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Arquivos da categoria 'Arrecadação'

Laura Kõrgemäe

Uma pesquisa rápida é suficiente para perceber que Kim terá turtuosos desafios pela frente. A estónia não é um país fácil.

Não serão estas as coordenadas exactas, mas são, mesmo assim, um ponto de partida. Diria… um bom ponto de partida.

vintage

A idade torna-nos mais exigentes. Queremos beber menos, mas melhor. Demoramos mais tempo com o vinho no copo. Ninguém tem pressa quando tem o que quer. Continuamos a beijar, mas só repetimos se for bom. Beijamos de olhos abertos na esperança de que essa imagem nos faça sentir, um dia em que o vinho seja mau e já não tenhamos o gosto de um bom beijo na boca, o mesmo arrepio na espinha. Um bom beijo acaba sempre cedo demais.

A idade, normalmente, permite-nos beber menos, e melhor. Há tantos vinhos bons, que até vendem. Um bom beijo é mais difícil de encontrar e, talvez por isso, não sei, sai sempre mais caro que um bom vinho.

Um mau beijo consegue ser pior que um mau vinho.

Um mau vinho pode sempre ser utilizado para fazer uma boa sangria e a sangria, por muito má que seja, tem sempre clientes.

Um mau beijo é difícil ser reciclado.

Mondovino

Mondovino - Hubert de Montille
eu disse-lhe: – tenho uma fórmula. Os bons genros não dão necessariamente bons maridos. Os bons maridos não dão necessariamente bons amantes e os bons amantes raramente dão bons maridos.
Hubert de Montille
Volnay, Borgonha
Mondovino

vindimas

nos vinhos há tempo para colheitas tardias

nas relações é sempre tarde demais

sexta-feira

Hoje é dia de ASL.

(são dela as melhores crónicas dos jornais portugueses. Da Vanessa.)

A minha mulher ideal está nesta letra de Lorenz Hart.

She gets too hungry, for dinner at eight
She loves the theater, but doesn’t come late
She’d never bother, with people she’d hate
That’s why the lady is a tramp

Doesn’t like crap games, with barons and earls
Won’t go to harlem, in ermine and pearls
Won’t dish the dirt, with the rest of those girls
That’s why the lady is a tramp

She loves the free, fresh wind in her hair
Life without care
She’s broke, but it’s o’k
She hates california, it’s cold and it’s damp
That’s why the lady is a tramp

Doesn’t like dice games, with sharpies and frauds
Won’t go to harlem, in lincolns or fords
Won’t dish the dirt, with the rest of those broads
That’s why the lady is a tramp

O segredo

O Fernando também quer escrever um livro.

Diz que descobriu o segredo.

São várias as razões que me levam a pensar que nunca serei escritor. A primeira razão, mas talvez a menos importante nestas coisas de lançar um livro para o mercado, é a minha escrita se situar na fronteira entre o medíocre e o sofrivel. A segunda razão, e esta sim, fundamental, prende-se com o facto de eu começar os livros pelo fim e acabá-los sem chegar ao início. É como se não chegassem a ver a luz do dia. E não chegam. Mote, enredo e um título é quanto baste para o meu projecto de livro ter início, meio e fim.

O meu primeiro livro surgiu depois de ter assistido ao suícidio de alguém. Mote dado. A diferença entre “assistir ao suicídio” e “assistir o suicídio” pode parecer de gigante, mas, no momento, esbate-se à velocidade a que a vida se esvai. Assistimos. Mais nada. Neste romance, a personagem principal, Tiago, 100% fictícia, fica obcecado pela vida de quem se matou. Depois desse encontro furtuito no tabuleiro da ponte 25 de Abril a aventura segue para o funeral do sujeito, do indivíduo, do suicida. A partir daí desenrola-se a trama e o drama dos outros. Porque, na vida, o drama é sempre dos outros. Porque, na realidade, o drama é sempre nosso. O título: à procura de nada.

George Steiner,

Gostaria de ser recordado – por pouco que perdure nas memórias – como um mestre de leitura, como alguém que passou a vida a ler com os outros.

Depois de ler a Ideia de Europa comprei, este sábado, as quatro entrevistas que deu a Ramin Jahanbegloo. É difícil resistir-lhe.

Rodrigo Guedes de Carvalho diz que não percebe a existência de cursos de escrita criativa. Como se pode ensinar alguém a escrever?, perguntava. Eu desisti de aprender. Mentira. Só nunca participei em nenhum curso. Seja possível, ou não, aprender a escrever, o mais importante é saber ler, seja o mundo, seja a vida.

Talvez, um pouco, como as relações…

Rodrigo Guedes de Carvalho diz que para escrever um livro é preciso sentarmo-nos à frente do computador, de forma sistemática, e escrever. Há dias em que se escreve um parágrafo. Há dias em que se escrevem várias páginas. Senti, nas palavras dele, que é necessário que seja uma obrigação, por muito prazer que dê.

Talvez, um pouco, como as relações…

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