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o amor é um cão do inferno

Aqui estou

bêbado outra vez às 3 da manhã no fim da minha 2ª garrafa
de vinho, escrevi entre doze a 15 páginas de
poesia
um velho
enlouquecido pelo corpo de jovens raparigas no
fim da vida
fígado parado
rins a caminho
pâncreas estafado
tensão arterial baixa

enquanto que o medo dos anos passados
ri por entre os meus dedos
nenhuma mulher viverá comigo
nenhuma Florence Nightingale para ver
comigo o programa do Johnny Carson

se tiver um ataque cardíaco ficarei aqui durante seis
dias, os meus três gatos esfomeados a rasgarem a carne
dos meus cotovelos, pulsos, cabeça

a rádio a passar música clássica…

prometi a mim mesmo nunca escrever poesia de velho
mas este é engraçado, bem, desculpável, por-
que já deixei há muito de falar de mim e ainda
há muito para dizer
aqui às 3 da manhã tiro esta folha da
máquina de escrever
encho outro copo e
coloco outra
faço amor com esta nova testemunha

talvez tenha sorte
outra vez

primeiro para
mim

depois
para ti.

Há uns anos, a Rádio Santiago de Sesimbra tinha, como provavelmente muitas outras rádios locais, um programa de discos pedidos com dedicatórias de amor. Na verdade, o programa parecia mais de discos perdidos. Porque não deve haver gravações disso posso dizer que uma vez liguei para lá. Quatorze anos, teria eu, e uma paixão por uma rapariga que nunca vira na vida. E ainda não havia internet… Admito que a minha dedicatória estava a anos luz das que são utilizadas por aqui, mas, caríssimos, rimava!

De ontem, fresquinho, um pouco da K FM… A recordar bons e velhos, muito velhos, tempos.

escolher-te foi obra dos meus olhos
lembrar-me de ti é obra da minha mente
gostar de ti é obra do meu coração
e o resto vai ser obra do destino

Titos para Yolanda

De todas as esperanças em amores depositadas
o teu foi o que teve mais crédito

mensagem de Elias para carla

mando beijinhos para a Judite apesar de que ela não gosta de mim… eu a amo mesmo assim…

Até hoje escrevi cinco posts em que falo, por uma ou outra razão, de Gershwin. Este é o sexto. Para dizer que, na Antena 1, as GRANDES MÚSICAS por António Cartaxo foram com um Concerto em Fá para piano e orquestra, de George Gershwin. Está tudo aqui. Tudo. Porque na rádio só passaram metade.

Ainda na Antena 1, também hoje, a Ana Mesquita e o murcon diziam que não se encontra o amor, nem se ama, por um acto de vontade. Eu tenho as minhas dúvidas. O importante é que ‘O amor é…’, versão fim de semana, está também disponível através de podcast.

aqui

Conheci Jethro Tull no carro do meu pai. Numa longa viagem por Portugal, irmão ao lado, deu para apanhar as manhas ao autorádio e saber, mesmo no shuffle, qual o cd que ia tocar a seguir e quando iria ser double shot*. Hoje agradeço a seca. Fomos cilindrados com Jethro Tull. Depois disso, já com idade para votar e fã da sonoridade da banda, fomos, os três, ao concerto no Pavilhão Atlântico. Júlio Machado Vaz diz, a propósito de um outro concento de Jethro Tull, que

as peregrinações familiares, para serem perfeitas, exigem a presença dos três!

Talvez isto não seja a propósito de um concerto de Jethro Tull. Seja o que for, sempre encontrei uma nesga de perfeição nas músicas de Jethro Tull. Longe de, com os meus trinta anos, me fazerem reviver saudosos dias da adolescência, Jethro Tull faz-me sonhar com tempos que hão-de vir. É outra perfeição.

Too Old to Rock ‘n’ Roll: Too Young to Die**

The old Rocker wore his hair too long,
wore his trouser cuffs too tight.
Unfashionable to the end — drank his ale too light.
Death’s head belt buckle — yesterday’s dreams —
the transport caf’ prophet of doom.
Ringing no change in his double-sewn seams
in his post-war-babe gloom.

Now he’s too old to Rock’n’Roll but he’s too young to die.

* da Super FM, rádio de outros tempos
** Do album “A Little Light Music”. A versão de estúdio continua e termina de forma diferente No, you’re never too old to Rock’n’Roll if you’re too young to die.

