Regresso da leitura do DN, na sua versão em papel, no café. Está lá um artigo sobre comida japonesa com uma foto do Sakura. Aqui também. Têm lá as moradas. Aqui também.
Queria incluir no blogue o que o João Miguel Tavares escreveu sobre as cartas do António Lobo Antunes, mas não encontrei na versão online do jornal. Tá mal! Fico com a ideia que na internet o DN é um jornal pela metade. Ou então sou eu… not half the man…
Vale-nos o esconjuro do Pedro Mexia. Está lá todo. E eu ainda tenho dois bilhetes para o concerto de hoje. Se alguém quiser…
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NunoC. Motto: If-I-am-ever-in-your-neighbourhood-lets-go-for-a-beer! Em Dezembro, em Madrid, quase certo.
Blogue dos Marretas. vale sempre a pena.
Port Moresby. estive em portalegre e não salivei com estes rebuçados. tá mal. vou lá voltar. só por isso.
Aliciante. Vidas que me passam ao lado. Preciso de ir comprar post-it.s
5 comentários »
Sobre António Lobo Antunes descobri este site através do Port Moresby. Vale a pena tentar descobrir António Lobo Antunes.
Esta carta é do seu mais recente livro.
Meu amor querido
Adoro-te minha gata de Janeiro meu amor minha gazela meu miosótis minha estrela aldebaran minha amante minha Via Láctea minha filha minha mãe minha esposa minha margarida meu gerânio minha princesa aristocrática minha preta minha branca minha chinezinha minha Pauline Bonaparte minha história de fadas minha Ariana minha heroína de Racine minha ternura meu gosto de luar meu Paris minha fita de cor meu vício secreto minha torre de andorinhas três horas da manhã minha melancolia minha polpa de fruto meu diamante meu sol meu copo de água minhas escadinhas da Saudade minha morfina ópio cocaína minha ferida aberta minha extensão polar minha floresta meu fogo minha única alegria minha América e meu Brasil minha vela acesa minha candeia minha casa meu lugar habitável minha mesa posta minha toalha de linho minha cobra minha figura de andor meu anjo de Boticelli meu mar meu feriado meu domingo de Ramos meu Setembro de vindimas meu moinho no monte meu vento norte meu sábado à noite meu diário minha história de quadradinhos meu recife de Manuel Bandeira minha Pasargada meu templo grego minha colina meu verso de Höderlin meu gerânio meus olhos grandes de noite minha linda boca macia dupla como uma concha fechada meus seios suaves e carnudos meu enxuto ventre liso minhas pernas nervosas minhas unhas polidas meu longo pescoço vivo e ágil minhas palavras segredadas meu vaso etrusco minha sala de castelo espelhada meu jardim minha excitação de risos minha doce forquilha de coxas minha eterna adolescente minha pedra brunida meu pássaro no mais alto ramo da tarde meu voo de asas minha ânfora meu pão de ló minha estrada minha praia de Agosto minha luz caiada meu muro meu soluço de fonte meu lago minha Penélope meu jovem rio selvagem meu crepúsculo minha aurora entre ruínas minha Grécia minha maré cheia minha muralha contra as ondas meu véu de noiva minha cintura meu pequenino queixo zangado minha transparência de tules minha taça de oiro minha Ofélia meu lírio meu perfume de terra meu corpo gémeo meu navio de partir minha cidade meus dentes ferozmente brancos minhas mãos sombrias minha torre de Belém meu Nilo meu Ganges meu templo hindu minha areia entre os dedos minha aurora minha harpa meu arbusto de sons meu país minha ilha minha porta para o mar meu manjerico meu cravo de papel minha Madragoa minha morte de amor minha Ana Karénine minha lâmpada de Aladino minha mulher
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o mais difícil é quando aprendemos a estar calados
difícil recuperar
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once in a while you should ask yourself
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Da pérfida(1) Gertrúria o juramento
Parece-me que estou inda escutando,
E que inda ao som da voz suave e brando
Encolhe as asas, de encantado, o vento:
No vasto, infatigável pensamento
Os mimos da perjura(2) estou notando…
Eis Amor, eis as Graças festejando
Dos ternos votos o feliz momento.
Mas ah!… Da minha rápida alegria
Para que acendes mais as vivas cores,
Lisonjeiro pincel da fantasia?
Bastam, cega paixão, loucos amores;
Esqueçam-se os prazeres de algum dia,
Tão belos, tão duráveis como as flores.
Bocage
Glossário
1 – traidora, desleal, infiel, que mente a fé jurada
2 – que jura em falso
Comentários:
Tudo leva a crer que esse soneto foi inspirado na traição de Gertrudes (Gertrúria) que casou-se com o irmão de Bocage, Gil Bocage, quando o poeta estava na Índia. Nesse poema percebe-se a dor e amargura do eu-lírico ao perceber que sua amada o traiu. A conclusão do poema é muito cínica. O amor é comparado com as flores, belas, porém, pouco duradouras.
