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Arquivos da categoria 'Arrecadação'

filme…

Enquanto não
passem pelo blogue do Miguel
filme educativo

Pequena Viagem (11064)

para o Natal… chinelos de praia, óculos e casaco.
Telemóvel não é preciso.

Eu e o meu irmão mais novo, e único, somos muito unidos. Aos seis anos já ninguém se tentava matar e já eu tinha deixado de reprovar a minha mãe por cada vez que dizia que nos dávamos muito bem. Sempre o protegi e sempre fomos muito unidos. A partir de determinada altura ficou com idade suficiente para também ele olhar por mim. Acho que começou na nossa primeira saída à noite, deveria ele ter os seus dez anos. Até hoje. (Não é importante, mas a minha primeira saída à noite deve ter sido até às sete da noite. Pouco mudou entretanto. Passei a sair até às sete da manhã.) Tenho a certeza que se ele estivesse por cá eu não teria deixado os chinelos na praia, teria tirado os óculos antes de mergulhar, não teria deixado o casaco na esplanada e ainda teria o telemóvel a funcionar… o segundo.

Quatro (1,2,3,4) posts depois eis-me na posse do documento que me permitirá ir passar uns dias à terra. Para trás ficaram outros tantos posts que não consegui escrever tal foi o ridículo a que a situação chegou. Só rir. Ontem comecei a ficar preocupado e hoje o assunto ficou resolvido. O sistema funciona. É lento, muito, demasiado, mas… vai funcionando. Venha o champanhe.
Dia 15 chego a Lisboa, mas, infelizmente, já sem qualquer ilusão. pensas q vens de ferias para PT é?
De facto, não pensava, mas desejava.
Talvez ainda vá a tempo de devolver o passaporte aos serviços da migração.

Moçambique, Maputo: Achar de Cenoura
tremoços, caju torrado e este achar de cenoura dos frangos da feira

Eu tenho tão poucos amigos, mas há um que é irmão.
Bem sei que é obsceno usurpar desta forma as frases de outrem, mas pouco mais há a fazer perante tão escandalosa evidência.

Amanhã o meu irmão estará em Maputo, viagem que fez de Lisboa, para três meses em África: Namibia, Zambia, Botswana, Zimbabwe, Moçambique, Quenia, Tanzania e África do Sul. Paragem rápida, para picar o bilhete, que o tempo, sabemo-lo bem, é sempre escasso. A viagem também passa por aqui.

– Am I pretty?
– I’m madly in love with you and it’s not because of your brains or your personality.

(Descontextualizei, adulterei, mas, Bruno, não foi por mal. Nem vi o filme…)

– Gosto de ti
– Muito ou pouco
– Muito
– Muito muito ou muito pouco

Afugentados que estão 99% dos leitores do blogue, amanhã deverei ir buscar dois frascos de achar de cenoura que me estão prometidos a troco de 30 meticais. A minha fornecedora de piri-piri do mercado central quer fazer negócio e, não tendo à venda na banca, disse que iria fazer aquilo que eu queria, como eu queria. Perante essa impossibilidade, acedi no achar.

– Quer picante?
– Sim, claro.
– Muito ou pouco
– hmmm… pode ser muito
– Muito muito ou muito pouco

Se calhar é melhor fazer os dois, pensei. Arrumamos logo com o assunto. Um muito picante e outro menos picante. Ainda assim, temo que a diferença entre eles não possa ser por mim compreendida. Perguntasse-me se preferia levar um tiro na cabeça ou no coração e teria a mesma dúvida.

– Nos dois. Arrumamos logo com o assunto.

Sinal de STOP em Pomene, Moçambique
Parar enquanto a procissão não passa
*António Lopes Ribeiro

Até já.

Verte desnuda es recordar la tierra.
La tierra lisa, limpia de caballos.
La tierra sin un junto, forma pura
cerrada al porvenir: confín de plata.
Vederti nuda è rievocare la terra.
La terra piana e priva di cavalli.
La terra senza un giunco, forma pura
chiusa al futuro: confine d’argento.

Casida de La Mujer Tendida
Federico García Lorca

Enquanto calço os ténis descubro “Six Great Sherlock Holmes Stories” ao lado da “Poesie Erotiche” de Federico García Lorca.

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