Ciclone Favio .4
Tags: Moçambique
the giant within
Tags: cinema, Moçambique
Chega a uma altura em que temos de fazer pela vida porque, por muito que aqui possa parecer, nós não ficámos mais bonitos. Moçambique engana…
No jogo de ténis, ontem, num encontro há muito esperado, cilindrei o Luis, no primeiro set por uns incontestáveis 6-3. No segundo set, libertado que estava the giant within, ele chegou aos 5-0, um resultado muito contestado por quase todos os que assistiam ao jogo (àquela hora já só éramos nós os dois). Naquele momento em que as bancadas aplaudiam a vitória antecipada do Luis, quando já ninguém acreditava que eu pudesse ganhar, parei, concentrei-me, avancei destemido e… perdi. Só posso dizer que, se o grande filme dos últimos anos, Rocky Balboa, já cá estivesse a história teria sido outra. Provavelmente, em vez de ténis tínhamos ido ao cinema. Impõe-se dizer que, embora o Luis quisesse continuar, decidi não jogar outro set para poder acabar o post aqui.
um atrás do outro
Tags: Moçambique
Parece que o nosso Presidente vem a Moçambique, em Abril. Disseram-me, este fim de semana, enquanto dormíamos sob o sol do Bilene, que ia ficar no Rovuma, o Pestana cá do sítio, e passar uns dias no Bazaruto. O professor também vem. Mais um ciclone.
Estar em casa
Tags: Moçambique
A Ana fez anos ontem. Juntámo-nos, Ana, Fred, Orlando, Carlos e Luís, para partilhar copos e petiscos. Vivo em Moçambique com o conforto dos amigos da universidade e da vida que, por razões diferentes, aqui se juntaram. São eles a bússola.
Quando passámos pelo outdoor já a viagem tinha começado há muito tempo. O pequeno almoço estava tomado, o inglês já era da África do Sul, mas ainda não sabíamos o tanto que o dia nos reservara. Sem código, mas telegraficamente:
(1) não nos deixaram regressar a Moçambique (“não pode sair com visto de fronteira e voltara entrar no mesmo dia. Tem de esperar 3 a 4 dias. O melhor é ir ao consulado a Nelspruit e pedir um visto. Fecha as 15h30”)
(2) fomos a Nelspruit e entrámos no consulado às 15h (“Vistos? Tá visto que é a primeira vez que cá vem. Os vistos têm de ser pedidos até às 11h. Já nem está cá ninguém para os assinar. Nós estamos a sair. Os chefes? Os chefes, são chefes, podem sair a qualquer hora.”)
(3) corremos até um cibercafé enquanto pedíamos ajuda com os vistos (“já vos ligo daqui a 20m”)
(4) enviámos o documento que tinha de ser enviado até às 16h, às 16h05 (“Muito obrigado, está óptimo. Na segunda eu vejo… hoje é sexta!”)
(5) a ajuda ligou-nos e voltámo-nos a meter ao caminho em direcção à fronteira
(6) a polícia mandou-nos parar (“500 rands and you’ll go pay to the police station on the corner… No, I’ll make 250 because of you… Oh,let’s give them another chance. You can go”)
(7) passámos a fronteira suavemente
(8) noite escura, no meio de nada, a estrada sem luz e o céu como não se vê em Lisboa fez-nos encostar o carro (“Boa noite!”)
(9) no meio do nada há sempre algo mais do que nada e, noite escura, estivemos cinco minutos à conversa com o “Rasta”, artista inspirado pela soruma
(10) Maputo, 22h, casa, banho, noite (“t-shirt escura, ‘tas a ver? cores escuras disfarçam a barriga. Tu fazes dieta, eu descubro estas coisas”)
conforme previsto
Tags: Moçambique
estamos desde manhã na África do Sul, já passámos duas vezes a fronteira, mas ainda não conseguimos entrar em Moçambique. Havemos de passar. Para já, num cibercafé em Nelspruit, trabalhamos.
outra vez o visto
Tags: Moçambique
Amanhã (hoje) vou à fronteira. Obrigação de quem não tem autorização de residência. É importante a escolha da fronteira, mas as opiniões dividem-se. Ressano Garcia, sempre grande confusão, passa tudo, mas, há sempre alguém que diz, nem sempre. Houve uma vez, a alguém que tinha quatro entradas consecutivas, que só deram visto de 15 dias. Eu preciso de 24 dias e não tenho quatro entradas. Desde a minha primeira vinda a Moçambique, em 2005, acumulei tantos selos e carimbos no passaporte que quase ocupam as 24 páginas. Nas fronteiras com a Swazilândia, no ano passado, já me torceram o nariz. Vamos ver agora e quando, dia 2 de Março, quiser lá voltar armado em turista com os viajantes.
o mundo perfeito
Tags: asides, Bob Dylan, Moçambique

– Conheces Bob Dylan?
– Sim, já ouvi falar.
– E sabes tocar alguma coisa dele
– Isso não…
Num mundo perfeito, obviamente, a conversa teria sido outra. Não foi por isso que foi menos divertido. Nas suas palavras, o Jaguar anda a plantar sementes com notas musicais na ma-schamba. Um dia há-de colher os frutos. Hoje, enquanto esperávamos pelo arranjo do batelão que nos levaria à Macaneta, tocou-nos uma música espanhola, várias moçambicanas, uma “portuguesa”, do Roberto Carlos, e um blues, a pedido: rock reggae blues. Há-de dar filme.
Ilha de Moçambique
Tags: Moçambique, youtube
José Craveirinha
Tags: Moçambique
Na geometria das tuas nádegas
minhas unhas aprendem o ritmo
da arquitectura natural da curva.
Deslizo nelas meu júbilo.
Quem inventou a magia desse lado?
E a quem cabe extinguir as nádegas
se nelas há a geometria do mundo
o homem busca os tons da parábola
e a mulher não ignora esse destino?
De nádegas o que o homem aprende
é estar nelas onde elas sabem
jungi-lo no que são:
amuleto nos olhos
liturgia das mãos
ou estar-lhes em cima.
O poeta maior de Moçambique, José Craveirinha, nasceu em Lourenço Marques, morreu em Maputo, faz hoje 4 anos.

1. Neste regresso a Moçambique decidi não trazer máquina fotográfica. Por isso, serão poucas as fotos e as que aqui colocar terão outro dono que não eu. Esta é do Miguel.
2. O fim de semana no kayakweru

