A RAPARIGA DAS ROSAS
(V. 81)
Tu, que trazes as rosas, é rosas o encanto que trazes.
O que é que vendes? aA Rapariga da ti? às rosas, ou às rosas e a ti?
Dionísio, o Sofista
Antologia Palatina
(séc. 1 a. C.?)
Grécia
Trad.: Fernando Pessoa
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Se alguém bater um dia à tua porta,
Dizendo que é um emissário meu,
Não acredites, nem que seja eu;
Que o meu vaidoso orgulho não comporta
Bater sequer à porta irreal do céu.
Mas se, naturalmente, e sem ouvir
Alguém bater, fores a porta abrir
E encontrares alguém como que à espera
De ousar bater, medita um pouco. Esse era
Meu emissário e eu e o que comporta
O meu orgulho do que desespera.
Abre a quem não bater à tua porta
Fernando Pessoa
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Até o jade se parte,
até o ouro se dobra,
até a plumagem de quetzal se despedaça…
Não se vive para sempre na terra!
Duramos apenas um instante!
América, Aztecas
Versão: Herberto Helder
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A Rosa do Mundo
Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?
Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,
Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,
Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,
E morreram os filhos de Usna.
Nós passamos e passa o trabalho do mundo:
Entre humanas almas que se agitam e quebram
Como as pálidas águas e seu fluxo invernal,
Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,
Vive este solitário rosto.
Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:
Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,
Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;
Ele fez do mundo um caminho de erva
Para os seus errantes pés.
W. B. Yeats
(1965-1939)
Irlanda
Trad.: José Agostinho Baptista
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Olho o céu sem fim
à espera de ver a estrela que tu vês
Vou ao encontro dos viajantes que chegam de todo o lado
à espera que alguém se tenha inebriado com o teu perfume
Enfrento os ventos
à espera que tragam uma mensagem tua
Vagueio sem destino
à espera de ouvir uma canção que fale de ti
Olho as mulheres que encontro sem outra intenção
que descobrir um toque da tua beleza nos seus rostos
Al-Thurthusi
Cultura árabe (Andaluzia)
Século XI
Trad.: Jorge Sousa Braga
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Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
Miguel Torga
Coimbra, 27 de Dezembro de 1977
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(…)
Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
– E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
Herberto Helder
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Sei poucos poemas de cor. Em português sei alguns de Fernando Pessoa – nunca me canso – e em inglês sei três, de poetas diferentes, três lições de vida.
Terminam assim…
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And-which is more-you’ll be a Man, my son!
—
Better by far you should forget and smile
Than that you should remember and be sad.
—
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
O primeiro é de Kipling, IF. O segundo é de Christina Georgina Rossetti, Remember. O terceiro é de Robert Frost, The Road Not Taken.
Valem sempre a pena.
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