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Duas canas, dois pescadores, cinco horas, cinco peixes. Ou quase. Peixe miúdo, o budião em Sesimbra. Ainda assim, depois do desastre que foi a última tentativa, lá conseguimos, mesmo que eu não tenha pescado nada. Fomos uma equipa. Ele pescava, eu tentava e ao fim de cinco horas ainda não tinha percebido o que é que, para além de mim, estava errado. O peixe detecta-me, só pode. Na rocha ali mesmo ao nosso lado, mais um a gozar comigo. Chegara com com tal descrição que, não fosse eu andar de cabeça à roda com a cadência com que o peixe me levava o isco, não o teria visto no cimo da rocha que se erguia atrás de nós. Atiro em tom de desafio um “Bom dia” com o i prolongado de quem quer conversa, mas ainda não percebeu bem como a começar e ele lá responde com qualquer coisa que não ouvi bem, mas que também nem era preciso. O que eu tinha para dizer valia por si. “Pois, isto não está fácil, hoje!”. Aquele homem talvez não me tenha percebido, porque cinco minutos volvidos e já pescava, com uma cana pouco maior que a minha, um polvo que parecia três. É uma situação que desmotiva. Eu nem sequer sabia que era possível.

de dia, vamos tentar ver roazes no Sado e almoçar rodízio de peixe. amanhã.

2007-12-28 Almoco no Gordo (16)
A Tasca do Gordo tem a melhor dobrada do mundo e uma das melhores de Algés. Isso impressiona mais porque nem sequer fica em Algés. Fica numa rua estreita e cheia de buracos, certamente terra de ninguém, na fronteira entre o Concelho de Lisboa e o Concelho de Oeiras, mas um pouco a descair para Lisboa.

2007-12-28 Almoco no Gordo (17)
A única sala (há outra, que não é bem outra, mas serve de cozinha) está sempre cheia. É pequena, acolhedora e não lhe faltam galhardetes do Benfica.

2007-12-28 Almoco no Gordo (33) 2007-12-28 Almoco no Gordo (32)
Cerca de 99% dos clientes são homens e bebem o vinho da casa. No Gordo é mesmo assim: come-se bem, mas o vinho da casa é sempre melhor noutra altura. Há vinhos que pedem sabores fortes, outros que pedem peixe, outros carne, outros queijo. Hoje ao almoço o vinho pediu 7-Up. Há vinhos para tudo, há vinhos para todos.

2007-12-28 Almoco no Gordo (15)
Haveria mais a escrever sobre o assunto.

Entradas
Cocktail de Legumes em molho de fromage blanc, carvi e citronelle
Sopa de abóbora com ananás e pimenta preta
Camaroes salteados em pistáchio acompanhados de rúcula
Compoté de lapin aux deux olives

Pratos de peixe
Pescada assada com legumes salteados no wok
Atum com beterraba e pimenta

Pratos de carne
Rabo de boi de Rio de Mouro mais dois da Amadora
Borrego com tamaras, romã e amêndoa torrada

Sobremesas
Brochette de maçã em espumante e telha de gengibre
Gelado de pistáchio, pevides e água de rosas
Calhau de chocolate preto
Bolo raínha

Vinhos
(Na espera de meia horita, mais coisa menos coisa)

Blanquette de limoux meio-seco
Grequetto Umbria 2005 branco
Monte Baco Verdejo 2006
Espumante Quinta da Serradinha 2003

(à mesa)

Chassagne-Monrachet Premier Cru les champs gain 2001
Arbois les genevret 2001 tinto
Sancerre 2003 Pinard Branco
Quinta do Mouro 2003
Premières neiges coteaux du layon

O único animal que quis ter em casa foi o peixe palhaço e nunca foi pela parte de peixe.

Há em Sesimbra uma tasca que o deixou de ser, mas que continua com peixe muito bom. A tasca que, repito, já não o é, chama-se Lobo do Mar, fica junto ao porto de abrigo e não tem menu. O cardápio para o prato principal é o peixe fresco em exposição; para a sobremesa é diferente. Ide até lá. Pelo peixe, vale a pena. Parece ter uma caldeirada deliciosa, mas que é preciso encomendar.

