Pomene
Tags: Fotos, Moçambique
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Há umas semanas procurei insistentemente um dos poemas de May Sarton. Impossível. Não consegui encontrar.
Decidi enviar um email à Joy, Wanderings of a Student Librarian, perguntando se ela me poderia enviar o poema por email. Ela pode. Ontem.
Sorry it took me so long. Here is the poem as copied from _The Land of Silence and Other Poems_ by May Sarton, Rinehart & Co., New York, 1953.
Thank you Joy. No insights on the poem. Yet.
Maybe someday.
Fotos do fim de semana faxavor de ver no blogue do André. As minhas ainda vão demorar.
Não apareço, nem nas dele nem nas minhas, mas encontrarão Pomene e Tofo que é o que interessa.
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Há uns tempos ligaram-me, número anónimo, e começaram a conversa com um “quem fala?”.
Desconfio. Talvez porque, normalmente, sei para quem ligo.
Depois de mais umas trocas de palavras faço-lhe a vontade.
– Sou o Tiago.
Só então o meu interlocutor encontrou o que lhe faltava para me começar a ameaçar como se um nome, o meu nome, qualquer nome, fosse mais do que nada. É muito difícil conhecer alguém pelo nome.
Entretanto, já em Maputo, num dos muitos jantares, sentei-me ao lado de alguém que conhece um amigo meu. Tem de conhecer, afinal andaram juntos no Colégio Militar.
– Chama-se Pedro Santos, disse-lhe.
– Qual é o número dele?
– Desculpa?
– É muito difícil conhecer alguém do Colégio Militar pelo nome.
– hmmm… estou a ver. Passas-me os camarões, sff?
Hoje percebo que ninguém quer conhecer ninguém. Na verdade, hoje percebo que ainda não quis conhecer ninguém. Só o nome.
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Now I become myself. It’s taken
Time, many years and places;
I have been dissolved and shaken,
Worn other people’s faces,
Run madly, as if Time were there,
Terribly old, crying a warning,
“Hurry, you will be dead before–”
(What? Before you reach the morning?
Or the end of the poem is clear?
Or love safe in the walled city?)
Now to stand still, to be here,
Feel my own weight and density!
The black shadow on the paper
Is my hand; the shadow of a word
As thought shapes the shaper
Falls heavy on the page, is heard.
All fuses now, falls into place
From wish to action, word to silence,
My work, my love, my time, my face
Gathered into one intense
Gesture of growing like a plant.
As slowly as the ripening fruit
Fertile, detached, and always spent,
Falls but does not exhaust the root,
So all the poem is, can give,
Grows in me to become the song,
Made so and rooted by love.
Now there is time and Time is young.
O, in this single hour I live
All of myself and do not move.
I, the pursued, who madly ran,
Stand still, stand still, and stop the sun!
May Sarton
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Uma história, por mais verdadeira que seja, tem tantas versões, todas elas tão verdadeiras quanto a realidade o permita, quantas quisermos.
Ontem, por exemplo, ao regressar da festa surpresa do Francisco, virámos no Sheik para uma estrada que tem menos buracos que o solo lunar, mas maiores. Íamos a menos de 50km/h, velocidade claramente excessiva, quando uma carrinha com quem nos cruzámos, carregada de polícias sem nada para fazer, encetou uma perseguição ao nosso carro. Escusado será explicar quais os pressupostos de uma perseguição, mas, ainda assim, arrisco-me a dizer que um deles é não perceber que estão atrás de nós. E 50km/h é uma velocidade estonteante num slalom de crateras. Quando nos apanharam, uns bons cinquenta metros à frente, no preciso momento em que estávamos parados para entrar na garagem, surgem cinco dos agentes da autoridade que pedem documentos. O carro está cercado e nós a pensar que é preciso mudar o sistema automático de abertura de portas da garagem. Temos documentos. O carro tem documentos, os meus ainda estão na migração. O condutor segue o agente até à carrinha enquanto ele nos vai acusando de ter mostrado uma arma quando nos cruzámos na estrada. Vale tudo!, são essas as regras do jogo. Explica-se que um dos passageiros precisa de tomar medicamento da malária às 11h e já tá com quase 24h de atraso. Pois é, nós também precisávamos de tomar uns medicamentos… Pode-nos ajudar? Vale mesmo tudo, até contar a história de outra forma. É que, ontem, o Francisco fez anos e às onze e meia já estava em casa. O resto é conversa…
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Variar um pouco com o meu sábado em fotografias…

Partida àquela horas das onze em direcção à Maragra. Para trás ficou o jantar de despedida da Patrícia, uma noite mal dormida e uma manhã ainda pior. Na 24 de Julho a confusão do costume.

Abençoado que estava o nosso caminho seguimos em direcção ao almoço. Praia? Depois do pão, sempre depois do pão, já dizia Danton.

Leitão. Deve ser isto a mão invisível de Adam Smith. Há dias combinávamos um jantar, em Dezembro, na mealhada e hoje tínhamos um leitão na mesa. O mercado da saudade em funcionamento.

Com a cabeça a apanhar vento e a tirar algumas fotografias gritei para pararem o carro. No STOP foi onde encontrámos os óculos que me tinham voado da cara.

Passagem sem guarda… e sem comboio.

Não se pode tirar fotografias. Queremos ir à praia. Não pode.
Ficámos uns bons 15 minutos a argumentar. Quando começou a chover o guarda resolve pedir autorização ao superior e em cinco minutos estávamos a caminho.

Maragra é propriedade privada. Não sei se é a maior plantação de açúcar de Moçambique, mas, assim de repente, é uma coisa a atirar para o muito grande e com estradas de perder de vista. (Maragra na BBC)

Ninguém percebe muito de mecânica e não foi difícil descobrir que estávamos sem travões. Queríamos perceber se podia ser mais grave, pois sem travões o carro anda e isso é o mais importante. A viagem continuou. Paisagens bonitas, mas a praia continuava uma miragem cada vez mais desfocada devido ao estado dos meus óculos.

Paragem forçada. A nossa e a deles. Não percebemos muito de mecânica, já avisei, mas sabemos a regra número um para quem fica preso na areia: vazar pneus. 60 segundos.

Felizmente apareceu um chapa cheio ajuda…

… e nós seguimos caminho… ora a pé… ora de carro… até que…

…chegámos e, finalmente, pudemos…

… brincar, com as ondas, ao quem é mais forte. Perdemos.

De regresso à ancestral técnica dos 60 segundos

O Sr. Alberto pediu-nos uma lift. Pelo caminho, por pouco não voou carrinha fora num buraco que os travões que não tínhamos não conseguiram evitar, mas chegou são e salvo a casa. A sua mulher agradeceu-nos com uma cabaça.

Antes do regresso ainda parámos para um jogo de damas, um refresco e mais uns minutos de convívio.
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