De tudo o que não li há muito que me faz sentir estúpido. Grande parte do que leio também me faz sentir estúpido, mas, ainda assim, sinto-me mais estúpido com o que não leio. Urgência em comprar o último de Philip Roth, que desconhecia já estar na rua, e dois ou três livros de Kapuscinski. A bem da estupidez.
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Em Setembro, deixei esquecido o livro de Philip Roth, em Maputo. Em boa hora o recuperei. Qualquer hora seria boa.
Sob os auspícios de Afrodite, disfarçado de Pigmalião e nas imediações de Tanglewood, estaria agora o professor reformado de literatura clássica a dar vida à transgressiva e recalcitrante Faunia na pele de uma Galateia requitadamente civilizada?
Sendo que dar carácter público a uma coisa tende apenas a corroer a sua intensidade, é isso que, de facto, querem?
Lembrei-me de uma coisa que ele me contara ter-lhe Faunia dito no resplendor crepuscular de uma das suas noites, quando tanto parecia esar a passar-se entre eles. Ele dissera-lhe: «Isto é mais do que sexo», e ela respondera, redondamente: «Não, não é. Tu é que te esqueceste do que o sexo é. Isto é sexo. Sexo puro. Não lixes tudo fingindo que é outra coisa.»
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