por aí…
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Há uns anos, a Rádio Santiago de Sesimbra tinha, como provavelmente muitas outras rádios locais, um programa de discos pedidos com dedicatórias de amor. Na verdade, o programa parecia mais de discos perdidos. Porque não deve haver gravações disso posso dizer que uma vez liguei para lá. Quatorze anos, teria eu, e uma paixão por uma rapariga que nunca vira na vida. E ainda não havia internet… Admito que a minha dedicatória estava a anos luz das que são utilizadas por aqui, mas, caríssimos, rimava!
De ontem, fresquinho, um pouco da K FM… A recordar bons e velhos, muito velhos, tempos.
escolher-te foi obra dos meus olhos
lembrar-me de ti é obra da minha mente
gostar de ti é obra do meu coração
e o resto vai ser obra do destino
Titos para Yolanda
De todas as esperanças em amores depositadas
o teu foi o que teve mais crédito
mensagem de Elias para carla
mando beijinhos para a Judite apesar de que ela não gosta de mim… eu a amo mesmo assim…
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Os portugueses que conheço, ou pensava que conhecia, amigos de longa data, dizem-me que hoje está um frio desgraçado. Eu ando na rua de camisa, sem casaco, sem frio. Sinto-me deslocado. Vai acontecer o mesmo quando o calor a sério chegar. Nessa altura só eu estarei no inferno.
Demoro dois minutos a pé de casa ao escritório, mais trinta segundos se quiser ir a casa do Orlando. O grande transtorno é chegar a casa do fred. É preciso pegar no carro e andar uns valentes quatro minutos. Até há três dias investia cerca de noventa minutos diários no trânsito. Vida dura, de facto.
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Tarde de churrasco em Marracuene e a descoberta da Maputo que existe para lá dos prédios de betão. Às dez horas da noite a estrada está cortada e desviamos para o centro de um dos bairros que rodeam a cidade. O carro, a 20km/h, segue por um piso que vai intercalando entre areia, muita areia, pedra e mais areia até chegar de novo ao asfalto. A cada 200 metros existem quatro paredes com uma aparelhagem, bebida e muita gente a conviver junto à entrada, na rua. Obras na praça dos combatentes, diz alguém que, depois de 15 minutos as escuras, reconhece onde nos encontramos. “Devíamos parar e beber um copo”. “Não somos bem vindos”, avisam. Um mundo que não nos pertence? Talvez. É um caminho por onde muitos passam e poucos param. Só o tempo parece ter parado. Ainda assim, gostava de uma 2M em Xiquelene.
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Aqui, no aeroporto, ponto de partida. De tudo. Para tudo. Fui.
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A diferença entre um plano abortado e um plano adiado é nula.
O futuro é hoje. Amanhã é tarde demais.
ora bem, vamos lá ver…
Sexta-feira passada mandei algumas mensagens a convidar amigos para o jantar de despedida. No sábado umas das minhas amigas respondeu com um “Kem es?” e eu voltei a mandar mensagem com doces palavras que só se dizem a quem se gosta muito. Ontem recebi um telefonema de um homem que, de voz inflamada, ameaçou a minha integridade física como, até hoje, ninguém tinha arriscado.
Falo com a minha amiga por mail:
“Oh pa, eu tenho o chip, mas n funciona. Acho q os gajos passado algum tempo desactivam-to e dão o número a outra pessoa. Como se pode ver, não é uma decisão muito razoavel. Conta lá o teor da msg e a reacção…:)) Então e a janta, já foi?”
Com esta brincadeira ela não foi ao jantar e eu fiquei com a cabeça a prémio.
[Boa altura para viajar…]
* título (e estilo) abusivamente copiado da boneca.
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Fui renovar o meu Bilhete de Identidade, um ano e meio depois de ter caducado e antes que o cartão único apareça nas bancas.
O cartão único é a pior invenção do homem, desde que alguém de lembrou de que andar com carteira era útil. Aqui ainda não se conseguiu perceber qual a utilidade em perder, de uma só vez, todos os cartões bancários, BI, Carta de Condução, cartão de utente, cartão de eleitor e preservativos.
Sempre consegui perder o BI, mas nunca foi grande a preocupação, pois sabia onde estava o cartão de eleitor. Perdia o Cartão de utente, mas sabia que tinha a carta de condução. Perdia o boletim de vacinas, mas sabia que tinha preservativos. A maior parte das vezes consegui só perder parte de mim e isso sempre me salvaguardou de males maiores. Sempre tive alternativas. O cartão único, essa grande revolução, avizinha-se como o grande problema. A única esperança, porque tem de haver sempre esperança, reside no facto de, dificilmente, o cartão único funcionar como preservativo. Valha-nos isso!
Voz feminina: Boa tarde
Tiago: Boa tarde, é da Clínica de Medicina Tropical?
Voz feminina: É sim.
Tiago: Boa tarde… [pausa] desculpe, mas deixe-me começar por uma má notícia. [pausa] Eu vou viajar para Moçambique esta sexta-feira… [risos do outro lado da linha… e também eu me começo a rir. É bom quando o nosso interlocutor percebe exactamente o que queremos dizer. É melhor ainda quando percebe que só podemos estar doidos… priceless quando aceita a loucura e nos marca uma consulta antes da viagem. Já não falta tudo…]