Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.
Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.
Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.
Herberto Helder
Por estes dias ouve-se Laura Fygi e entrego-me depois de me ter perdido com Herberto Helder. Se, pelo menos, houvesse degraus…
muito giro o novo look do site :-)
a foto é de quando estivemos na Inhaca :)
boa tarde.
Venho perguntar-lhe se me poderia ajudar.
passa-se o seguinte: o meu professor mandou me fazer uma análise formal do poema “se houvesse degraus na terra…” de Herberto Helder mas eu não estou a conseguir pois acho que é um poema confuso.
Poderia ajudar-me?
Olá Ana, percebo pouco de análises formais, mas, ainda assim, deixo-te a opinião de quem sabe do assunto :)
“Para fazer a análise formal de um poema (formal ou externa) deveremos ter em conta os elementos próprios da versificação, isto é, a estrofe, o verso, a métrica e a rima. A análise de conteúdo ou interna consiste na interpretação do poema, na identificação do seu tema e na forma como o sujeito poético o desenvolve. Posto isto, vamos à análise formal deste poema de Herberto Hélder.
O poema é constituído por três estrofes, sendo a 1ª e a 3ª estrofes formadas por cinco versos (quintilhas), enquanto a 2ª estrofe é uma sétima, pois apresenta 7 versos.
Quanto à métrica, ela caracteriza-se pela sua irregularidade, pois, enquanto na 1ª estrofe predominam os versos com 14 sílabas métricas ( Se hou/ve/sse/ de/graus/ na/ te/rra e / ti/ve/sse a/néi/s o/ cé/u)* , já na 2ª estrofe se encontram versos de 10 sílabas métricas ( e a / fím/bria/ do/ ma/r e o/ me/io/ do/ mar) ou de 7 sílabas métricas (que/ des/ceu/ pa/ra/ be/ber), mantendo-se essa irregularidade na 3ª estrofe, onde se encontra, por exemplo, um verso com 17 sílabas métricas (u/ma/ ma/çã/, u/ma/ man/ti/lha/ de ou/ro e/ u/ma es/pa/da/ de/ pra/ta).
(*a contagem das sílabas métricas faz-se até à sílaba tónica.)
A rima entre versos não existe, mas encontra-se em abundância rima interna: subiria/ prenderia; nevasse/ chovesse/houvesse; e a fímbria do mar e o meio do mar (a aliteração em “m” produz efeito de rima interna)…”
boa tarde
a minha professora mandou fazer a estretura interna e externa “se houvesse degraus na terra”.
poderia ajudar me?
boa tarde
a minha professora mandou fazer a estretura interna e externa “se houvesse degraus na terra”.
poderia ajudar me?
Filipe, tudo o que sei (e que não sei) escrevi no comentário que está por cima do teu e que foi a resposta ao da Ana. Espero que possa ajudar.
obrigado