
O kruger é isto: animais fora de portas. Durante os dois dias em que conduzimos pelas estradas do parque vimos os seguintes animais: galinhas, impalas, macacos, bucks, abutres, zebras, girafas, worthogs, elefantes, rinocerontes, hipopótamos, búfalos, avestruzes e um magnífico leopardo. Quanto a leões, ficámo-nos pela intenção.
No final do primeiro dia dormimos aqui…

e jantámos aqui.

Restaurante português, música de cabo verde, comida moçambicana.
Quando, no segundo dia, o carro parou junto a um grande grupo de animais não ficámos muito satisfeitos. Sem gasolina, pensámos. Temos tempo, arriscámos. Afinal, o avião seria só as 21h30.

A sorte, ou azar, ditou que fosse eu, de boleia, buscar cinco litros de combustível. Voltei, passados 45 minutos, no jipe de um Ranger do parque para verificar que, qualquer que fosse o problema do carro, não era falta de gasolina. Tudo isto depois de, com o Ranger, ficar uns minutos e empurrar o carro para ver se pegava. O facto de leões caçarem ali na zona não parecia incomodá-lo. Eu pensei: ele é ranger. ele sabe o que faz. leões? dois dias e não vimos nenhum… qual a probabilidade de um deles surgir de mansinho e querer trocar dois dedos de conversa?... O carro não foi muito longe connosco a empurrar.
O avião, para todos os efeitos, continuava a ser as 21h30.
Com o jipe, puxámos o carro até Crocodile Bridge, uma das portas de entrada no parque, e, que nem marujos, prendemos as amarras e, de um salto, ficámos a respirar novo ar. Terra firme. Fora do carro, fechámos as portas com estrondo para reparar que a chave tinha ficado na ignição. Cá fora, nós e um telemóvel no bolso. Terra firme? De repente tudo à volta se transformou num imenso pântano de areia movediça. Quando mais nos mexíamos mais nos enterrávamos.
O ranger, herói da estirpe de Cordell Walker, apercebendo-se do amadorismo com que lidavamos com a situação, não hesitou e lançou-se de cabeça na busca de ferramentas que o ajudassem a abrir a porta. Dez minutos volvidos e rodeavam o carro meia dúzia dos mais conceituados arrombadores de portas do Kruger Park. Um autêntico festim. 45 minutos depois estávamos na posse das nossas malas, passaportes, maquinas fotográficas e dinheiro para os copos.
O avião, esse, continuava as 21h30. Nós continuávamos sem carro e a nossa boleia estaria a caminho de Maputo para nos levar ao aeroporto. Confirmámos a hora do voo. 20h30. As boas notícias não paravam de chegar.

Cada vez mais enterrados no pântano em que tínhamos entrado, fomos para a esplanada gastar rands e observar pássaros. Duas horas de pura adrenalina. O resto da história não tem grande interesse. Foram várias latas de cerveja e duas garrafas de Amarula. Conseguimos passar a fronteira. Chegámos ao aeroporto e apanhámos o avião. No caminho, pedimos ao Fred a Ana Rita que nos levassem as malas e ao Carlos que lá fosse deixar o portátil. No avião, sentámo-nos por trás do Eduardo e do Gonçalo e viemos a viagem toda a conversar.

Para quem tinha acordado a pensar em dar uns mergulhos na piscina do Polana durante a tarde, o dia tinha-se revelado ligeiramente diferente.