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(e se as últimas semanas têm servido para alguma coisa, que tenham servido para isto)

No fim de semana vi o Burn After Reading. Gosto da Angelina Jolie, mas ainda mais do Brad Pitt.

Comecei a ler Brave New World, isto foi hoje, um livro que comprei na Amazon porque não o encontrei por cá na única livraria onde o procurei e porque o Midnight’s Children, outro que não encontrei nas várias e muitas livrarias que existem por cá (ah, não fui a nenhum alfarrabista), tem mais páginas e, desconfio, letras mais pequenas e porque já terminei o Indignation, do Philip Roth.
Burn after reading.

Markus não percebe.

Sem televisão em casa, embora não por opção, enterro-me nas últimas página de Indignation e nos primeiros episódios de New Amsterdam. John Amsterdam vive há 400 anos e está destinado a encontrar a morte na mulher da sua vida. Um amor eterno, dirão alguns, tentando fazer sentido.

Não há condições. Antecipo a alvorada e, estremunhado, tento perceber, em inglês, o problema de Marcus. Neste livro todos falam inglês e, por vezes, às sete da manhã isso pode ser um problema. Porque, na verdade, Marcus não tem qualquer problema.

Marcus, aka Markie, is a nice Jewish boy. He is called nice by everyone, including himself. He works hard; he is a fine student; he is polite; he is a good athlete and the devoted helper of his father, who runs a kosher butcher shop in Newark.

O problema de Marcus, que não tem qualquer problema, é, enfim, um problema que extravasa a capacidade de resolução problemática actualmente existente por aí. Aqui sabe-se que um problema que não tem solução talvez não seja um problema. É um problema solução. O próprio problema resolve-se. Isto, claro, cria problemas de outra ordem. Como lidar com um problema que é em si a solução. Será que a solução é um problema?

Património, de Philip Roth, não é um livro que se leia com gosto. Felizmente, digo eu, não é o primeiro. Em todos os livros, Philip Roth consegue fazer acreditar que é possível que assim seja, assim como ele escreveu, com dor, com desespero e angústia, com medo. A desgraça humana, o farrapo que somos, a verdade, acreditamos, está lá toda. O fim dos dias. O fim dos nossos dias. Este livro, contudo, tem a particularidade de falar verdade. Há pouco espaço para a ficção. A história é a do pai, dos seus últimos dias, por muitos ainda venham a ser, contada a partir do momento em que lhe é diagnosticado a doença que não tinha. A história do princípio do fim, ficamos a saber na primeira frase. Se com os outros livros acreditamos na verdade, ainda que com algum espaço para a dúvida, com algum espaço para a fé, com este nem nos damos ao trabalho. Não há esperança. Para ninguém.

Patrimonio Philip Roth Já comprei o último livro de Philip Roth lançado em Portugal.

Património é mais uma dor que se alastra e permanece. Dizem, e aí tenho de ficar pelo que me dizem, que um escritor escreve sobre o que é e que a ficção nunca é senão parte da nossa realidade. Em Património, Philip Roth não tem de ficcionar uma história verdadeira de tal forma a que ela deixe de o ser para continuar a ser. A história é simples e é sua. Um familiar. Cancro. E todos nós, algures no tempo.

Hoje é dia de Berlim, que Gonçalo M. Tavares escreveu. O mesmo Gonçalo M. Tavares que vai estar, dia 28 de Fevereiro, a falar sobre Philip Roth. O mesmo Philip Roth que escreveu Património. O mesmo Património que foi lançado na segunda-feira.

é uma relação demasiado empenhada para se lhe chamar adultério

Philip Roth – O Animal Moribundo

Ando a evitar o Animal Moribundo de Philip Roth. Não sei se quero saber.

Sobre a velhice* que nos últimos dias tem dado conversa a propósito de dois livros de Philip Roth, O Animal Moribundo e Todo-O-Mundo.

Sobre gatos* (presentes e solidão) que nos últimos dias também têm dado que pensar.

Sobre este filme com o Nicolas Cage a Jessica Biel.

Sobre tudo isto, escrever que sete vidas facilitam, mas não são a solução. É preciso ter sorte.

Há sempre uma altura em que é tarde de mais.

*

Bill Bryson por aqui e por ali O livro é “por aqui e por ali“, assim, a bold (ou negrito, como preferirem), como está na capa, mas poderia ser outro qualquer. Para escrever verdade, talvez seja abusivo dizer que poderia ser qualquer outro, ou outro qualquer, sendo este o terceiro livro dele que tenho nas mãos, mas, ainda assim, arrisco: poderia ser outro qualquer. Sorte tenho de não me cruzar mais vezes com os seus livros nas montras das livrarias por onde passo (sim, normalmente não entro).

Os livros de Bill Bryson, todos os dois que li e o terceiro que comprei hoje e estou quase a terminar, são fartar da rir (assim mesmo). E há quem diga que eu nem li os melhores. Interessa pouco, se forem os piores são muito bons e, depois do Philip Roth, são a leitura ideal.

Ah, e segundo parece, ouvi dizer, são histórias verídicas…

Encontrei Katz no restaurante, ele também parecia laudavelmente confiante. Isto, porque tinha feito uma amiga – uma empregada de mesa chamada Rayette, que estava a servi-lo de um modo claramente galanteador. (…)
– Oh, eu gosto de um homem que aprecie panquecas – Rayette murmurou.
(…)
Ela afastou-se para atender um cliente distante enquanto Katz a observou com um certo orgulho paternal.
– Ela é bastante feia, não é? – perguntou com um largo e incongruente sorriso.
Procurei ser diplomático.
– Bem, só quando comparada com outras mulheres.

Todo o Mundo Philip Roth– A morbidez é a tua ausência.
Se não o disse, talvez tenha pensado. A morte de todos os dias, de todos os dias em que alguém morre, passa a ser a vida. Chega o momento de enfrentar os fantasmas do passado, do passado em que essa morte, também nossa, nem sequer se atrevia a ser miragem. Tristes encruzilhadas em que seguimos o caminho mais fácil. Mas agora o peso da mentira é maior que a dor da verdade e a verdade, também ela, já morreu.

Está ali um rapaz de dezassete anos. Morreu num desastre de automóvel. Os amigos vêm cá pôr-lhe latas de cerveja em cima da campa. Ou uma cana de pesca. Gostava de pescar. (Todo-o-Mundo. Philip Roth)

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