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Sobre a velhice* que nos últimos dias tem dado conversa a propósito de dois livros de Philip Roth, O Animal Moribundo e Todo-O-Mundo.

Sobre gatos* (presentes e solidão) que nos últimos dias também têm dado que pensar.

Sobre este filme com o Nicolas Cage a Jessica Biel.

Sobre tudo isto, escrever que sete vidas facilitam, mas não são a solução. É preciso ter sorte.

Há sempre uma altura em que é tarde de mais.

*

Apostei forte (porque gostei, não só porque gostei, mas acima de tudo porque gostei e porque deixei de gostar de oferecer livros que nem sequer li) porque comecei a sentir a que nesta competição já levava demasiados livros de avanço. Não que me importe (…) de perder para ti, mas repara que eu não só gostei de todos os que me sugeriste como fiz questão de reencaminhar alguns do que continuam perdidos nos arquivos.
– Vais gostar.
Ainda bem que gostaste. “Envelheceremos juntos.

Bill Bryson por aqui e por ali O livro é “por aqui e por ali“, assim, a bold (ou negrito, como preferirem), como está na capa, mas poderia ser outro qualquer. Para escrever verdade, talvez seja abusivo dizer que poderia ser qualquer outro, ou outro qualquer, sendo este o terceiro livro dele que tenho nas mãos, mas, ainda assim, arrisco: poderia ser outro qualquer. Sorte tenho de não me cruzar mais vezes com os seus livros nas montras das livrarias por onde passo (sim, normalmente não entro).

Os livros de Bill Bryson, todos os dois que li e o terceiro que comprei hoje e estou quase a terminar, são fartar da rir (assim mesmo). E há quem diga que eu nem li os melhores. Interessa pouco, se forem os piores são muito bons e, depois do Philip Roth, são a leitura ideal.

Ah, e segundo parece, ouvi dizer, são histórias verídicas…

Encontrei Katz no restaurante, ele também parecia laudavelmente confiante. Isto, porque tinha feito uma amiga – uma empregada de mesa chamada Rayette, que estava a servi-lo de um modo claramente galanteador. (…)
– Oh, eu gosto de um homem que aprecie panquecas – Rayette murmurou.
(…)
Ela afastou-se para atender um cliente distante enquanto Katz a observou com um certo orgulho paternal.
– Ela é bastante feia, não é? – perguntou com um largo e incongruente sorriso.
Procurei ser diplomático.
– Bem, só quando comparada com outras mulheres.

De tudo o que não li há muito que me faz sentir estúpido. Grande parte do que leio também me faz sentir estúpido, mas, ainda assim, sinto-me mais estúpido com o que não leio. Urgência em comprar o último de Philip Roth, que desconhecia já estar na rua, e dois ou três livros de Kapuscinski. A bem da estupidez.

Há uns dias descobri que era preciso bem mais do que um cavalo e uma praia para que me pudesse armar cavaleiro. Ensinou-me, a montada, que antes de mais precisaria de me aguentar em cima dela. Naquele momento pouca diferença fez. Mais cavalo, menos cavalo, mais praia, menos praia, falta tudo quando até a Dulcineia fica em casa. O melhor é regressar. A pé.

Hoje, finalmente, rendi-me à evidência e entreguei-me aos livros, ao livro, a um, ao do mais bravo dos cavaleiros, mas começo a duvidar que seja essa a solução. Os livros, os livros…

Vossa senhoria, por favor, mande-os queimar também – gritou a sobrinha – porque, quando o meu tio estiver curado do mal de cavalaria, pode ler estes livros e sair por aí, feito pastor, errando pelos bosques e pelos campos, a cantar e a tocar flauta, ou pior ainda, tornar-se poeta, que é doença incurável e contagiosa, segundo dizem.
Dom Quixote
Miguel Cervantes

Jardim dos Namorados Jardim dos Namorados

No meio dos vários livros, todos com um intenso cheiro a mofo, que existem no quarto que estou a ocupar, encontrei “A Casa da Rússia”, de John le Carré, que comecei a ler. Na verdade, parei na primeira página.

Temos de pensar como heróis para nos comportarmos como seres minimamente decentes. (May Sarton)

O Jardim dos Namorados ajuda a arejar, não só o livro. Quem será que começou com a mania da citação no início dos livros? Herói? A grande humanidade do herói está no anti-herói, mas, esquecem-se. May Sarton, aqui não há heróis, só super-guerreiros. O herói ganha as batalhas, mas o super-guerreiro é que comanda. Fazem o mesmo caminho, mas em cavalos diferentes, e a batalha, qualquer que ela seja, faz-se com cavalos. Resta saber quem, montado no seu cavalo alado branco, chega ao castelo, escapa do dragão, salva a princesa. Herói ou Super-Guerreiro?

Qualquer que seja o livro da minha vida, a citação será a de Ávaro de Campos.

vou atirar uma bomba ao destino

Faz sentido, Carolina?

