sem esperança
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Património, de Philip Roth, não é um livro que se leia com gosto. Felizmente, digo eu, não é o primeiro. Em todos os livros, Philip Roth consegue fazer acreditar que é possível que assim seja, assim como ele escreveu, com dor, com desespero e angústia, com medo. A desgraça humana, o farrapo que somos, a verdade, acreditamos, está lá toda. O fim dos dias. O fim dos nossos dias. Este livro, contudo, tem a particularidade de falar verdade. Há pouco espaço para a ficção. A história é a do pai, dos seus últimos dias, por muitos ainda venham a ser, contada a partir do momento em que lhe é diagnosticado a doença que não tinha. A história do princípio do fim, ficamos a saber na primeira frase. Se com os outros livros acreditamos na verdade, ainda que com algum espaço para a dúvida, com algum espaço para a fé, com este nem nos damos ao trabalho. Não há esperança. Para ninguém.