por aí…
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É interessante, sim. O único problema, João, é quando começa a desbotar.
Não é se… é quando…
Tags: eternidade
Não creio que alguma vez venha a ter um baby blogue. Nove meses, na blogosfera, é uma eternidade.
Tags: wordpress
Música a sério é com a Maria Lua. Não há ditos nem desditos. Elvis, versão ao vivo cinco estrelas de fazer a cabeça girar até os tornozelos roçarem no chão.
(e porque foi ela que me ensinou a pôr música no blogue e porque foi no blogue dela que descobri o wordpress e porque gosto de a ler. só isso)
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Hei-de querer morrer. Chegado o dia, um dia, sei que olharei em frente e saberei que, a partir desse momento, poderei morrer. É fácil, para alguém que espera viver mais 50 anos, dizer isto. É fácil ter esta certeza. A certeza de que hei-de querer morrer caminha a passo certo com a certeza de que nada levo daqui. A reencarnação demora 250 anos e falta-me tempo para acreditar em tal oportunidade. Esse é um combóio que não vou esperar na estação. Não levo nada desta vida. Nem me conforta a imagem de umas quantas virgens a aguardar por mim depois da morte. Depois de morrer serei cinzas espalhadas num qualquer ponto geográfico da minha vida. Um espaço que me tenha marcado e onde quererei deixar a minha marca. Quero essa certeza de um espaço que me eternize enquanto as cinzas voam empurradas por ventos que não me deixam ficar para trás. Acaba ali sem que ninguém saiba para onde vou. Saberão de onde parti. É quanto baste.
Hei-de querer morrer. De todas as certezas que me falham agarro-me a esta com a única força que lhes resiste. Hei-de querer morrer. Até esse dia sei que o único caminho que tenho é o da vida. Sei que nada mais posso fazer senão viver. Por isso, a certeza da morte, aceitar que um dia hei-de querer morrer. Ou talvez…
Quero poder querer morrer. Se alguma coisa pudesse pedir talvez fosse isso. Não quero uma morte inesperada. Por muito que tenhamos, nada mais vale que a vida e uma morte inesperada é o pior que pode acontecer. Quero poder querer morrer. Se esse dia chegar, chega com ele a certeza de que vivi e não fiquei a ver a vida a acontecer. A certeza de que nada deixei para fazer embora, não duvide, tudo ainda pudesse acontecer. Mesmo então, quero poder sonhar com um caminho em frente. O dos outros. A vida é uma guerra e o seu fim anunciado. Por isso luto para ganhar cada batalha até à capitulação final. A caminho do fim, sempre com novos começos.
o meu segundo post do blogue, em novembro de 2004, também estava relacionado com o o presente, passado e futuro. Acho eu.
Tags: Moçambique
Não sei o dia de amanhã. Daqui a um mês?, um ano? Quem sabe…?
Não sei se o segredo da vida é viver o presente. Se é, não é fácil. A maior parte do tempo vivemos presos a um passado, que gostavamos de recuperar, ou à espera de um futuro, que esperamos mais risonho. O presente raramente existe por si só. Em Moçambique o Carlos disse-me que uma das lições que trouxe da Índia foi a preocupação em viver o presente. As mesmas palavras que ontem ouvi de uma sobrevivente dos atentados de 11 de Março em Espanha. Viver o presente. Sem drama. Sem medo. Não sei o dia de amanhã. Este presente, o presente dos outros, para quem vive para um futuro, pode ser de uma crueldade lancinante, mas não deixa de ser a única forma de estar. O presente não tem rede que nos proteja. O presente não tem o conforto das memórias do passado nem das expectativas futuras. É cru. É verdadeiro.
Em Moçambique temos mais tempo para tudo. Em Moçambique temos mais tempo para trabalhar, mais tempo para pensar, mais tempo para viver. Em Moçambique temos mais tempo para o presente, basta escolher qual. O segredo tem de ser vivê-lo. Como em Portugal. Como em Espanha. O tempo não é o mais importante.
Escreveu o Fernando que o dia de hoje é uma dádiva por isso é que lhe chamam o presente. Não vou tão longe. Eu escrevo que este presente é meu. Só isso.