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sexo seguro

Há uns dias diziam-me que uma das razões para os miúdos aprenderem a mexer com tecnologia mais facilmente do que nós era porque não tinham medo de partir. Noutra dimensão, acho que não ter medo de partir é a única razão para que “sexo seguro” nunca passe do campo teórico.

A BLUSA DELA

(Para uma Ela nunca a mesma)

Sedosa blusa de encantamento
vai-me desabotoando os dedos
no tépido clima do templo
e ágeis preces adequadamente
fazendo sucumbir
botão por botão
alça por alça
no sábio solfejo
das pautas do catecismo
ofegando mornos plágios de samba.

E…
Todas as homilias suplicando
de dentro para mais dentro
gorgeios no altar da mútua assunção.

Depois…
na magnífica álgebra dos pombos
voamos em todas as praxes dos beijos
até a insigne blusa dela
sacralizar a osmose da brisa
desde as pontes dos tactos
indo…
indo…
indo…
para além da apoteose
da sedosa blusa dela
aqui nesta indiscreta
e tão prosaica folha de papel.
Neste preciso instante
os três e a blusa dela
Mesmo exaustos arrulhamos
no quimérico galho azul deste sonho.

José Craveirinha

E, no entanto, tudo na blusa dela nos aproxima. É impossível ler para esquecer.

José Craveirinha dedica um dos poemas “Para uma Ela nunca a mesma”. Aqui, tudo nos separa. Pudesse eu escrever poemas e seriam certamente “Para todas elas sempre a mesma”

A maior parte das pessoas lê por duas razões: esquecer ou adormecer.

Hoje comprei os “Poemas Eróticos” de José Craveirinha para adormecer e esquecer que ainda há dias para consumir.

Depois disto, hoje só precisaram de trinta segundos para me pedir para voltar amanhã. Considerando que já sabia que ia sair de lá sem passaporte, o serviço ao utente melhora a olhos vistos. Mais uns dias e passo a ir tomar o pequeno almoço à Migração como se fôssemos todos parte de uma grande família feliz.

Mergulho .2

No mergulho, quando nos perdemos do buddy, subimos à tona de água e regressamos a terra de barco. Na vida, ao perdermo-nos nas relações, subimos à tona de água para perceber que o barco somos nós. Regressar a terra é um desafio muito maior.

– I had never worked abroad. So,that’s why I came.
– You’re not married…
– Not anymore. Actually, that was another reason for me to came

Criar relações nem sempre é fácil. É mais fácil aqui onde há sempre alguém que foge de alguma coisa e onde toda a gente procura um novo sentido. Debaixo de água, a quinze metros de profundidade, ainda é mais fácil. Espero que ele não fique por cá muito mais tempo. Na Austrália também se mergulha.

(*Cat Stevens)

Perceber que nunca é tarde demais traz-nos a certeza de que amanhã pode não vir a tempo.

– Gosto de ti! O amor é para sempre.
– para sempre?
– para sempre!
– Isso do para sempre já não sei…

Perceber que pode não ser para sempre valoriza-nos o presente. Saber que não é desgraça-o. Por isso todas as outras certezas. A certeza de que nunca é tarde mais. A certeza de que há sempre tempo. A certeza de que não há tempo que não seja para sempre.

spa

A vida aqui é, indiscutivelmente, muito boa. A manhã passei-a na melhor sauna de Maputo: a migração. O melhor é que nem precisamos de trocar de roupa. Entramos e começamos imediatamente a destilar. Para além disso há sempre alguém com quem nos conseguimos identificar. Nas duas horas e meia em que lá estive acompanhei a busca do chefe Jonas pelo passaporte perdido de um utente. Nada. A manhã quase que poderia ter sido em vão, não tivesse eu emagrecido uns três quilos. No final consegui falar com a D. Rosa, com quem já tinha conversado há várias semanas, para lhe repetir as mesmas coisas e sair de lá quase na mesma, sem passaporte. Passa cá na segunda-feira, pode ser? É este o momento em que nos sentimos bafejados pela sorte. Um bafo quente, muito quente.

Ainda RSS…

O RSS, os *feeds* e ferramentas como o bloglines são, verdade verdadinha, coisas estranhas. Permitem-nos, por exemplo, ler blogues sem os visitar. Um género de namoro à distância na blogoesfera. É bom, é sempre bom, mas há muitos dias em que sabe a pouco, a muito pouco.

São duas as razões pelas quais gostaria de estar em Portugal. Uma é o Bacalhau. A outra também.

Não arrisco muito se escrever que foi ali que, ontem, decidimos ir ver o jogo de Portugal.

Pensando melhor, se calhar arrisco um bocado.

Mergulho .1

Há um momento, no mergulho, em que percebemos que está a aproximar-se o fim: quando começamos a ficar sem ar.

Nas relações passa-se exactamente o mesmo.

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