Feed on
Posts
Comments

Lichias


Gosto muito lichias.

Se fosse Cole Porter talvez dissesse que gosto muito de lichias. talvez dissesse…

de… lichias…!!

um 31

A noite de 31 de Dezembro não é, para mim, uma noite como outra qualquer. 31 de Dezembro é noite, dia, de festa. A 31 de Dezembro como passas, faço desejos como se, em cada um, enfiasse uma estrela cadente pelas goelas abaixo (toda a gente sabe que desejos é com estrelas cadentes, não com passas), bebo espumante barato em copos de água e acordo no dia seguinte pronto para outra. É um dia, noite, de festa, só isso. No dia 1 de Dezembro sou o mesmo. Não deixei de fumar, fi-lo num qualquer outro dia de outubro. Não comecei uma dieta, fica sempre para depois. Não mudei, não na noite de 31 de Dezembro.

Recuso-me a esperar por 31 de Dezembro para poder mudar e acordar um homem novo.

Recuso-me a esperar.

Jorge Palma
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Jorge Palma

Há uns anos, naquela altura em que ainda não podemos votar, mas em que já sabemos que a história da cegonha não é bem como nos contaram, juntei-me ao Gonçalo e ao Miguel para formarmos um clube. O nome não vem muito a propósito pela simples razão que, hoje, me parece um bocado redutor dos seus grandiosos propósitos. O grande objectivo inicial era não fazermos nada e passarmos uma tarde no café na conversa, com estilo. Rapidamente metemos o estilo na gaveta e surgiu a ideia de escrevermos um poema, durante a semana, que depois seria lido ao café na sexta-feira, à tarde. Leitura, discussão, gozação.

O Miguel era o pseudo intelectual. Na altura lia mec.
Eu era o pseudo apaixonado. Rimava amor com calor e paixão com melão.
O Gonçalo era o pseudo cómico. É fã do Tom Cruise e só isso dá vontade de rir.

Passámos umas semanas a brincar aos poetas até que a miss carmen também se quis aventurar nestas lides. Numa noite imprópria para consumo a Carmen leu-nos o seu primeiro poema. Momento solene. Já só recordo a pujança do poema. Discussão, gozação e mandámos a carmen ir crescer para o quarto. Foi a última vez dela.

Nós também fomos crescer. O Miguel deixou de ler mec, eu deixei de rimar e o gonçalo deixou de ver o Cocktail. Nesse dia, deixámos de escrever poesia. Continuámos a ir ao café, de vez em quando, ler poemas, cuidadosamente seleccionados, de Bocage.

Amar dentro do peito…

Amar dentro do peito uma donzela;
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janela:

Fazê-la vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:

Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:

Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo

Manuel Maria Barbosa du Bocage

guerra e paz

Dois dos livros que recebi ,nos últimos dias, foram de guerra.

A Ilíada, de Homero, e as Cartas, de António Lobo Antunes à sua jóia querida.

se pudesse

escolhia outro dia
escolhia-te noutro dia

todos os dias

Pontes .1

The Bridges of Madison County

Francesca: Robert, please. You don’t understand, no-one does. When a woman makes the choice to marry, to have children; in one way her life begins but in another way it stops. You build a life of details. You become a mother, a wife and you stop and stay steady so that your children can move. And when they leave they take your life of details with them. And then you’re expected move again only you don’t remember what moves you because no-one has asked in so long. Not even yourself. You never in your life think that love like this can happen to you.

Robert Kincaid: But now that you have it…

Francesca: I want to keep it forever. I want to love you the way I do now the rest of my life. Don’t you understand… we’ll lose it if we leave. I can’t make an entire life disappear to start a new one. All I can do is try to hold onto to both. Help me. Help me not lose loving you.

Prometo

As promessas têm de existir. Não interessa a forma. Resume-se a ti. Não te esqueças.

Esta história não se repete.

Pontes .2

The Bridges of Madison County

Robert Kincaid: I’ll only say this once. I’ve never said it before. This kind of certainty comes but once in a lifetime.

(continua…
ainda há pontes que não nos atrevemos a passar.
devíamos.)

Pontes .3

The Bridges of Madison County

There is a pleasure in the pathless woods

There is a pleasure in the pathless woods,
There is a rapture on the lonely shore,
There is society, where none intrudes,
By the deep sea, and music in its roar:
I love not man the less, but Nature more,
From these our interviews, in which I steal
From all I may be, or have been before,
To mingle with the Universe, and feel
What I can ne’er express, yet cannot all conceal.

Lord Byron

(de trás para a frente… começa no .3
há pontes que não nos atrevemos a passar.
devíamos.)

Esquecer uma mulher inteligente custa um número incalculável de mulheres estúpidas (António Lobo Antunes)

Acabaram-se os acasos e coincidências. A verdade é esta. Dói, mas é verdade. E nem vale a pena tentar contrariar. É verdade. Como de tudo o que me resta, deixei-me disso. Não vale a pena esquecer.

De acontecimentos que se verificavam simultaneamente, mas sem que houvesse entre eles qualquer relação de causalidade, dizia-se que aconteciam por obra do acaso.

A Profecia Celestina
James Redfield

« Newer Posts - Older Posts »