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  • Em todo o caso

    Remancha, poeta,
    Remancha e desmancha
    O teu belo plano
    De escrever p’la certa.

    Não há «p’la certa», poeta!

    Mas em todo o acaso acerta
    Nem que seja a um verso por ano…

    No reino da Dinamarca
    Alexandre O’Neill

  • A Sombra do Vento

    Há pessoas que se recordam e outras que se sonham. Para mim, Núria Monfort tinha a consistência e a credibilidade de uma miragem: não questionamos a sua veracidade, seguimo-la simplesmente até que se desvanece ou nos destrói.
    (…)

    Ambos perguntavam a si mesmos se teriam sido as cartas que a vida lhes tinha dado, ou se teria sido a maneira como as haviam jogado.

  • Tabacaria

    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
    (…)
    Álvaro de Campos

  • És…

    És o encontro na estrada, és a montanha e o pôr do sol
    O vinho bebido em festa, és a papoila e o rouxinol
    És a minha maçã de Junho e a minha estrela polar
    Sem ti eu não tenho norte, sem ti eu não sei amar
    Sem ti eu não tenho norte, sem ti eu não sei amar

    Jorge Palma
    Maçã de Junho (Paris, 78)

  • Maldição

    Em cada gota que passa por mim
    E se desfaz junto ao chão
    Sinto-nos mais perto do fim
    E um aperto no coração.

    E passo o dia num frenesim
    Sempre a pensar que se não
    As deixar cair assim
    Me livrarei desta maldição.