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Do dia seguinte não nos recordamos. Mudámos de linha antes de apanhar o comboio e deixámo-lo partir. Hoje é outro dia. O dia seguinte foi ontem.

Renovei o visto, mais 30 dias, e passei o fim de semana no Bilene. Nas palavras de um amigo da Inhaca: tou bem nada mal.

02 Bilene (149)

02 Bilene (449)

02 Bilene (443)

(As fotos não são recentes, mas servem para ilustrar. As do fim de semana, se vierem, chegam mais tarde.)

estamos desde manhã na África do Sul, já passámos duas vezes a fronteira, mas ainda não conseguimos entrar em Moçambique. Havemos de passar. Para já, num cibercafé em Nelspruit, trabalhamos.

Amanhã (hoje) vou à fronteira. Obrigação de quem não tem autorização de residência. É importante a escolha da fronteira, mas as opiniões dividem-se. Ressano Garcia, sempre grande confusão, passa tudo, mas, há sempre alguém que diz, nem sempre. Houve uma vez, a alguém que tinha quatro entradas consecutivas, que só deram visto de 15 dias. Eu preciso de 24 dias e não tenho quatro entradas. Desde a minha primeira vinda a Moçambique, em 2005, acumulei tantos selos e carimbos no passaporte que quase ocupam as 24 páginas. Nas fronteiras com a Swazilândia, no ano passado, já me torceram o nariz. Vamos ver agora e quando, dia 2 de Março, quiser lá voltar armado em turista com os viajantes.

Não foi difícil, mas a confirmação só chega amanhã. A escolha deixa de ser um problema quando é entre “mais um dia sem comer” e “uma oportunidade única”. A fome aperta, tanto quanto é possível, e não há comida pelo caminho, mas há-de haver amanhã, ou depois. E a escolha torna-se demasiado fácil.

Ter começado a ler sobre NLP tornou este post excessivamente longo.

tudo doente!

Companheiro de todas as horas, desde que regressei a Maputo, tem levado esta vida muito a sério. Vivemos juntos, só com uma chave, já ligámos para o Dubai, já tivemos dates, uns blind outros não e quase destruímos as nossas hipóteses de voltar a cantar no Gil Vicente. Os pormenores de tudo, como sempre, ficam para quem lá esteve. Aqui fica o elogio do companheiro de todas as horas; e as minhas, nesta terra, são cada vez menos.

The_Girl_Next_Door
The Girl Next Door

Filmes, não precisa de ser no cinema, onde quer que seja, há sempre espaço para um, mas não pode ser qualquer um. A história de amor tem de lá estar e, de preferência, bem central, para não acabarmos sentados em casa, cerveja na mão, nós e os gatos, quem tiver, a ver e ouvir o Rocky a gritar “Adriaaaaaaaaaaaaaaannnn…” como se fosse a única mulher do mundo. É sempre a única, esse é um dos problemas. É uma bonita história de amor que quase nos leva ao tapete. E esse é outro dos problemas. No dia dos namorados, ninguém quer ir ao tapete. Uma história simples, como esta. Ajuda sempre. O problema das histórias simples, ou desta em particular, é fazer-nos acreditar que é possível. Viajar de Alfa Pendular nunca mais será o mesmo.
Há um filme excelente para alimentar a frustração. Na verdade, este também nos faz acreditar que é possível, mas só daqui a uns anos, quando já é tarde demais. Aliás, já é tarde demais. Não vale a pena. A minha sugestão para filme do dia dos namorados é “The Girl Next Door“. Uma história tão improvável quanto possível. É rebuscada, muito impossível de nos acontecer (a história), mas é linda (já não me estou a referir à história) e uma mulher linda nunca é impossível, faz-nos rir e no fim pensamos: foi giro. Só isso! Foi giro! O filme ideal.

The_Girl_Next_Door

Na minha terra, como na vida, a Rua da Esperança é sempre a subir.

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