Memória das minhas putas tristes - Gabriel Garcia MarquezTrouxe três livros na bagagem. Dois romances e um livro de consulta. Ontem terminei “The Life Of Pi”, edição inglesa, emprestado pela Ana Rita, hoje terminei o romance do Gabriel García Marquez. O próximo será o segundo romance que trouxe e que está emprestado à Ana Rita. Depois vou às compras.

Olhou-me nos olhos, avaliou a minha reacção ao que acabara de me contar, e disse-me: Portanto, vai procurar agora mesmo essa pobre garota, mesmo que seja verdade o que te dizem os ciúmes, seja como for, que o que já viveu não te tira nada. Mas atenção. Sem romantismos de avô. Acorda-a, fode-a até pelas orelhas com esse pau de burro com que te premiou o diabo pela tua cobardia e a tua mesquinhez. A sério, terminou com a alma: não vais morrer sem provar a maravilha de foder com amor.
Memória das minhas putas tristes
Gabriel García Marquez
[noutros blogues]

O rascunho mais antigo, “conversa de almoço” data de 23 de Dezembro de 2005. O mais recente é de hoje, a propósito deste concerto. Entre os dois ficam as palavras que escolhi diferir, as que nunca verão a luz do dia e outras que nunca cheguei a escrever. Não contam. O que deixamos de escrever nunca ficará para a história. O mesmo não acontece com o que deixamos de viver, mas, aí, a história é outra.

Your Drafts: burning spear, Joana, rita e teresinha, inato, Alemão, mudar o mundo, cabeça de cartaz, Dúvida .31, cor, Drafts, é muito mais fácil dizer ex-namorada do que ex-mulher, Cartas de Amor, Cartas de Amor .2, Porque há sempre alguém que pergunta…, Um bom vinho nunca fará esquecer um mau beijo. , , consultorio de crianças, livros nossos, amigos, morte, complexo de édipo, Dúvida .28, “Ela não é uma gaja qualquer”, Casamento 2, outros caminhos, Planos adiados, amizades, Planos adiados, Compra partilhada, Spiderman, segunda opinião, Polónia, Paris, vinhos, mito relacoes, sevandija, viagens, sem história (poema – não colocar online), political description, sabe como as colegas são, Five Minutes Of Everything, lembras-te?, verdade .3, verdade .2, verdade, ondas sonoras .1 the doors, ondas sonoras .1 elvis, um post sobre nada [ou outra coisa totalmente diferente]*, politica, ondas sonoras .2 bob dylan, SMS, poema, Conversa de almoço .

Resumo esta carta em dois pedidos sinceros. Não odeie o futebol só porque o Figo tem mais audiências que o senhor e nem sequer completou o 12º ano. Deteste o jogo, não veja os jogos, diga que não gosta, mas saiba apreciar o fenómeno, não o odeie.

Segundo, mude de profissão. Adeus Pachecolândia, vá escrever livros para a Sibéria e deixe-nos em paz pois às 4ªs feiras é dia de Liga dos Campeões.

no Branco no Preto

Melhor é ler tudo…

Laura Kõrgemäe

Uma pesquisa rápida é suficiente para perceber que Kim terá turtuosos desafios pela frente. A estónia não é um país fácil.

Não serão estas as coordenadas exactas, mas são, mesmo assim, um ponto de partida. Diria… um bom ponto de partida.

São várias as razões que me levam a pensar que nunca serei escritor. A primeira razão, mas talvez a menos importante nestas coisas de lançar um livro para o mercado, é a minha escrita se situar na fronteira entre o medíocre e o sofrivel. A segunda razão, e esta sim, fundamental, prende-se com o facto de eu começar os livros pelo fim e acabá-los sem chegar ao início. É como se não chegassem a ver a luz do dia. E não chegam. Mote, enredo e um título é quanto baste para o meu projecto de livro ter início, meio e fim.

O meu primeiro livro surgiu depois de ter assistido ao suícidio de alguém. Mote dado. A diferença entre “assistir ao suicídio” e “assistir o suicídio” pode parecer de gigante, mas, no momento, esbate-se à velocidade a que a vida se esvai. Assistimos. Mais nada. Neste romance, a personagem principal, Tiago, 100% fictícia, fica obcecado pela vida de quem se matou. Depois desse encontro furtuito no tabuleiro da ponte 25 de Abril a aventura segue para o funeral do sujeito, do indivíduo, do suicida. A partir daí desenrola-se a trama e o drama dos outros. Porque, na vida, o drama é sempre dos outros. Porque, na realidade, o drama é sempre nosso. O título: à procura de nada.

George Steiner,

Gostaria de ser recordado – por pouco que perdure nas memórias – como um mestre de leitura, como alguém que passou a vida a ler com os outros.

Depois de ler a Ideia de Europa comprei, este sábado, as quatro entrevistas que deu a Ramin Jahanbegloo. É difícil resistir-lhe.

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