A marcha de Alfama ganhou os dois últimos anos. O bairro é excelente para passear. Até as sardinhas são melhores. Raramente é preciso justificar o óbvio, mas a Madrinha de Alfama é a Cinha Jardim e a de Santa Engrácia é a Carla Matadinho.
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Até hoje escrevi cinco posts em que falo, por uma ou outra razão, de Gershwin. Este é o sexto. Para dizer que, na Antena 1, as GRANDES MÚSICAS por António Cartaxo foram com um Concerto em Fá para piano e orquestra, de George Gershwin. Está tudo aqui. Tudo. Porque na rádio só passaram metade.
Ainda na Antena 1, também hoje, a Ana Mesquita e o murcon diziam que não se encontra o amor, nem se ama, por um acto de vontade. Eu tenho as minhas dúvidas. O importante é que ‘O amor é…’, versão fim de semana, está também disponível através de podcast.
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Espero que não tenham perdido isto e o que se seguiu por aí, como aqui, aqui, ou aqui.
No Planaltos recorda-se o ponto 10. do Código Deontológico do Jornalista. A mim, que não sou jornalista, nem sonho com tal honraria, educaram-me com tal princípio. Chamem-lhe lei de incompatibilidade. Chamem-lhe código deontológico. Para mim não passa de um axioma endógeno e tenho grande dificuldade em conviver com o contrário.
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Desde ontem, altura de algumas revisões, que o blogue ficou inacessível. Quem por cá passou terá tido, provavelmente, oportunidade de visitar o evento.alidades, um blogue que procura juntar os nossos amigos com os amigos dos outros em saudáveis convívios. Parece que, mesmo quando tudo vai abaixo, os amigos ficam.
O esforço é grande e o homem é pequeno, como escreveu Fernando Pessoa.
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Diz-se que as Maldivas tenderão a desaparecer num futuro próximo. O Fernando estimou em menos de 40 anos. Eu estimo em dois ou três casamentos. Há lugares onde o tempo não se deve medir em dias, meses ou anos.
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Alguns dos melhores momentos que passei junto dos meus amigos foram em casamentos “do pessoal”. Aquele pessoal amigo. Não sei se estão a ver. O pessoal da universidade. Os amigos de infância. Esse pessoal.
Admito que a minha experiência em casamentos dos outros é muito positiva. A pior altura é o dia seguinte. Acordo sempre com a sensação de que o casamento foi meu e que já comecei a levar traulitadas na cabeça. Sublinho traulitadas. Ainda vivo na ideia de que o casamento é uma grande dor de cabeça.
Acho bem que o pessoal case. Quem casa terá as suas razões e eu não tenho nada a ver com isso, mas, por vezes, fico com a sensação de que casam pela simples razão de que encontraram a mulher/homem da sua vida. Falta de argumentos, não?! Se eu casasse de cada vez que encontro a mulher da minha vida passava a vida nas Maldivas. Pois… Maldivas. Acho bem que o pessoal passe a lua-de-mel nas Maldivas. Também, não tenho nada a ver com isso, não fui eu que casei, mas… sempre que oiço Maldivas, sabe-me sempre a… Maldivas. Sabe sempre a pouco. É giro, eu sei, mar azul, peixes bonitos, pessoas felizes, acabadinhas de casar, mar azul… transpira-se amor, mas continua insonso.
Num dos casamentos “do pessoal” fiquei na mesma mesa de um casal que também se ia unir através santo matrimónio, duas ou três semanas depois. Iam para o México, alugar um “four by four”, como se diz em Moçambique. Só levavam o bilhete de avião e os três últimos dias reservados numa estância junto à praia. Foi a primeira vez que quis casar, mas rapidamente percebi que era um preço elevado demais para quem só queria ir ao México.
Desde então, não casei nem fui ao México, mas comecei a pensar nas Maldivas…
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Porque nem só de mulheres vive o homem, vou buscar o meu bilhete para o Portugal vs México.
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On the surface, everything seems fine.
I’ve got this great guy. And he loves my kid. And he sure does like me a lot. And I can’t live like that.
It’s not the way I’m built. |
É de um filme, Jerry Maguire, mas na vida real não é diferente. É inútil gostar de alguém se o filho dela não gostar de nós ou se nós não gostarmos do filho dela. Go for the kid. No meu caso, os meus amigos são os meus filhos. E os meus amigos, tal como os filhos dos outros, ainda não aprenderam a ser politicamente correctos. Eu, por outro lado, adoro o filho dela.
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– Não há música?
– Só na próxima sexta. Tivemos umas filmagens que atrasou isto
– Então…
– Aqui perto é no campo das cebolas. Mas aquilo é um bocado pesado. Pessoal de chelas. Um bocado “xunga”. Todas as noites acaba à porrada.
por outra razão ficámos em Alfama, jantámos as melhores sardinhas da época (Clube Desportivo Adicense) e descobrimos, depois de muitos degraus, um palco com música ao vivo e onde, informaram-nos, a Marcha iria chegar. A saber, Alfama ganhou os últimos dois anos das marchas. Ali ficámos. Nós e os locals, porque, segundo dizem, xungas são sempre os outros.
Chegou a marcha e vimos a tia Cinha a dar o seu pezino de dança. Também nós demos um. Às duas da manhã a festa acaba antes de tempo, porque o bairro desentendeu-se. Não consta que tivesse sido por algum piropo à tia. A confusão alastrou-se e nós descemos até ao campo das cebolas, ainda a tempo de “dar de beber à dor” e de ouvir o pessoal de chelas a cantar o fado. Tudo como deve ser.
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O’Neill (Alexandre), moreno português,
cabelo asa de corvo; da angústia da cara,
nariguete que sobrepuja de través
a ferida desdenhosa e não cicatrizada.
Se a visagem de tal sujeito é o que vês
(omita-se o olho triste e a testa iluminada)
o retrato moral também tem os seus quês
(aqui, uma pequena frase censurada…)
No amor? No amor crê (ou não fosse ele O’Neill!)
e tem a veleidade de o saber fazer
(pois amor não há feito) das maneiras mil
que são a semovente estátua do prazer.
Mas sobre a ternura, bebe de mais e ri-se
do que neste soneto sobre si mesmo disse…
Alexandre O’Neill
Poemas com endereço (1962)
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