Assim de repente, estou em crer que é assim como vos escrevo.
Posts sobre o passado, mesmo que ontem, são muito mais raros do que os posts sobre o agora e sobre o amanhã. Por isso, o passado daqui é sempre forçado a não ser que ainda seja presente. O futuro, que não é passado, pode nunca vir a ser. Só o presente.
Amanhã vou ao submundo da especiaria. Há uma fronteira ténue entre a índia, China e, dizem-me, Rússia, no Martim Moniz. Uma estranha ubiquidade que não se encontra em toda a parte, mas onde toda a parte se encontra.
É Natal. Compreendam.
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santas-gonna-kick-your-ass
Santa’s Gonna Kick Your Ass – The Arrogant Worms
(da série outras improváveis músicas de Natal)
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porque houve mesmo alguém que disse que
the world is a stage
and we must play a part
vou estar hoje, em sessão única, a escrever escrever a minha composição dramática. Vida Peça curta, dizem-me, não como se deseja, mas como, inevitavelmente, é. Resta-nos aproveitar.
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desde há alguns dias que estou a tentar levar isto a sério. o maior feito foi conseguir triplicar conteúdo. pede-se paciência.
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música ambiente
White Christmas – Axl Rose
(da série outras improváveis músicas de Natal)
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música ambiente
Another Christmas Song – Jethro Tull
(da série outras improváveis músicas de Natal)
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Já há neve, asides e wordpress 2.7
Um grande Natal, este que já começou.
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para quem não quer mudar o mundo o seu fim é o melhor local para viver
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A madrugada, quando começa? e quando deixa de ser?
Hoje acordei as 6h15 para, ainda sem uma luz, correr trinta minutos. Fico sempre surpreendido quando, em dias como hoje em que sinto que “não, mais cedo do que isto não dá”, chego ao parque e me cruzo com quem lá chegou primeiro. Há sempre alguém que já lá está. Não tenho qualquer dúvida que se tivesse acordado às 5h00 e fosse correr alguém lá estaria. Há sempre alguém que chega primeiro.
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Acabo todos os anos com a sensação de que deveria ter ido mais ao teatro. Este ano, não sendo nisso uma excepção, termina com uma ligeira diferença: fui ao teatro.
Assim de repente, fui ver aquele que é considerado por muitos (procurem vocês) o melhor grupo teatral do mundo, Berliner Ensemble, fui, também em Almada, ver uma peça de Saramago numa altura em que, notava-se, o nevoeiro lhe causava alguma dificuldade, fui ver, e sofrer, com um monólogo do João Lagarto, vi um musical, o Cabaret, e vi também, há poucos dias (agora há mais) , a arte do crime. Não sei se me falha algum nem sei se, na altura própria, escrevi sobre cada um destes momentos. Se não o fiz, não o devo ter feito, deveria. Ainda assim, sem precisar de mais recordações, sem dúvidas também, o meu momento teatral do ano ocorreu com a peça de Saramago “Que farei com este livro”. O momento vale pela peça em si, mas a ele acrescem ainda as palavras do autor, subido ao palco, já depois do pano caído. Se muitas da ideias e palavras de Saramago nos separam, naquela sala tudo nos uniu. Ali estava um homem que não se quis sentar na cadeira que lhe trouxeram e que de pé, mais do que palavras, encontrou mais uma razão para existir. Eu não sei que razão encontrei, mas sei que depois da morte da maior parte de nós tudo permanece igual. A nossa morte, excepção a alguns poucos, gerará pouco mais do que uma fátua consternação. A vida continua para lá da morte dos outros. Nós, que ainda lhe vamos sobrevivendo, sabemos disso. É difícil prolongar a vida para lá da morte e, no entanto, naquele momento, naquele palco, naquela vida, tudo ainda se permitia. Até a eternidade.
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