Feed on
Posts
Comments

Desde Maio, última vez que estive em Moçambique, perdi uns 12 quilos. Ontem isso serviu para me considerarem doente, a parecer que faltava matéria na cara, e ainda consegui ser a justificação da afirmação de que os homens não se cuidam. Escuso-me de dizer porquê, mas li há pouco, já não sei onde, mas certamente a propósito de algo que não tem nada a ver com isto, que qualquer mito é construído com uma bipolaridade, herói/anti-herói, positivo/negativo.

Assim, siga pra bingo, feios, porcos e maus

Saímos de Maputo às 20h30 para uma viagem de três horas até Chongoene. A saber: conduzir de noite em Moçambique não é o mais aconselhável. Em Maputo há assaltos. Fora de Maputo há acidentes. A nossa viagem foi suave. Não tivemos acidentes, passámos discretamente por uma operação stop e fizemos duas paragens de abastecimento, em dois dos bares do caminho. Quando chegámos à praia já a fogueira estava acesa. Carregado de estrelas, para onde quer que se olhasse, o céu estava deslumbrante. A chuva de meteoritos, o espectáculo das estrelas cadentes, o que quiserem, já tinha começado, mas, gáudio dos presentes, ainda não tinha acabado.

(Abro um parentesis pela simples razão de que, como dizem por aqui, não posso mentir. É verdade que o céu estava estrelado. É também verdade que as Orionids passeavam-se por lá. É verdade que a fogueira estava admirável. Também é verdade que tudo isso passou para segundo plano quando chegámos com um saco de gelo e uma garrafa de Jameson e as estrelas começaram a cair cada vez mais depressa e em maior quantidade.)

Orionids
Esta imagem foi tirada perto de Bursa, na Turquia (daqui), mas poderia ter sido em Chongoene.

The duration of this meteor shower covers the period of October 15 to 29. Maximum currently occurs on October 20 or 21 (solar longitude=208°), from an average radiant of RA=95°, DEC=+16°. The maximum hourly rate typically reaches 20 for Northern Hemisphere observers and 40 for Southern Hemisphere observers.

A registar: Next month, the Leonids Meteor Shower from Comet Tempel-Tuttle might show an even more impressive shower from some locations.

Por ali ficámos toda a noite até a única estrela no céu ser o Sol. Então adormecemos na areia da praia e dormimos até a pele começar a queimar.

Queimou.

Chongoene - Xai-Xai - Gaza - Mocambique (191) Chongoene - Xai-Xai - Gaza - Mocambique (198)

Chongoene (14)

Chongoene (12)
Praia de Chongoene.
Xai-Xai, Gaza, Moçambique

1.
Capa Visao Renascer em MoçambiqueVários amigos são hoje capa da Visão.
São portugueses, jovens e com formação superior. Histórias de quem trocou o conforto europeu pelo sonho de uma vida mais livre num dos países mais pobres do mundo.

Renascer em Moçambique. Não se trata de renascer das cinzas.

2.
O fim-de-semana vai ser em Chonguene com mais alguns amigos. Vinte ou trinta.

3.
Hoje há tolerência de ponto.
Juntos resistimos. Juntos mudamos a face da nossa terra e da região austral do nosso continente. Só juntos construiremos o desenvolvimento da nossa região e o bem estar dos nossos povos, contribuindo assim para o resto de Africa.
Prakash Ratilal, ilustre membro da comunidade Moçambicana, terminou assim uma palestra, no passado dia 7, sobre o Presidente Samora Machel por ocasião dos 20 anos da Tragédia de Mbuzini.

