A Rosa do Mundo
Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?
Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,
Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,
Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,
E morreram os filhos de Usna.
Nós passamos e passa o trabalho do mundo:
Entre humanas almas que se agitam e quebram
Como as pálidas águas e seu fluxo invernal,
Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,
Vive este solitário rosto.
Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:
Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,
Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;
Ele fez do mundo um caminho de erva
Para os seus errantes pés.
W. B. Yeats
(1965-1939)
Irlanda
Trad.: José Agostinho Baptista
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Olho o céu sem fim
à espera de ver a estrela que tu vês
Vou ao encontro dos viajantes que chegam de todo o lado
à espera que alguém se tenha inebriado com o teu perfume
Enfrento os ventos
à espera que tragam uma mensagem tua
Vagueio sem destino
à espera de ouvir uma canção que fale de ti
Olho as mulheres que encontro sem outra intenção
que descobrir um toque da tua beleza nos seus rostos
Al-Thurthusi
Cultura árabe (Andaluzia)
Século XI
Trad.: Jorge Sousa Braga
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(…)
Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
– E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
Herberto Helder
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Na últimas duas semanas tenho vindo a acumular na minha mesa de cabeceira alguns livros de poesia que vou resgatando das prateleiras do escritório.
Atingi o fim da linha e ontem tive de levar comigo os sonetos da Florbela Espanca. Necessária renovação urgente na secção de poesia.
Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem…
Sou um reflexo… um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém
Florbela Espanca
Minha culpa
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Bold lover, never, never canst thou kiss, though winning near the goal.
John Keats (1795-1821)
Ode on a Grecian Urn
[Em português, tradução de Augusto de Campos. Eu fico-me por esta: Amante audacioso, nunca a beijarás, embora quase a beijes.]
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O homem mortal, Leuco, nada tem de imortal a não ser a memória que traz e a memória que deixa.(1) Trabalhei, dei poesia aos homens e partilhei as mágoas de muitos. (2) Andei à minha procura
Cesare Pavese (1908-1950)
[55 anos depois da sua morte, o centro de estudos de Cesare Pavese divulga as últimas palavras do escritor antes do suicídio. (1) Dialoghi con Leucò. (2) O Ofício de Viver ]
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Tu e a poesia :) paneleiro.
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