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A Rosa do Mundo

Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?
Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,
Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,
Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,
E morreram os filhos de Usna.

Nós passamos e passa o trabalho do mundo:
Entre humanas almas que se agitam e quebram
Como as pálidas águas e seu fluxo invernal,
Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,
Vive este solitário rosto.

Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:
Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,
Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;
Ele fez do mundo um caminho de erva
Para os seus errantes pés.

W. B. Yeats
(1965-1939)
Irlanda
Trad.: José Agostinho Baptista

“Rosa do Mundo — 2001 Poemas para o Futuro” é o título daquele que será o mais interessante projecto editorial e poético realizado entre nós. Dizêmo-lo sem falsas modéstias e com a convicção que deriva de um vasto trabalho colectivo de mais de uma centena de intervenientes que, ultrapassando um ano de trabalho, conseguiram reunir muita da mais bela poesia do mundo. “Rosa do Mundo — 2001 Poemas para o Futuro” mostra-nos que em todos os tempos e por toda a parte sempre palpitou a energia poderosa da mais pura emoção humana que hoje podemos experimentar nestas duas mil e uma pétalas que formam esta Rosa do Mundo.

Olho o céu sem fim
à espera de ver a estrela que tu vês

Vou ao encontro dos viajantes que chegam de todo o lado
à espera que alguém se tenha inebriado com o teu perfume

Enfrento os ventos
à espera que tragam uma mensagem tua

Vagueio sem destino
à espera de ouvir uma canção que fale de ti

Olho as mulheres que encontro sem outra intenção
que descobrir um toque da tua beleza nos seus rostos

Al-Thurthusi
Cultura árabe (Andaluzia)
Século XI
Trad.: Jorge Sousa Braga

(…)
Em baixo o instrumento perplexo ignora

a espinha do mistério.

– E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

Herberto Helder

Na últimas duas semanas tenho vindo a acumular na minha mesa de cabeceira alguns livros de poesia que vou resgatando das prateleiras do escritório.
Atingi o fim da linha e ontem tive de levar comigo os sonetos da Florbela Espanca. Necessária renovação urgente na secção de poesia.

Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem…
Sou um reflexo… um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Florbela Espanca
Minha culpa

Bold lover, never, never canst thou kiss, though winning near the goal.

John Keats (1795-1821)
Ode on a Grecian Urn

[Em português, tradução de Augusto de Campos. Eu fico-me por esta: Amante audacioso, nunca a beijarás, embora quase a beijes.]

O homem mortal, Leuco, nada tem de imortal a não ser a memória que traz e a memória que deixa.(1) Trabalhei, dei poesia aos homens e partilhei as mágoas de muitos. (2) Andei à minha procura

Cesare Pavese (1908-1950)
[55 anos depois da sua morte, o centro de estudos de Cesare Pavese divulga as últimas palavras do escritor antes do suicídio. (1) Dialoghi con Leucò. (2) O Ofício de Viver ]

Tu e a poesia :) paneleiro.

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