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Em conversa com a Ana Rita descubro que a Filipa é uma das duas amigas dela.

– Então? Porquê?

– Não penses que é fácil. A maior parte das raparigas que estão cá estão noutra fase da vida… não têm namorados… não são casadas…

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Gang

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Inhaca (29)

Maputo - Camarões no Miramar

Este prato de camarões é um dos rituais que temos em Moçambique. No dia em que chegamos o almoço é no Miramar. Esplanada. Só depois começa o trabalho e pouco importa que vá até às três da manhã, como ontem. Hoje é dia importante. Reuniões, enquanto há luz do sol. África, depois do lusco-fusco. Porque hoje é quinta-feira, é noite de África, uma das discotecas do burgo. É uma noite que me tem escapado.

Maputo

– e em termos de segurança. isto está melhor ou pior
– acho que esta melhor.
(pausa) mas as vezes aparecem uns policias oportunistas…

A polícia, por vezes, é pior que os ladrões. Pessoalmente, não tenho mais razão de queixa de uns do que de outros. Por ladrões já fui assaltado e por polícias já fui intimidado. Ambos estavam armados. Contudo, nenhuma dessas experiências prejudicou a imagem que tenho de Maputo e de Moçambique. Quem nunca brincou aos polícias e ladrões? É muito bom estar de volta.

Maputo, Moçambique
Amanhã, a esta hora, de novo em maputo.

Na SIC Notícias, Tucson Coast to Coast, a passar no Kruger, Swazilândia e Moçambique. Foi há seis semanas que também eu passei por lá.

A La petite au chocolat, já referida aqui, Paris e eu (a partir de onde cheguei ao Paris Daily Photo) e Pouco Sozinho (pouco sozinha?).

Também nas viagens entro em estágio… agora Paris, depois Moçambique, espero, e, em Junho, Alemanha.

Não sei o dia de amanhã. Daqui a um mês?, um ano? Quem sabe…?

Não sei se o segredo da vida é viver o presente. Se é, não é fácil. A maior parte do tempo vivemos presos a um passado, que gostavamos de recuperar, ou à espera de um futuro, que esperamos mais risonho. O presente raramente existe por si só. Em Moçambique o Carlos disse-me que uma das lições que trouxe da Índia foi a preocupação em viver o presente. As mesmas palavras que ontem ouvi de uma sobrevivente dos atentados de 11 de Março em Espanha. Viver o presente. Sem drama. Sem medo. Não sei o dia de amanhã. Este presente, o presente dos outros, para quem vive para um futuro, pode ser de uma crueldade lancinante, mas não deixa de ser a única forma de estar. O presente não tem rede que nos proteja. O presente não tem o conforto das memórias do passado nem das expectativas futuras. É cru. É verdadeiro.

Em Moçambique temos mais tempo para tudo. Em Moçambique temos mais tempo para trabalhar, mais tempo para pensar, mais tempo para viver. Em Moçambique temos mais tempo para o presente, basta escolher qual. O segredo tem de ser vivê-lo. Como em Portugal. Como em Espanha. O tempo não é o mais importante.

Escreveu o Fernando que o dia de hoje é uma dádiva por isso é que lhe chamam o presente. Não vou tão longe. Eu escrevo que este presente é meu. Só isso.

Depois de uns dias de férias preciso sempre de mais um ou dois para descansar. Férias raramente são sinónimo de descanso. Em Moçambique acorda-se cedo e deita-se tarde. Juntei-lhe duas directas e, por causa disso, já em Portugal, tenho-me deitado cedo e acordado mais tarde. A precisar de mais férias, talvez.

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