Por favor, diz-me quem és tu, de novo?
(Quem és tu, de novo? – 1997)
Por favor, diz-me quem és tu, de novo?
(Quem és tu, de novo? – 1997)
Sim, meu amor, está bem meu amor
Eu sei que tu tens razão
Dizia-te eu, às vezes, para acabar
Com a discussão…
E lá íamos vivendo,
Entre dois copos e um bom colchão,
Um futuro à nossa frente
E muito amor para mostrar a toda a gente.
Como era bem vivermos a dois
Sem nos darmos mal
(uma canção estrangeira e um filme antigo no telejornal),
E uma noite tu disseste:
Já dei p’ra ti meu… vou arrancar!
E lá fiquei eu, sózinho,
A conversar com os meus botões
E a tentar descobrir a causa
Que nos levou a tal situação…
Já achei uma ideia que é bem capaz
De ser a solução:
Acho que nós passamos muito tempo
A misturar tripas com coração
E a verdade é bem diferente.
Para haver amor, não pode haver o-briga-ção
(Obrigação – 1977)
[o bold é meu]
Um dia destes vou ser uma faca qualquer
vou dilacerar a voz da razão
Asfixiá-la, arrancá-la do seu pedestral
Vê-la estremecer dentro do meu eu
(Poema Flipão – 1975)
Eu não me afundo mais
Na vida que eu não quis
E vou tentar outro país
Já chega de ilusões
Estou farto de tradições
Que nos impedem de pensar
(Já chega de ilusões – 1975)
Anoiteceu
Acho que é tempo de pensar
Mas hoje estou tão fatigado
Outro cigarro
Outra imperial
agora já me sinto melhor
Ah, se eu pudesse arranjar o mundo
(…)
Porra, já está
Aguentei outro dia
(Monólogo de um cidadão frustrado – 1975)
Põe-me o braço no ombro
Eu preciso de alguém
Dou-me com toda a gente
E não me dou a ninguém
Frágil
Sinto-me frágil
(Bairro do Amor – 1989)
És a construção do meu poema
És a vastidão da minha voz
És a ilusão, és minha pena
(Dimensão – 1973)
Enfrenta a verdade, sorri na derrota
(…)
Destrói as muralhas que encerram as esperança
(…)
Improvisa a despedida
Que a partida não demora
Como um homem só na vida
Frente ao tempo que o devora
(Poeta – 1973)
Aqui, neste cristal
Há um mundo de certezas
E as dúvidas ficam a ver-nos passar
(Deixem voar este sonho – 1975)
Agarras-te à hora em que o tempo não passou
Mergulhas nas cores que a loucura te emprestou
E quando te vês para lá do espelho
Encontras a solidão
(com uma viagem na palma da mão – 1975)
Já que a solidão te pode atordoar
E a manhã não vai ficar
Eternamente à tua espera
Improvisa um despertar
(Giselle – 1975)
Eu sou quem sou, tenho as minhas mãos abertas
Sei onde vou, sem algemas nem profetas.
(20 anos – 1973)