Arquivos da categoria 'Arrecadação'
o que não esqueci
Tags: felicidade, Livros, memória, pessoal
Esqueço-me de tudo. Esqueço-me das chaves, esqueço-me do telemóvel, esqueço-me dos nomes das pessoas e das caras também. Esqueço-me dos livros.
Os livros que não esqueci. Aí está algo para o qual nunca poderia ser convidado.
A situação é tão grave que ando sempre com um livro atrás de mim. Hoje é “A Estrada” de Cormac McCarthy (outro que há-de dar um filme), mas, porque me hei-de esquecer dele em algum lado, tal como me esqueci anteriormente de tantos outros, há muito que fui largando parte da minha biblioteca nos locais por onde passo regularmente. Caso me esqueça do livro de Cormac McCarthy em casa, no escritório, na minha secretária, está “O Livro dos Seres Imaginários” de Jorge Luis Borges. Se me esquecer do livro de Cormac McCarthy no escritório, em casa, na minha mesa de cabeceira, tenho “Na Praia de Chesil” de Ian McEwan. No carro tenho um outro livro, mas já não me recordo de qual. Há umas semanas era um de Adrian Mole, mas esse, neste momento, está esquecido em casa. O de José Saramago, um dos Cadernos de Lanzarote, que também andou no carro, não está esquecido, só não sei onde está. Esta estratégia faz com que eu tenha sempre algo para ler, mas, não resolve um outro problema: esqueço muito rapidamente tudo o que leio.
Nada disto tem piada e é fonte de graves problemas. Há quem diga que pode ser a fonte da felicidade. Eu até poderia confirmar, mas não sei, já devo ter esquecido o que isso era.
Diz-se que os homens aprendem com os erros. Nem todos. Só os que não esquecem.
(6.03.2008 00:36)
Galette de Couve, como manda o livro e como está aqui bem explicado, Tartiflette, receita tradicional, com Reblochon, vinhos também franceses, mas nenhum branco de Savoie , e Apfelstrudel com gelado bem português. Faltou a tarte aux myrtille. Só isso.
(28.01.2008 14:21)
Notas culinárias de Janeiro.
The Neverending Story
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Ainda hoje de manhã me diziam:
Vou acabar com o blogue. Um destes dias.
E porque não hoje?
Porque não?
O problema dos blogues que acabam resume-se, muitas das vezes, a isto: já estavam acabados. Anda-se ali durante uns tempos a fazer massagens cardíacas e uma ou outra respiração boca-a-boca, mas o coração não volta a bater. Não há desespero. Não há dramas. O blogue morre só que ninguém é avisado. No dia em que nos convencemos disso, quando pegamos na pá, já há uma parte, a que nunca esteve no blogue, que também queremos cobrir com terra. É esse bocado de vida que está a mais, mas não devia. É por esse bocado de vida que acabamos com o blogue.
(01.04.2008 14:12)
declaração de amor
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99% dos 10 visitantes deste blogue consideraram o último post preocupante. No fundo, houve um que, por momentos, teve algumas dúvidas.
Antes de avançar mais no blogue, o último post foi uma declaração de amor. Daquelas que já não se fazem. Daquelas, talvez, que nunca se fizeram.
Eu gosto da FNAC!
Tags: Fnac, Herberto Helder, Poesia
Foi por causa de notícias destas que decidi comprar, na Fnac (herege!) online (ah!), o último livro de Herberto Helder. O preço de editor está nos 20 euros e a Fnac (herege!) online (ah!) vende por 18 euros. 10% de desconto, contas assim por alto, e nem sequer é preciso cartão de cliente. Paguei 3.5 euros pelo transporte (Ah! Afinal…!), mas nem sequer precisei de sair da secretária para que o livro que comprei ontem me chegasse hoje às mãos (ah!). Acresce ainda a oferta que a Fnac (herege!) online (ah!) faz: “Doze Nós Numa Corda”, um livro cujo preço de editor anda à volta precisamente dos 11 euros. Contas feitas, 21.5 euros, dois livros que valem, segundo o editor, 31 euros, e (e só isto me faria odiar a Fnac) ainda aqui estou, na secretária, a trabalhar.
Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria
dos astros
Herberto Helder
(Mandei vir outra leva para ficar com o “Ouolof” e um presente que, provavelmente, já não iria conseguir comprar no Natal)
venda de ilusões
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São só vantagens, dizem, mas eu sei, acho que só eu sei, que a box que, desde ontem, tenho em casa, me vai permitir gravar todos os programas que não nunca vou conseguir ver.
(e se as últimas semanas têm servido para alguma coisa, que tenham servido para isto)
No fim de semana vi o Burn After Reading. Gosto da Angelina Jolie, mas ainda mais do Brad Pitt.
Comecei a ler Brave New World, isto foi hoje, um livro que comprei na Amazon porque não o encontrei por cá na única livraria onde o procurei e porque o Midnight’s Children, outro que não encontrei nas várias e muitas livrarias que existem por cá (ah, não fui a nenhum alfarrabista), tem mais páginas e, desconfio, letras mais pequenas e porque já terminei o Indignation, do Philip Roth.
Burn after reading.
Markus não percebe.
tentando fazer sentido
Tags: amor, Indignation, Livros, morte, new amsterdam, Philip Roth, Series, tv
Sem televisão em casa, embora não por opção, enterro-me nas últimas página de Indignation e nos primeiros episódios de New Amsterdam. John Amsterdam vive há 400 anos e está destinado a encontrar a morte na mulher da sua vida. Um amor eterno, dirão alguns, tentando fazer sentido.
Indignação
Tags: Livros, Philip Roth, problemas
Não há condições. Antecipo a alvorada e, estremunhado, tento perceber, em inglês, o problema de Marcus. Neste livro todos falam inglês e, por vezes, às sete da manhã isso pode ser um problema. Porque, na verdade, Marcus não tem qualquer problema.
O problema de Marcus, que não tem qualquer problema, é, enfim, um problema que extravasa a capacidade de resolução problemática actualmente existente por aí. Aqui sabe-se que um problema que não tem solução talvez não seja um problema. É um problema solução. O próprio problema resolve-se. Isto, claro, cria problemas de outra ordem. Como lidar com um problema que é em si a solução. Será que a solução é um problema?
Que a vida vá correndo menos mal.
Dito assim, pode chocar, mas, assim dito, resume-se, espera-se, um dia, uma semana, mas não uma vida.
