e ele não se me apresenta como alternativa gastronómica com demasiada frequência. Toleramo-nos. Não é que não goste de sushi, gosto, mas gosto mais quando há alternativas. Por exemplo, sushi com pataniscas de bacalhau. Porque não? Sempre que como pataniscas de bacalhau, por muito maladrinho que esteja o arroz de feijão, sinto sempre a falta algo. Talvez seja esse o segredo. Pernil assado no forno com sashimi? Favas guisadas com entrecosto e tempura? (…) Já que esta é a minha primeira a última crítica gastronómica, não posso terminar sem uma palavra de apreço para esse grande vulto da gastronomia portuguesa que é a lampreia. Nunca comi, fica mais esta nota, e 2008 está-lhe reservado. Até lá, hoje é sushi. Adoro. Isso e croquetes.

Praia do Meco - Sesimbra

cao dog praia sea mar

As sardinhas do mar de Sesimbra, assadas na grelha. As cervejas refrescadas pelo frio da mesma água. A energia do Sol, das ondas e do vento retemperou as nossas forças.
[ThirtySomething]

Santola Zagaia Sesimbra

Santos Populares - Sardinha Assada

Pasteis de Belem

Na minha terra, como na vida, a Rua da Esperança é sempre a subir.

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