4.
Estamos juntos.

All Is Well - Import Export

Numa ida rápida ao aeroporto.
A minha vinda para Moçambique impediu-me de participar no casamento de dois amigos de infância. Dois casamentos. Quis o destino, e a vontade de um dos casais, que nos encontrassemos este fim-de-semana. Não fui ao casamento, mas participo na lua-de-mel. Nada mal… All is well

Pés descalços
     pisam caminhos de areia

Pés descalços
      pisam sujos caminhos de areia

Pés cansados negros e descalços
      pisam tristes sujos caminhos de areia

Pés negros
      pisam tristes caminhos da vida

Ilídio Rocha

Tambor está velho de gritar
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor
só tambor gritando na noite quente dos trópicos.

Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.

Nem nada!

Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.

Eu
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.

Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!

José Craveirinha

A recordar a Ilha de Moçambique há cerca de um ano. Os quatro dias que lá passei coincidiram com as festas e a noite encheu-se de batuques que alimentavam danças em cada esquina. tambor ecoando como a canção da força e da vida

No fim de semana escrevi algumas palavras acerca dos dias anteriores. Seria mais um post nos rascunhos que mais tarde ou mais cedo seria apagado.

Na sexta-feira fomos jantar à feira. O jantar foi óptimo com entrada de amêijoas seguido de espetadas de marisco. Já só conseguir acenar ao camarão grelhado e há quem diga que houve sobremesa. Mais um mito. Ninguém consegue comer tanto. Esse, contudo, nem foi o maior problema. Alguns dos animais com quem jantei, felinos da pior espécie, gostam de whisky. Tu sabes como o whisky me faz mal, especialmente no dia seguinte.

Como não trouxe máquina fotográfica tive de me agarrar à máquina da Patrícia, mas ela ainda não disponibilizou as fotos. Melhor assim. É que depois do jantar ainda fomos ao Coconuts é melhor não saberes que para o pequeno almoço foram dois hambúrgueres gigantes e meio frango piri-piri. Esquece.

Sábado estivemos a tentar reconstituir a noite na esplanada do Delmar. Ali mesmo ao lado do Miramar. Não conheces. Conseguimos, junto à areia da praia, à sombra, de óculos escuros e com 1L de coca-cola, passar um bocado maningue nice. Depois, casa. Sofá. Televisão ligada e segunda série do 24.

Jantar de Despedida do Manuel
(“roubei” esta foto no Cores de África, da Patrícia. A máquina era dela, mas o fotógrafo fui eu. Ela não se deve importar. Se quiserem ver mais fotografias de Moçambique não deixem de passar por lá. Este fim de semana foram a Chidenguele… inveja!)

Sabemos que está na altura de mudar quando saímos de casa de chinelos, calções e t-shirt num dia frio e chuvoso.

Maputo

Weather Maputo

Adenda:

Praia Tofo Moçambique
Praia do Tofo

Voz feminina: Boa tarde
Tiago: Boa tarde, é da Clínica de Medicina Tropical?
Voz feminina: É sim.
Tiago: Boa tarde… [pausa] desculpe, mas deixe-me começar por uma má notícia. [pausa] Eu vou viajar para Moçambique esta sexta-feira… [risos do outro lado da linha… e também eu me começo a rir. É bom quando o nosso interlocutor percebe exactamente o que queremos dizer. É melhor ainda quando percebe que só podemos estar doidos… priceless quando aceita a loucura e nos marca uma consulta antes da viagem. Já não falta tudo…]

Ponte de Lima
Pela terceira vez consecutiva não vou conseguir participar num dos grande eventos do ano. Até para o ano, mais uma vez. Quando todos estiverem a chegar a Ponte de Lima estarei de partida para Moçambique. Sexta-feira. Será este o meu grande evento este ano.

A 8 dias, vou aproveitando alguns momentos para pesquisar Moçambique na internet, nos blogues.

O Africanices tem fotos interessantes. Em relação ao Africanices, o menos surpreendente é já ter passado pelos mesmo locais – Maputo, Inhaca, Bilene, Swazilandia ou Kruger Park. O mais surpreendente foi ter descoberto que estivemos juntos no Bilene e que até o trintão, companheiro de viagem desde Portugal, e a Maja, da minha família polaca, aparecem no blogue.

« Prev - Next »