Wanted .5
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Henry parou abruptamente, em estado de choque, no meio do passeio. Tinha trabalhado arduamente ao longo de várias semanas, pesando e burilando cada frase como um joalheiro a polir as suas pedras preciosas, para criar um colar de palavras cintilante e sem defeito. A ideia de este belo artefacto ser esquartejado e transformado numa versão abreviada era o mesmo que enfiarem-lhe na própria cerne um objecto cortante. – Cortá-la? Como?
– Com o lápis azul – disse Compton com um sorrisinho um tanto cínico, pensou Henry. – Ainda está para ser escrita a peça que não tenha lucrado com os cortes. A minha mulher é muito boa nisso.
(parte final da leitura que David Lodge fez ontem do seu livro Autor, Autor)