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Arquivos da categoria 'Arrecadação'

Hoje na TSF falou-se da The Million Dollar Homepage.

Tem blogue. E tem um milhão de dólares. A história é simples.

Sempre

Nos blogues de sempre adicionei o do Júlio Machado Vaz, o Murcon.

Leio os posts. Oiço a música.

ainda

Podia dizer que me ofereceram uma fotografia, mas não foi isso que aconteceu.

Fotografias é o que tiro com a máquina digital. Neste momento mais de 30.000. Um abuso. Um desperdício. Não se perde nada? Talvez se perca o sentido da realidade. Realidade?

Não me ofereceram uma fotografia. Trago comigo uma história de amor.

O primeiro texto que me lembro de ter lido.

Neste momento, o princípio da história, da minha.

Lichias


Gosto muito lichias.

Se fosse Cole Porter talvez dissesse que gosto muito de lichias. talvez dissesse…

de… lichias…!!

um 31

A noite de 31 de Dezembro não é, para mim, uma noite como outra qualquer. 31 de Dezembro é noite, dia, de festa. A 31 de Dezembro como passas, faço desejos como se, em cada um, enfiasse uma estrela cadente pelas goelas abaixo (toda a gente sabe que desejos é com estrelas cadentes, não com passas), bebo espumante barato em copos de água e acordo no dia seguinte pronto para outra. É um dia, noite, de festa, só isso. No dia 1 de Dezembro sou o mesmo. Não deixei de fumar, fi-lo num qualquer outro dia de outubro. Não comecei uma dieta, fica sempre para depois. Não mudei, não na noite de 31 de Dezembro.

Recuso-me a esperar por 31 de Dezembro para poder mudar e acordar um homem novo.

Recuso-me a esperar.

Jorge Palma
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Jorge Palma

Há uns anos, naquela altura em que ainda não podemos votar, mas em que já sabemos que a história da cegonha não é bem como nos contaram, juntei-me ao Gonçalo e ao Miguel para formarmos um clube. O nome não vem muito a propósito pela simples razão que, hoje, me parece um bocado redutor dos seus grandiosos propósitos. O grande objectivo inicial era não fazermos nada e passarmos uma tarde no café na conversa, com estilo. Rapidamente metemos o estilo na gaveta e surgiu a ideia de escrevermos um poema, durante a semana, que depois seria lido ao café na sexta-feira, à tarde. Leitura, discussão, gozação.

O Miguel era o pseudo intelectual. Na altura lia mec.
Eu era o pseudo apaixonado. Rimava amor com calor e paixão com melão.
O Gonçalo era o pseudo cómico. É fã do Tom Cruise e só isso dá vontade de rir.

Passámos umas semanas a brincar aos poetas até que a miss carmen também se quis aventurar nestas lides. Numa noite imprópria para consumo a Carmen leu-nos o seu primeiro poema. Momento solene. Já só recordo a pujança do poema. Discussão, gozação e mandámos a carmen ir crescer para o quarto. Foi a última vez dela.

Nós também fomos crescer. O Miguel deixou de ler mec, eu deixei de rimar e o gonçalo deixou de ver o Cocktail. Nesse dia, deixámos de escrever poesia. Continuámos a ir ao café, de vez em quando, ler poemas, cuidadosamente seleccionados, de Bocage.

Amar dentro do peito…

Amar dentro do peito uma donzela;
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janela:

Fazê-la vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:

Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:

Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo

Manuel Maria Barbosa du Bocage

Dois dos livros que recebi ,nos últimos dias, foram de guerra.

A Ilíada, de Homero, e as Cartas, de António Lobo Antunes à sua jóia querida.

se pudesse

escolhia outro dia
escolhia-te noutro dia

todos os dias

Prometo

As promessas têm de existir. Não interessa a forma. Resume-se a ti. Não te esqueças.

Esta história não se repete.

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