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A propósito de uma conversa escrevi isto e ficou combinado que o Gonçalo me emprestaria um determinado livro para aprofundar a matéria dada. Uns dias depois, após uma conversa com a Ana, escrevi sobre acasos e coincidências. Em nenhuma altura durante a conversa com o Gonçalo se falou de acasos ou coincidências, mas, quando me deixou o livro na secretária, deixou também uma dedicatória. Entre outras palavras, escreveu:
Espero que represente para ti a “coincidência” que representou para mim

Leu o meu post, pensei. Ontem comecei a ler o livro. Percebi que a dedicatória não vinha a propósito do que tinha escrito, mas do que estava a ler.

Coincidências lixadas.

Natal .5

Amanhã saberei em que regaço
as palavras se dispôem a dormir.

Rente à Fala
Eugénio de Andrade

Natal .4

O primeiro livro da literatura europeia.

Canta, ó Deusa, a cólera de Aquiles (…)

Natal .3

O meu Natal tem vindo a mudar. Nos últimos anos o meu espírito natalício entra em ebulição na noite de 25 depois de um copo de ponche, com vários amigos, seguido de uma visita ao casino.

Já é incontornável.

Natal .2

Para celebrar o espírito natalício a TVI vai passar, ao final do dia, o filme que celebra o amor incondicional entre pai e filha, Comando

Natal

O Natal não me passa ao lado. Gosto do dia, do dia da noite de hoje, de Natal. O meu Natal mudou muito, mas continua a ser um dia, uma noite, especial. Sei porquê.

Boas festas.

(…)

importante não esquecer que, algo que não pode ser ensinado pode, ainda assim, ser aprendido

Traz-me silêncios
que não me deixem dormir
e cheiros que não me
permitam distinguir
onde começas ou acabas

Não te quero ver o fim

Dá-me a paz
de uma guerra anunciada
Armas que não me
matem
Dá-me tudo

Dás-me o teu corpo
nu
Nada
Dá-me um abraço
Um cheiro que não me diga
se sou eu
se és tu

Justiça

O almoço de ontem foi a fazer o balanço do ano e, como costuma ser, os pratos penderam para um dos lados.

Felizmente. A vida não é para ser justa nem equilibrada. Há que lhe tirar a venda dos olhos.

Nunca sangrei uma lágrima a ver um filme.

Ontem, recordei-me desse facto, tão perto que lá estive. Resisti estoicamente e fui-me deitar. Nestas altura o melhor é fingir que nada aconteceu e que nem esteve para acontecer. Agora, que escrevo acerca de acasos e coincidências, voltei a lembrar-me disso mesmo. Não das lágrimas, que não interessam muito ao tema, mas do filme. O companheiro amigo palhaço, actor principal de uma história de amor, num momento em que o filme atinge um clímax, atira uma pérola ao ar: “When I think of why I make pictures, the reason that I can come up with just seems that I’ve been making my way here. It seems right now that all I’ve ever done in my life is making my way here to you.”

(dois minutos para respirar e voltar a ler a frase)

Estava a brincar em relação ao clímax do filme. Esta foi a parte cómica. Não chorei e só não me ri por um mero acaso, mais um. Palhaçadas destas também eu consigo dizer assim de repente, pensei, sem sequer precisar de trabalhar muito nisso. E digo. Depois rio-me e ela também se ri, diz que gosta da minha poesia barata, ou qualquer coisa do género que não me dignifique muito, e eu insisto com um “verdaaaaadee…. és o meu destino” enquanto lhe roubo mais um beijo.

(isto de ‘roubar um beijo’ foi só para quem duvidava que eu conseguisse dizer ou escrever parolices…)

Nem o homem nem a mulher podem ser insensíveis a palhaçadas lamechas com estilo. A mim falta-me o estilo, mas não sou insensível. Rio-me sempre.

Os acasos e coincidências existem e, permitam-me o desabafo, ainda bem. Não tenho qualquer dúvida que encontrei as pessoas mais interessantes que conheço por um mero acaso. E, permitam-me mais uma vez, também já tive as mais felizes coincidências, mas, independentemente da nossa vida ser fruto do acaso, que é, seja tolo quem julga poder controlar o seu destino. Seja! E só o apaixonado se lembra de atribuir especial valor ao acaso e de agradecer ao destino ter encontrado o seu sonho de vida. O destino não se agradece, vive-se. E acontece. O destino acontece. O sonho, esse grande patife, é um mito.

Seja!

Eu, pelo que me toca, fico satisfeito por nunca ter chorado num filme. Todas as lágrimas são preciosas quando se chora o amor de uma vida. Mesmo aquele que nos atinge por acaso.

Ana: não me consigo abstrair… parecem encomendadas pra meu estado de espírito!!! Que coisas estranha!!! :|
Ana: à 1ª leitura fico triste mas depois repenso os meus pensamentos e sem querer dizes exactamente o que eu preciso de ouvir pra mudar esse estado de espírito

Tiago: se parecem encomendadas…
Tiago: podem ser
Tiago: estou a aceitar pedidos para posts
Tiago: se quiseres
Tiago: podes dar-me o mote
Tiago: que eu escrevo :D

Ana: como eu n acredito em acasos nem em coincidências começo a entender pq (…)
Ana: este é um bom: acasos e coincidências ;)

(então diga lá a frase…)

Terapia

Estou a precisar de ver uns filmes de guerra, com tiros e acção, para homens de barba rija.
Na falta de tempo para ir ao cinema agarro-me ao meu melhor amigo da mesa de cabeceira.

E, naturalmente, a operação foi um sucesso, mas não para a Noémi que morreu. Como não havia lugar para pôr o corpo avisaram logo os pais para que eles a levassem imediatamente para casa. Estava já embrulhada num lençol porque é penoso constatar o resultado do trabalho que uma fractura do crânio requer. Mas entregaram-lhes os cabelos. Foi necessário cortá-los porque eram muito compridos.

A Estrada Deserta
Boris vian

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