O resto é conversa…
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Uma história, por mais verdadeira que seja, tem tantas versões, todas elas tão verdadeiras quanto a realidade o permita, quantas quisermos.
Ontem, por exemplo, ao regressar da festa surpresa do Francisco, virámos no Sheik para uma estrada que tem menos buracos que o solo lunar, mas maiores. Íamos a menos de 50km/h, velocidade claramente excessiva, quando uma carrinha com quem nos cruzámos, carregada de polícias sem nada para fazer, encetou uma perseguição ao nosso carro. Escusado será explicar quais os pressupostos de uma perseguição, mas, ainda assim, arrisco-me a dizer que um deles é não perceber que estão atrás de nós. E 50km/h é uma velocidade estonteante num slalom de crateras. Quando nos apanharam, uns bons cinquenta metros à frente, no preciso momento em que estávamos parados para entrar na garagem, surgem cinco dos agentes da autoridade que pedem documentos. O carro está cercado e nós a pensar que é preciso mudar o sistema automático de abertura de portas da garagem. Temos documentos. O carro tem documentos, os meus ainda estão na migração. O condutor segue o agente até à carrinha enquanto ele nos vai acusando de ter mostrado uma arma quando nos cruzámos na estrada. Vale tudo!, são essas as regras do jogo. Explica-se que um dos passageiros precisa de tomar medicamento da malária às 11h e já tá com quase 24h de atraso. Pois é, nós também precisávamos de tomar uns medicamentos… Pode-nos ajudar? Vale mesmo tudo, até contar a história de outra forma. É que, ontem, o Francisco fez anos e às onze e meia já estava em casa. O resto é conversa…
Meu caro Tiago,
Imagino que esse encontro infeliz tenha sido com os “cinzentinhos”( PRM- de farda cinzenta)….Mais encontros, talvez piores, poderão acontecer. É que os cinzentinhos conseguem interceptar a todos menos aos criminosos.
Um abraço
CMB