Na rádio, no rádio, oiço a Ana Mesquita à conversa com o murcon. Acho que é amor. Nunca a vi, não quero ver sequer, nada me move nesse sentido, mas tenho de admitir que sempre que oiço O Amor é… me apaixono pela Ana e o meu dia corre sempre melhor. Amor é isto?, apaixonarmo-nos por uma voz?, palavras lidas? ou um cheiro? Amor é sentirmo-nos elevados com tudo isso? Talvez seja essa a razão para dizer que o amor é cego. Ou para dizer que não precisa de olhos, não precisa de ver para sentir. Ou, para dizer que o amor cega… ou para dizer que não serve para nada. para dizer que o amor é isso. Dispensável.

Sent Itens
Se, um dia destes, voltares à rádio gostava de te acompanhar e aprender algumas coisas.
É um ‘se’ e ‘um dia’… não tem qualquer tipo de urgência. Mas ficas avisado. :)

Inbox
Será com o maior prazer.
Parece que me querem agora a conduzir debates sobre as autárquicas.
Estou a ver se me escapo, mas…não sei.

Hoje voltei a ouvir uma entrevista de CVM na TSF. Poucos minutos em que fala com Alejandro Erlich Oliva do grupo Opus Ensemble. Carlos Vaz Marques tem o melhor programa de entrevistas das rádios portuguesas. E nem é preciso ouvir o Pessoal e… Transmissível para ficar com essa ideia. Bastam poucos minutos como hoje.

Ontem perdi a cabeça e utilizei cinco minutos da minha vida para ir desbloquear o rádio do carro que já há uns meses que não ligava. Gosto de conduzir sozinho, comigo, mas também gosto de poder escolher deixar de o fazer.
Hoje passei as minhas viagens de carro a ouvir Cats, Gershwin e Chiara Civello.

But I’m bidin’ my time;
’cause that’s the kinda guy i’m
While other folks grow dizzy
I keep busy
Bidin’ my time.

Gershwin

Esta noite dormi mal. Não só pelo défice de horas, no caso, minutos, como pelas preocupações. Tem sido assim nos últimos 23 anos, desde que começei a ter consciência do boletim de vacinas. Tudo começou quando pela primeira precisei do tal documento e não encontrei. Dai foi um passo para perder, entre os meus papéis e carteiras recicladas da minha mãe o primeiro BI, fazer um novo e dali a 3 meses reencontrar o antigo. Seguiu-se o cartão da escola, o cartão para estacionar a mota – que me obrigava a voltar a casa e chegar atrasada às aulas – o cartão do centro de saúde que acordava durante a noite, em sobressalto, para o procurar. A carta do IVA, o IRS fora do prazo, as dívidas à Segurança Social, as taxas de esgotos – cuja notificação desconheço o paradeiro –, o passaporte, o novo BI caducado, até ao cúmulo de fazer uma escritura e não ter o dinheiro disponível na conta porque… enfim fiz a transferência tarde demais. Assalta-me uma dor de estômago pensar nas facturas do IRS de 2004, que devo ter perdido e com elas um retorno de 200 contos, ou as credenciais ultrapassadas para exames obrigatórios que não vou fazer e me levaram um dia de espera no centro de saúde para conseguir. A conta poupança habitação que devia ser mexida, mas que adio insistentemente, a transferência de telemóvel a debitar em conta alheia, a justificação médica para cancelar a inscrição do Colmes Place que me obrigou a pagar um ano de aulas e frequentado 5 horas delas, a bainha das calças que comprei nos saldos da Mango há dois anos atrás e continuam com a etiqueta pendurada, no saco original, as meias solas nas botas que acumulo no armário, inutilizadas dois meses depois de compradas, o código do rádio do carro que é só pedir na Renault, mas que não me apetece, cartão da universidade que só me exige uma fotografia e me oferece descontos nus cinemas em dias normais e museus no estrangeiro e que ainda assim, não vou entregar, os multibancos inválidos, colados a baterias de telemóveis, cujo código esqueci, tal como deles algures perdidos entre recibos de portagens atafulhados na minha mala… minha mala, vulgo espelho da minha alma, do meu quarto, da minha vida… uma enorme desarrumação, onde sei perfeitamente o que preciso de tratar, mas…não sou metódica! Que chatice!!!!

Como se a nossa vida pudesse existir noutro corpo, noutro lado. Não fui eu que escrevi, mas poderia ter sido. [até o rádio do meu renault precisa do código]