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Jessica Biel Nicolas Cage Next

Sobre a velhice* que nos últimos dias tem dado conversa a propósito de dois livros de Philip Roth, O Animal Moribundo e Todo-O-Mundo.

Sobre gatos* (presentes e solidão) que nos últimos dias também têm dado que pensar.

Sobre este filme com o Nicolas Cage a Jessica Biel.

Sobre tudo isto, escrever que sete vidas facilitam, mas não são a solução. É preciso ter sorte.

Há sempre uma altura em que é tarde de mais.

*

The naming of cats is a difficult matter
It isn’t just one of your holiday games
You may think at first I’m as mad as a hatter
When I tell you a cat must have three different names

Há os segredos que ninguém sabe, só eu, e os outros, que ninguém sabe, mas todos conhecem. Os maus segredos, porque existem os bons. Os bons segredos passam pela praia a que ninguém vai senão nós, pela vista, ali, onde todos passam, mas ninguém pára e poucos conhecem, pelo cheiro que sai do tacho e pelo travo, o travo bom, que fica. Os bons segredos são sempre o fim da linha, o último reduto.

Sabia contar a história como se a tivesse aprendido na escola. Sabia-a melhor. Adamastor, os Lusíadas e o seu autor, o Camarões. Naquele dia aprendeu um pouco mais.

Conhecia o pastel de nata, tinha comido em Angola. É bom, tem coco. Não tem, tem, não tem, e ontem à noite, entre dois Pasteis de Belém, disse que eram melhores que o de Angola, que o de coco.

Em Évora, isto é a praça do Giraldo, armado em turista, quem foi o Giraldo?, e apercebemo-nos, não eu, que não estava lá, que nunca nos passou pela cabeça perguntar, tentar saber, Giraldo? Não sei, ninguém sabe. Vamos embora. Monsaraz.

A restante semana foi por aí, entre o nascer e o pôr-do-sol, não eu, só tive a sorte de ter estado presente em alguns dos dias e de me ter despedido ontem, depois de jantar, quase de madrugada, numa das praias da marginal.

Dúvida .38

Sim? Não? Quando?

Alguns salgados que, segundo outros, são os melhores do mundo

Croquete: Gambrinus. Esqueçam o resto. Final do dia, princípio da noite, pela noite dentro, não importa muito, sentem-se ao balcão e atirem-se aos croquetes. Podem, nao é crime, dar-lhe um toque de mostarda. (O prego também é o melhor do mundo e um dos melhores de Lisboa)

(e a partir daqui não conheço nada)

Diz o FM que a melhor empada está em Mem Martins, no Pratinho. (Não sei. Tentámos passar por lá hoje, mas, por ser o dia de folga do pessoal, acabámos na Piriquita comer travesseiros.)

O M., também arrisca uns quantos.
Sacolinha em cascais. um bom folhado de chaves, o folhado de salsicha também é uma aposta segura

O rissol de berbigão da minha avó, mas esse não está à venda.

A empada de vitela do quiosque 1890 nas amoreiras ( e o mesmo da confeitaria Nacional na praça da figueira)

(parece faltar um rissol que se venda, a chamuça, o pastel de bacalhau,… Agradece-se quaisquer contribuições de salgados que considerem dignos de registo. Eu tento sacar uns rissóis de berbigão para distribuir.)

Croquete Digam o que disserem, o salgado é português. Croquete inventado na Holanda? Não tarda espalham o boato que a chamuça vem da índia quando toda a gente sabe, contaram-me que sim, que a sua origem é dali, algures, do Martim Moniz. Todo o salgado, mas em particular alguns em especial (que são vários, os salgados, assim no plural como no singular), são portugueses e o português que é português gosta deles. O típico português de camisa aberta e pelos no peito, eu, gosta do seu salgado.

Quem é que chega ao balcão e pede uma mini sem um pastel de bacalhau? Eu não! Faço mais e diferente: primeiro pergunto se tem pastel de bacalhau e só depois avanço para a mini a acompanhar. O salgado faz parte dos costumes e, tal como o Eusébio, o fado ou o tremoço, deveria ser um símbolo nacional. O problema? Portugal anda a tratar mal os seus salgados (agora plural) e isto merece um veemente protesto.

Chamuça Quem é que, hoje em dia, chega a um café e pede um pastel de bacalhau na ilusão de encontrar bacalhau? Ninguém! O pastel de bacalhau, neste momento, é o melhor substituto do palito tantas são as espinhas que lá se encontram. O rissol de camarão, por exemplo, (e não é preciso ir mais longe) foi preciso chegar a Moçambique para perceber que há rissóis que, inclusivamente, têm camarão lá dentro. Parecendo que não, faz diferença. Eu fico nervoso só de pensar que a chamuça, hoje em dia, nem sequer é picante. Não vos enerva? Andam aí uns meninos que não gostam de picante, deve doer na boca, e quem sofre são os outros.

Portugal trata mal os seus salgados. Como se alguém acreditasse que o turismo de pastelaria consegue sobreviver com uns travesseiros da piriquita e uns pasteis de belém. Não! Não consegue! Folhado de Salsicha O turismo de pastelaria sem salgados de qualidade não vai longe, não vai a lado nenhum. Turista que chega a uma pastelaria arrisca-se, na melhor das hipóteses, a pedir um folhado de salsicha manhoso. Depois alguém lhe diz: “ah, mas por cá, também há disto, mas em bom. Esta salsicha está um bocado ressequida, pois, mas…”, mas ninguém sabe onde, ninguém sabe quem é que anda a tratar bem os nossos salgados. Eu não sei!, e já ando cansado e gordo demais de tanto procurar.

*(com a inestimável ajuda de dois grandes companheiros e apreciadores do salgado genuíno, este e este)

Apostei forte (porque gostei, não só porque gostei, mas acima de tudo porque gostei e porque deixei de gostar de oferecer livros que nem sequer li) porque comecei a sentir a que nesta competição já levava demasiados livros de avanço. Não que me importe (…) de perder para ti, mas repara que eu não só gostei de todos os que me sugeriste como fiz questão de reencaminhar alguns do que continuam perdidos nos arquivos.
– Vais gostar.
Ainda bem que gostaste. “Envelheceremos juntos.

Há quem pense, eu sei que há, que se chega a determinada altura da vida e há que ter respostas. Chega de perguntas, venham as respostas, olá certezas. (…) E sem darmos por isso, a determinada altura da vida, com um “isto é assim”, o pessoal passa a explicar.

Eu gosto do conceito, mas vi-me forçado a adaptá-lo. Ao contrário dos que se iluminam a determinada altura da vida, eu tenho por hábito iluminar-me a determinada altura da noite (não todas as noites). (…) Passo, por essa razão, a explicar o seguinte (coisa séria):
Determinados momentos não poderiam ser mais perfeitos (#1). A própria graduação da perfeição é uma parvoíce (#2). Ponto. Há o bom, há o melhor, há o melhor (#3) que bom, pode haver perfeito, mas mais que perfeito só o verbo (#4). O Princípio (por vezes, do fim).

Estou a fazer forward.

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