[Trouxe este poema do Mundo Cultural. Também o Glossário. Também os comentários.]
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Desde 27/Out que, juntamente com esta definição, escrevi algumas palavras cujo destino foi a secção dos rascunhos fadados a nunca ver a luz do dia. Hoje recuperei-as. Não vale a pena lutar mais contra o que tem de ser.
«Há uns dias a direita considerou-o inefável. A esquerda não gostou. Hoje, no DN, outro alguém considerou-o inefável. É outro.»
Hoje, no portugal dos pequeninos, assim, tudo com letras pequeninas, mais alguém que surge como inefável. Entretanto certamente que muitos inefáveis surgiram por aí. Uma verdadeira loucura.
Aprendam. Quando quiserem desconsiderar alguém: inefável. Não há ditos nem desditos. Só não percebo porque é que tiveram de meter o Tony ao barulho. Eu cresci com ele e com a Alyssa. Ai… a Alyssa… a inefável Alyssa…
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Henry parou abruptamente, em estado de choque, no meio do passeio. Tinha trabalhado arduamente ao longo de várias semanas, pesando e burilando cada frase como um joalheiro a polir as suas pedras preciosas, para criar um colar de palavras cintilante e sem defeito. A ideia de este belo artefacto ser esquartejado e transformado numa versão abreviada era o mesmo que enfiarem-lhe na própria cerne um objecto cortante. – Cortá-la? Como?
– Com o lápis azul – disse Compton com um sorrisinho um tanto cínico, pensou Henry. – Ainda está para ser escrita a peça que não tenha lucrado com os cortes. A minha mulher é muito boa nisso.
(parte final da leitura que David Lodge fez ontem do seu livro Autor, Autor)
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SMS Outbox: Às 18h no Rossio para bebermos uma ginja. Depois pagas o jantar no Gambrinus.
O programa era aliciante. Entre a ginja e o Gambrinus tínhamos uma conversa com o David dos pensamentos secretos.
Ginja
Não perdoa. É sempre boa. Houve uma altura em que os copos não eram de plástico. Assim perde um bocado, mas continua a valer a pena. As minhas visitas costumam ser acompanhadas de amigos estrangeiros e ontem não foi diferente. A minha mãe é de outro planeta :) Além disso ontem dei-lhe a morada deste blogue. Nunca foi segredo, mas também nunca afixei no jornal.
À conversa com…
À entrada fiquei com o número 55. Já não é mau, pensei. Entrámos e sentei-me mesmo atrás do Pedro. Não queria dar nas vistas. A sala estava pejada de famosos. Para além da Maria J. N. Pinto estava também o Departamento de Estudos de Língua Inglesa da Faculdade de Letras de Lisboa em peso. Uma verdadeira loucura. No final ainda fiquei com a ideia de ter tropeçado na Maria Filomena Mónica, mas não tenho a certeza se tropecei mesmo ou se sonhei durante a noite. O Q/A (qiu a nei) decorreu com normalidade. Houve o engraçadinho, há sempre, das zebras e os super fãs que monopolizaram o microfone a partir de determinada altura. Depois deles deu-se por terminada a sessão. A Catarina esteve lá e escreveu sobre isso no seu blogue.
Foi isso que faltou. Faltou perguntar ao professor: Do you have a blog?
Gambrinus
Eu queria um prego, no pão. A sério! Um prego. No pão. Mas depois de ler o que a Fernanda escreveu no Glória Fácil acerca dos croquetes tive de me chegar à frente e dizer: e uns croquetes? Ouvi dizer (este «ouvi dizer» foi cirúrgico. só faltou arrancar um «disseram-me»… na minha perspectiva não é algo que estivesse longe da verdade. a Fernanda escreve para mim. às vezes. no fundo, sempre que a leio.) que são maravilhosos.
E ali ficámos, no meio do pão de centeio, a conversar durante um bocado.
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Literature is mostly about having sex and not much about having children; life is the other way round.
David Lodge
(podemos discordar. não que discorde, mas podemos discordar. também, não quer dizer que concorde. podemos concordar. cada um tem a sua opinião. se eu escrevesse…)
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Deixei passar o 9 canções. Não se faz. Não era suposto ter acontecido. Agora quero ir ver o documentário do Lucas sobre os imperadores, mas não me parece que vá conseguir mover multidões atrás de mim. Não tem mal. Camisola de gola alta e vou sozinho. As canções é que não são para ouvir sem companhia.
http://dn.sapo.pt/2005/11/03/artes/herois.html
http://cinecartaz.publico.clix.pt/filme.asp?id=137981
http://www.cinema2000.pt/ficha.php3?id=5124&area=cronicas
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