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Arquivos da categoria 'Arrecadação'

Os dias são passados na conversa, a lavar e a arrumar carros. A mim já ninguém me pede moeda para guardar o carro. Num dos primeiros dias firmei um contrato de prestação de serviços com um deles para a lavagem do carro. Desde então cumprimentamo-nos e, de vez em quando, ele pergunta-me se pode lavar. Vou dizendo que sim. Há uns dias, mal me viu a sair do prédio, veio ter comigo a dizer que precisava de 50 contos para meter os papeis de pedido de novo cartão de identidade. Dei-lhe a nota e ele deu-me crédito de duas lavagens e meia. Seguimos caminho. Ainda não lhe disse que, ao fim deste tempo, percebi que o serviço mais importante que ele me presta não é o da lavagem. Não raramente, ao sair de casa, caminho pela Julius Nyerere à procura do meu carro. Olho para a direita, olho para a esquerda, vou em direcção ao Polana, não o encontro, volto para trás, volto a parar. Há uns dias, depois de uma sessão destas, olhei em frente e sorri. Sentado no muro ele esticou o braço e indicou-me o caminho. Alarguei o sorriso, agradeci-lhe com um sinal, ele sorriu de volta, e entrei no carro estacionado à porta de casa.

vida de cão

Há dois dias este blogue fez dois anos. Há dias em que parece que foram dois anos de cão.

Foi preciso vir para África para começar a correr, a jogar ténis e squash e a fazer abdominais e flexões quase diariamente. Neste momento, correr, ténis e squash ainda são actividades mutuamente exclusivas, mas, esta semana, depois de uma grande descoberta lá por casa, introduzi nova actividade: saltar à corda. Em termos de planeamento, a visão está no filme, mas o objectivo mais imediato é conseguir aguentar cinco minutos sem me enrolar e mais de dez sem cair para o lado.

Hoje é o jantar de despedida da princesa cá do burgo. Num passado mais recente, tenho-me cruzado com várias princesas. Onde quer que vá, há sempre uma, todos têm a sua princesa. É impossível caracterizar as princesas num modelo único. Felizmente. As princesas mudam, como a paisagem, e todas são diferentes. A minha, por exemplo, não a descobri com uma ervilha debaixo dos colchões, mas sentado junto ao mar a beber um copo de vinho tinto e a rir. A minha, que é minha, felizmente nunca precisou de um príncipe, nunca precisou de mim para o ser. Um pouco como a paisagem onde não preciso de estar, que não precisa de me pertencer, para ser minha. Hoje é o jantar de despedida da princesa, mas não da minha. Não preciso de me repetir.

Foi cancelado o fim de semana na gorongosa. As alternativas passam por acampar na praia ou maragra. Ainda assim tento a inscrição de última hora no curso de mergulho.

emoções

A raiva que atormenta quem me passa, quando passa, passa sempre. Porque não é raiva, muito menos ódio ou inveja. Toca-lhe um pouco, tangencial, reverente. Não na raiva.
Aceitação? Alegria? Amor? Angústia? Ansiedade? Arrependimento? Ciúme? Inveja? Medo? Ódio? Orgulho? Pânico? Preocupação? Raiva? Remorso? Saudade? Surpresa? Susto? Tédio? Tristeza? Vergonha?

Parabéns

A Ana faz hoje anos. A mesma Ana que diz que a minha vida “só faz sentido com segredos… Sempre foi assim e não se avizinha qualquer mudança…”. Disse mais, mas menos importante. Como a Ana costuma passar por cá,
Muitos parabéns! Pela minha parte só posso prometer continuar com segredos.

Quando pensava que não haveria, no mundo, pior do que eu eis que, hoje, voltei à migração.

Não sabem do meu passaporte.

No momento da verdade nem sempre tomamos as melhores decisões. Falo de mim, de alguns momentos da verdade, mas recordo um em que, à distância de uma vida, acredito ter seguido o melhor caminho.

Poderia ter sido advogado. Não fui e não me parece que precise de psicanálise para perceber as razões. A precisar as razões serão outras. Fui para gestão e o facto de até há pouco tempo ponderar tirar outro curso superior, curso de direito, juntamente com a admiração que tenho por muitos dos que praticam advocacia, não belisca em nada a certeza de que segui o rumo certo.

Alterei a lista de blogues na barra lateral para que incluísse os blogues que verdadeiramente leio. Estão lá os blogues de quem conheço pessoalmente e os outros, os que não conheço, mas que também leio avidamente sempre que há novas entradas. É uma lista que não é estática, vai tendo novas entradas e terá certamente saídas. Não que os blogues tenham mudado para melhor ou pior. Fui eu que mudei.

Destaco os blogues dos ICEPs e dos outros amigos que estão em Moçambique, pois é com eles (e mais uns muitos que não têm blogue ou eu não sei qual é) que vejo a bola e vou estrada fora, qualquer que ela seja estrada. (Miguel, André, Patrícia, Frederico F., Renato, Frederico A., Carla, JP)

Dos “outros”, hoje destaco A Revolta das Palavras, Da desilusão à insurreição geral, o blogue de José António Barreiros, porque qualquer que seja a estrada é importante o rumo certo, porque torna volúveis algumas das certezas que tenho.

Quid Juris

Ando sem passaporte há vários e longos dias. História mais longa do que os dias há que dura.

Hoje, se nenhum contratempo surgir, saberei o veredicto. É disso que se trata, de um veredicto. Na reunião de ontem, nos serviços de migração, a “acusação” terminou a alegação afirmando: O Sr. Tiago, então, prestou falsas declarações.

Passei a vida a distinguir ver para crer de ver para querer.

Nunca precisei de ver para querer. Hoje percebo que foi um erro precisar de ver para crer.

Agora

Estou por cá há pouco tempo. Permitam-me, por isso, que depois de uma manhã com mais de 30 graus centígrados eu vá até à varanda, em manga curta e calções, observar o festival de chuva e relâmpagos que se abateu sobre a cidade.

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