Hoje, é de Bocage, o dia
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Da pérfida(1) Gertrúria o juramento
Parece-me que estou inda escutando,
E que inda ao som da voz suave e brando
Encolhe as asas, de encantado, o vento:
No vasto, infatigável pensamento
Os mimos da perjura(2) estou notando…
Eis Amor, eis as Graças festejando
Dos ternos votos o feliz momento.
Mas ah!… Da minha rápida alegria
Para que acendes mais as vivas cores,
Lisonjeiro pincel da fantasia?
Bastam, cega paixão, loucos amores;
Esqueçam-se os prazeres de algum dia,
Tão belos, tão duráveis como as flores.
Bocage
Glossário
1 – traidora, desleal, infiel, que mente a fé jurada
2 – que jura em falso
Comentários:
Tudo leva a crer que esse soneto foi inspirado na traição de Gertrudes (Gertrúria) que casou-se com o irmão de Bocage, Gil Bocage, quando o poeta estava na Índia. Nesse poema percebe-se a dor e amargura do eu-lírico ao perceber que sua amada o traiu. A conclusão do poema é muito cínica. O amor é comparado com as flores, belas, porém, pouco duradouras.
[Trouxe este poema do Mundo Cultural. Também o Glossário. Também os comentários.]