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Nada ou seja o que for existe sem mim ou para além de mim.
Os átomos do universo poderão ser contados, mas não tanto as minhas manifestações;
Pois para sempre faço criar inúmeros mundos.


Srimad Bhagavatam
Índia
Trad.: Manuel João Magalhães

Ao almoço disseram-me, literalmente, És melhor do que tu..

O literalmente é meu. Talvez não tenha sido mesmo assim, mas eu é que sei. O blogue é meu. O literalmente também. O importante aqui é tentar perceber que sermos melhor do que somos é, à partida, mau. Se somos bons, somos melhores. Não é muito mau. Se somos maus, somos piores ou, por outras palavras, somos melhores maus. Para quem quer ser mau, também não é muito mau. Mas, olhe-se por onde se olhar, nunca somos o que somos e isso é o pior que podemos ser.

Gozar a Vida

Vivamos, minha Lésbia, e amemos,
e os murmúrios dos velhos mais severos
demos-lhes a todos o valor de um centavo!
Os sóis podem extinguir-se e voltar:
mas nós, uma vez que se extingue a breve luz do dia,
temos de dormir uma só noite, para sempre.
Dá-me mil beijos, depois um cento,
e mais mil, depois outro cento,
depois outros mil, e mais cem.
Em seguida, quando juntarmos muitos milhares,
misturamo-los, para que não saibamos
ou nenhum malvado possa invejar-nos,
quando souber que os beijos foram tantos


Catulo
(c. 87-c. 52 a. C.)
Roma
Trad.: Maria Helena da Rocha Pereira

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender –
Tudo metade
De sentir e de ver…
Não digas nada
Deixa esquecer
(…)

Fernando Pessoa

Quer nada: serás livre.

Ricardo Reis

A nada imploram tuas mãos já coisas,
Nem convencem teus lábios já parados,
(…)

Ricardo Reis

A RAPARIGA DAS ROSAS
(V. 81)

Tu, que trazes as rosas, é rosas o encanto que trazes.
O que é que vendes? aA Rapariga da ti? às rosas, ou às rosas e a ti?

Dionísio, o Sofista
Antologia Palatina
(séc. 1 a. C.?)
Grécia
Trad.: Fernando Pessoa

Lídia

Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros

Onde que quer que estejamos

(…)

Ricardo Reis

Fernando Pessoa

Tenho esperança? Não tenho.
Tenho vontade de a ter?
Não sei. Ignoro a que venho,
Quero dormir e esquecer.
(…)

Fernando Pessoa

Até o jade se parte,
até o ouro se dobra,
até a plumagem de quetzal se despedaça…
Não se vive para sempre na terra!
Duramos apenas um instante!

América, Aztecas
Versão: Herberto Helder

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