Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth.
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same.
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I–
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
Robert Frost (1874–1963). Mountain Interval. 1920.
[Já em Fevereiro tinha colocado parte deste poema aqui. Fica agora o poema completo. Porque gosto. Porque faz sentido.]
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I gotta get you out of my mind
It’s just too crazy, you know
walking ‘round in circles
Feeling down and low
We used to love each other, baby
But love is something you can’t save
I never meant to be your master
and i could never be your slave
Jorge Palma
Lisboa, Fevereiro 1980
[Jorge Palma, hoje, no Du Arte Garden, Casino do Estoril, 23h30]
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If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss
IF
Rudyard Kipling
Na vida, talvez o maior dos jogos, também por vezes apostamos tudo no vermelho e sai preto. Há quem aposte no cavalo errado. Há quem siga uma estrada para só mais tarde perceber que está num beco sem saída.
Independentemente do risco que aceitamos, o importante é saber que há sempre forma de recomeçar, nem que seja do zero.
[O poema completo podem encontrar no google. É com esta voz, a de Michael Caine, que mais gosto de o ouvir. Um dos poemas da minha vida.]
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Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Eugénio de Andrade
As mãos e os frutos
XXXIV
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Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já
É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.
És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.
Fernando Pessoa
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Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Fernando Pessoa
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nunca como agora
foi tão importante
deixar de parecer
e ser
uma presença constante
por esta vida fora
em cada palavra que mudo
sobrevêm pequenos restos
que faço desaparecer
ao perceber
que é nos pequenos gestos!
que se vê tudo
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Remancha, poeta,
Remancha e desmancha
O teu belo plano
De escrever p’la certa.
Não há «p’la certa», poeta!
Mas em todo o acaso acerta
Nem que seja a um verso por ano…
No reino da Dinamarca
Alexandre O’Neill
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Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(…)Álvaro de Campos
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És o encontro na estrada, és a montanha e o pôr do sol
O vinho bebido em festa, és a papoila e o rouxinol
És a minha maçã de Junho e a minha estrela polar
Sem ti eu não tenho norte, sem ti eu não sei amar
Sem ti eu não tenho norte, sem ti eu não sei amar
Jorge Palma
Maçã de Junho (Paris, 78)
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Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E rí como quem tem chorado muito.
Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.
Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.
Mas as flores se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, [não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.
É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de sí próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.
Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza.
Alberto Caeiro
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