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Sabemos que viemos há pouco tempo de Moçambique quando acordamos às seis da manhã, sem despertador, e nos levantamos para vir para o escritório.

Sabemos que estamos em Portugal quando saímos de casa e é noite cerrada.

Música:
Grupo: Slightly Stoopid
Album: Closer to the Sun
Música: Don’t Care

Ilha de Moçambique e a casa do Gabriel.
Pão com manteiga e piri piri.
Conduzir, não bater e, nos últimos dias, não precisar de co-piloto para as indicações.
Ser mandado parar pela polícia. Argumentar.
Ser assaltado. Argumentar.
Andar de chapa durante 2h30.
Saidas à noite (Tara, Deluxe, Eagles, Feira, Gypsies, Luso). Africa é à quinta-feira. Fica para a próxima.
Jantares e almoços. Não fui ao 1908. Fica para a próxima.
A casa do Xou Director.
Ver o Benfica, a ganhar, no eagles.
O pôr do sol no Cardoso. Foi pena termos chegado atrasados.
Negociar no submundo dos batiques
Kruger
Carro avariar na S28 do Kruger
Argumentar reentrada em Moçambique para evitar novo visto. Não resultou.
O regresso a Maputo e o check-in no aeroporto.
A viagem de avião.

Com tudo isto, o que mudou?

É fácil perdermo-nos no barulho e confusão de Maputo. Os vendedores de rua são particularmente insistentes e aparecem de todos os lados. Há sempre pessoas na rua e, no nosso prédio, é normal encontrarmos, à porta, mais pessoas na conversa. É um outro mundo ao qual facilmente nos habituamos. Talvez por isso ninguém tenha estranhado que, ao entrarmos no prédio, viesse atrás de nós um pouco desse barulho e confusão. A Ana Rita estava a entrar no elevador e nós, com um olhar de relance, vimos dois homens de uns vinte e muitos anos, mas pouco ligámos e seguimos para o elevador. No mesmo instante a confusão aumentou um pouco e ficámos de olhos postos nas armas que cada um deles tinha na mão. Deu para perceber que não nos iam convidar para um copo.

Em Maputo a palavra de ordem é argumentar. Argumenta-se com os vendedores de batiques de forma a baixar o preço. Argumenta-se com a polícia para não darmos dinheiro para refresco. Argumenta-se ao longo do dia, várias vezes ao dia e, para tudo isso, só precisamos de tempo e paciência. É um jogo interessante. Depois do susto inicial recuperámos a compostura e tentámos fazer alguma coisa em relação ao que estava a acontecer. Como contra armas não há heróis, optámos pela via diplomática e começámos a argumentar. Não conseguimos ter os telemóveis de volta, mas conseguimos convencer um dos assaltantes que os cartões nos dariam algum jeito e que para eles não serviriam de nada. Então, ali mesmo à porta do prédio, já com um dos assaltantes no carro da fuga, o outro mete a arma no bolso e começa a tirar os vários cartões dos vários telemóveis. Quase deu vontade de o convidar a subir e a beber connosco um Porto. No final só o chip do argumentador mor não foi recuperado. Foi azar.

Paladar Moçambique Mozambique Ilha de Moçambique

Fomos jantar a casa do Xou Director. Quando chegámos estava a Inês a tratar dos seis quilos de amêijoas e a fazer a pasta à xou director. Antes, durante a tarde, o Orlando tinha ido comprar camarão do bom ao mercado do peixe. Daquele camarão que tem muito bom aspecto quando o vemos na bancada, mas que chega a casa podre. As amêijoas que abriram estavam deliciosas. Os restantes cinco quilos seguiram o mesmo caminho que os camarões. Estava tudo a correr bem.

Cumpriu-se o ritual de ver o telejornal. Jogou-se PS2 e quinito. À meia noite, eu e o Fernando fomos para casa, pois ainda tínhamos de ultimar a apresentação do dia seguinte. O Fred e a Ana Rita vieram também e nenhum de nós estava preparado para o que se seguiria.

Estou de volta e a precisar de colocar algumas coisas em ordem. Vou começar por mim. Os próximos dias vão continuar a ser para Moçambique. O fim de semana, se não tomo cuidado, arrisca-se a ser em Barcelona.

Terminou o trabalho. Agora volto a estar de férias. Ainda não está certo que o nosso destino seja o Kruger. Pode ser Inhaca. Não interessa!

Nem a aventura de ontem a noite, verdadeiramente tirada de um filme, estragou o dia de hoje, nem estragará os próximos. Acerca disso escrevo depois, em Portugal.

Agora, almoço grandioso. Merecido!

Parabéns! Foi Excelente!

s. f., África,
pano de que os indígenas de Moçambique se servem para cobrir o corpo desde a cintura até aos joelhos.


Q1 – A compra no Sr. Ismael. 3.6 metros. 74.000 meticais
Q2 – A confecção no melhor alfaiate da ilha. A tirar as medidas. Calça + camisa: 50.000 meticais
Q3 – Primeiras impressões
Q4 – Um dia normal de capulana

Em Maputo o mesmo trabalho custa cerca de 800.000 meticais.

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