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Peço desculpa, mas vou a Setúbal comer peixe grelhado até não conseguir mais.


O Madeirense está no fundo do mar desde 2000. Os peixes são muitos, mas tornam-se difíceis de identificar sem estarem no prato com batata cozida ao lado®.
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frisbee

Amanhã à noite, Bar do Peixe, Meco, há festa. A não perder.

Parties: Of course! This year we are planning the party at Bar do Peixe on the official openings night: Thursday night. Unorganized parties are scheduled for every night (including Sunday ;-)

Alguns dos melhores momentos que passei junto dos meus amigos foram em casamentos “do pessoal”. Aquele pessoal amigo. Não sei se estão a ver. O pessoal da universidade. Os amigos de infância. Esse pessoal.

Admito que a minha experiência em casamentos dos outros é muito positiva. A pior altura é o dia seguinte. Acordo sempre com a sensação de que o casamento foi meu e que já comecei a levar traulitadas na cabeça. Sublinho traulitadas. Ainda vivo na ideia de que o casamento é uma grande dor de cabeça.
Acho bem que o pessoal case. Quem casa terá as suas razões e eu não tenho nada a ver com isso, mas, por vezes, fico com a sensação de que casam pela simples razão de que encontraram a mulher/homem da sua vida. Falta de argumentos, não?! Se eu casasse de cada vez que encontro a mulher da minha vida passava a vida nas Maldivas. Pois… Maldivas. Acho bem que o pessoal passe a lua-de-mel nas Maldivas. Também, não tenho nada a ver com isso, não fui eu que casei, mas… sempre que oiço Maldivas, sabe-me sempre a… Maldivas. Sabe sempre a pouco. É giro, eu sei, mar azul, peixes bonitos, pessoas felizes, acabadinhas de casar, mar azul… transpira-se amor, mas continua insonso.

Num dos casamentos “do pessoal” fiquei na mesma mesa de um casal que também se ia unir através santo matrimónio, duas ou três semanas depois. Iam para o México, alugar um “four by four”, como se diz em Moçambique. Só levavam o bilhete de avião e os três últimos dias reservados numa estância junto à praia. Foi a primeira vez que quis casar, mas rapidamente percebi que era um preço elevado demais para quem só queria ir ao México.

Desde então, não casei nem fui ao México, mas comecei a pensar nas Maldivas…

Disse que os peixes têm “duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não falam”.

Um evento desportivo tem sempre de ser precedido ou seguido de um evento gastronómico. Esta é uma regra indiscutível e incontestável. Um evento gastronómico, por seu lado, não requer, em nenhuma altura, um evento desportivo a acompanhar. Básico. A propósito disso…

Desportista A: Amanhã vamos à comporta para a actividade desportiva, certo? 15h?
[Actividade desportiva não implica, necessariamente, fazer desporto. Já alguém deve ter provado que assistir a actividades desportivas também ajuda a manter a forma física. No meu caso, faz milagres.]

Desportista B: Sim, combinamos almoço em Setúbal?
[Aí está, evento gastronómico. Nem é preciso dizer o que vamos almoçar]

Desportista A: Se calhar é preferível ser um lanche ajantarado. Se nos vamos encher de choco frito e imperiais é melhor ser depois.
[Correcção: afinal, é melhor clarificar tudo. Peixe grelhado e suminho não puxa carroças. Choco frito e imperiais sim. Regra numero um dos eventos gastronómicos: Se é para ser, seja à grande.]

Desportista B: É melhor. Fica assim combinado.

Desportista A: De qualquer forma vamos ter de almoçar. Podemos almoçar em Setúbal.
[Aha! Regra número dois: Se é para ser, que seja antes. Nunca sabemos como vai ser depois. Desportista prevenido…]

Desportista B: De facto… Fica então combinado almoço. Lanche e jantar logo vemos. Podemos passar em Sesimbra.
[Regra número três: Se é para ser, que seja diversificado. Se há alturas em que não vale a pena meter todos os ovos no mesmo cesto, neste caso, não vale a pena meter só ovos dentro do cesto.]

Desportista A: Certo
[moção aprovada por unanimidade e aclamação]

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