Vi-me forçado a interromper a leitura de Leonard Cohen para arrumar com o “Ensaio sobre a Cegueira”. O filme abre, amanhã, o Festival de Cannes. Sobre o livro, não destrói nada de significativo, mas gostei. Talvez tanto quanto gostei de “Todos os Nomes”. Talvez. A esta distância, já é difícil lembrar-me de que o li. Passa por aqui a minha cegueira.
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Património, de Philip Roth, não é um livro que se leia com gosto. Felizmente, digo eu, não é o primeiro. Em todos os livros, Philip Roth consegue fazer acreditar que é possível que assim seja, assim como ele escreveu, com dor, com desespero e angústia, com medo. A desgraça humana, o farrapo que somos, a verdade, acreditamos, está lá toda. O fim dos dias. O fim dos nossos dias. Este livro, contudo, tem a particularidade de falar verdade. Há pouco espaço para a ficção. A história é a do pai, dos seus últimos dias, por muitos ainda venham a ser, contada a partir do momento em que lhe é diagnosticado a doença que não tinha. A história do princípio do fim, ficamos a saber na primeira frase. Se com os outros livros acreditamos na verdade, ainda que com algum espaço para a dúvida, com algum espaço para a fé, com este nem nos damos ao trabalho. Não há esperança. Para ninguém.
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Já comprei o último livro de Philip Roth lançado em Portugal.
Património é mais uma dor que se alastra e permanece. Dizem, e aí tenho de ficar pelo que me dizem, que um escritor escreve sobre o que é e que a ficção nunca é senão parte da nossa realidade. Em Património, Philip Roth não tem de ficcionar uma história verdadeira de tal forma a que ela deixe de o ser para continuar a ser. A história é simples e é sua. Um familiar. Cancro. E todos nós, algures no tempo.
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Falar da vida que acaba, de relações, falar de acabar bem, como se não fosse possível. Se não me falha a memória* o filme “The Break-Up” é um mau filme que acaba bem. Cada um vai para seu lado. A vida tem finais felizes. Felicidade que não é forçada.
“As Velas Ardem Até ao Fim” termina como tem de terminar. A vida é assim.
* das expressões de que gosto
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Há coisa de um* mês, já não me recordo que a propósito, disse-me que todos os dias encontra pessoas melhores do que eu. Pensei que faz sentido, somos amigos, fomos namorados, mas sem saber onde o encontrar, se em mim, se nela, se na realidade daquele presente. Sándor Márai escreveu que “um acto ainda não é equivalente à verdade”. Também faz sentido. Só é preciso descobrir como.
* das expressões de que gosto
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De acontecimentos que se verificavam simultaneamente, mas sem que houvesse entre eles qualquer relação de causalidade, dizia-se que aconteciam por obra do acaso.
A Profecia Celestina
James Redfield
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O primeiro livro da literatura europeia.
“Canta, ó Deusa, a cólera de Aquiles (…)“
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Há pessoas que se recordam e outras que se sonham. Para mim, Núria Monfort tinha a consistência e a credibilidade de uma miragem: não questionamos a sua veracidade, seguimo-la simplesmente até que se desvanece ou nos destrói. (…)
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Ambos perguntavam a si mesmos se teriam sido as cartas que a vida lhes tinha dado, ou se teria sido a maneira como as haviam jogado.
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“Em criança aprendi a conciliar o sono enquanto explicava à minha mãe, na penumbra do meu quarto, as incidências da jornada, as minhas andanças no colégio, o que tinha aprendido nesse dia.”
Eu também me lembro de estar a chegar da escola primária e explicar à minha mãe o que tinha aprendido nesse dia. Inevitavelmente, a partir de determinada altura, deixei de explicar. Preocupa-me que, a partir de determinada altura, eu, como parece acontecer com alguns, possa deixar de aprender.
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O livro de Bill Bryson é óptimo para um ignorante, embora curioso por assuntos da ciência.
Nos últimos tempos só as conversas do astrónomo Máximo Ferreira na Antena 1 me entusiasmavam. Depois de ter lido Hubert Reeves e o eterno Carl Sagan esta é, sem dúvida, “uma viagem pela ciência, divertida, prática e muito bem documentada”.
Comecei hoje.
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