Feed on
Posts
Comments

maratonas

Sempre que penso que deveria criar outro blogue, paralelo a este, volto a pensar no assunto e repito o pensamento até que a ideia se me varra da cabeça*. Não é de estranhar, por isso mesmo, que tenha chegado recentemente à conclusão de que não faz sentido criar outro blogue a propósito de maratonas, treinos e assuntos relacionados. Fica o aviso.

* também gosto desta.

Estimado, dizem eles. Já lá vamos.
Hoje, apesar de cedo, começou a época de treinos para a Meia Maratona de Lisboa. Tantos os que não acreditam ser possível que motivação não falta. Graças aos estimados amigos que me enviaram mail ontem também eu já duvido que este seja objectivo para cumprir. Mas, já aqui fiz tantas declarações de amor que ficaram por cumprir que mais uma não fará muita mossa. A mossa que fizer deixar-me-á, provavelmente, sem falar durante 10 dias. Haverá quem agradeça. Podia ser pior.

Marrocos - Volubilis-Sources de l'oum-er-Rbia
[estávamos perdidos. continuámos perdidos.]

*da série “as minhas fotos são melhores que as tuas

  • George Steiner escreveu que «o texto escrito implica, entre o autor e o respectivo leitor, a promessa de um sentido». A promessa. O sentido. Um sentido. Faz sentido e esse é o problema. Fica a promessa.
    (0) | #

Sem muitos considerandos acerca disto que é a motivação, de há tempos a esta parte* que tenho procurado reunir argumentos a favor de um corpo e mente mais sã.

Tenho um amigo que optou, de há tempos a esta parte*, por escrever no telemóvel como se sentia depois de ter perdido 18 quilos. Começa a engordar e lá vai ele reencontrar-se com a razão para não continuar por aí. É uma forma. Eu escolhi ter na parede do quarto um poster da Evangeline Lilly onde escrevi que “com mais de 80 quilos não há amor à primeira vista”. No verso, porque a verdade tem de importar, escrevi que “com menos de 80 quilos também não”.
Um dos meus grandes desafios na vida nunca foi apaixonar-me à primeira vista, acontece-me muito frequentemente, mas que se apaixonassem por mim à primeira vista. Depois da minha mãe, não creio que mais alguém se tivesse apaixonado por mim à primeira vista. Pensando melhor, depois da minha mãe é difícil recordar alguém que se tivesse apaixonado por mim.

O amor à primeira vista é um mistério. Imaginar-me no Chiado, por exemplo, e de repente a tal, uma dessas muitas por quem eu me apaixono diariamente, olhar para mim com olhos de eu ser o tal, um desses muito poucos por quem ela nunca se apaixonou anteriormente, é só o que posso fazer. Imaginar! Se houvesse algo que pudéssemos fazer para que o amor à primeira vista resultasse, mas não há. «Faça um curso de meditação Zen, inscreva-se no ginásio e lave os dentes!» Não acreditem. Se alguém vos disser isto, estão, de certeza, a vender banha da cobra e, no meu caso, para banha já me chega a minha. Para que o amor à primeira vista não me aconteça, normalmente, basta-me existir.

Resolvi este dilema com a certeza de que não queria que ninguém se apaixonasse por mim à primeira vista. Não quero. Alguém que se queira apaixonar por mim só depois de dois ou três dias, ou duas ou três tisanas (estou a cortar no café), ou dois ou três copos de sumo de laranja natural com uma pedra de gelo.
A última rapariga gira (tipo capa de revista, poster de parede, …) que conheci despediu-se de mim com um «gostei muito. havemos de repetir».
– Também gostei – retorqui -, mas logo se vê. Beijinhos.
Ainda não tinha acabado de descer as escadas algo me dizia que ando a levar demasiado a sério isto do amor à primeira vista. Acho que foi o barulho da porta a fechar. Neste momento, só posso dizer que, de há tempos a esta parte*, nunca mais falei com ela.

*Alguém disse isto no Forum TSF e eu senti que havia potencial para um post.

pisar Alento e beber Quinta do Mouro.

Há uns anos, o meu médico de família disse-me aquilo que eu já sabia: isto em termos de glóbulos vermelhos podia estar melhor, mas não está mau. Acrescentou, e isto eu não sabia, que o único problema seria com esforços prolongados, teria mais dificuldade, mas, como não era atleta de alta competição, não havia problema.
– mas posso correr uma maratona, ou não?
– (há sempre outro) mas… porque é que haveria que querer fazer isso?

Sorri. Não tinha nada mais a acrescentar.

Desde muito cedo que tenho problemas com a comida. O maior problema nem é gostar de quase tudo, mas sim, inclusivamente, comer do que não gosto. Hoje em dia, por exemplo, se entro num restaurante cuja ementa inclui arroz de cabidela, dobrada com arroz branco e cozido à portuguesa, demoro mais tempo a decidir do que a comer. Se não estiver sozinho, o processo de tomada de decisão tem de incluir quem estiver à mesa para que, dessa forma, consiga reunir todos os pratos à distância de um braço, o meu. Ter de optar por comida é pior do que… é pior do que… enfim, comida e mulheres, já sabemos, andam sempre de mão dada. A balança não equilibra para nenhum dos lados. Das duas uma, ou não como por causa da indecisão ou como tudo o que me aparece à frente. Por isso é que estou gordo que nem um (*) e os meus últimos preservativos ficaram fora de prazo. (Aposto que sabem como os preservativos duram mais do que a comida. E nem sequer precisam de estar no frigorífico.)

(*) seleccionar qualquer uma das opções do post anterior

Para efeitos de um próximo post, o google diz que se pode ser

gordo que nem um… texugo (ou techugo)
gordo que nem um… xibo (ou shibo ou chibo. há de tudo)
gordo que nem um… hipopótamo
gordo que nem um… pão caseiro
gordo que nem um… pão com chouriço
gordo que nem um… leitão
gordo que nem um… elefante
gordo que nem um… porco antes da matança
gordo que nem um… batoque
gordo que nem um… pote
gordo que nem um… bucho
gordo que nem um… cardeal
gordo que nem um… boto
gordo que nem um… boi
gordo que nem um… burro (sem ofensa pró jerico)

e cada um veste o barrete que mais lhe convier.

Nota: Apercebi-me que condicionei a busca e que (1) escaparam pérolas como gordo que nem uma rotunda, baleia, bola, lontra (…) e ainda (2) que não há gordo que nem uma sardinha. É pena. Se há animal que se quer gordo é a sardinha.

Where the wind never stops - Glacier National Park

O ser humano é capaz de se habituar a tudo. Habituamo-nos a pessoas, lugares, cheiros e, se há quem consiga comer Vegemite, estou quase certo que nos habituamos a sabores. Podemos não gostar, mas deixa de custar. É um pouco como deixar de viver para passar a sobreviver. Vai-se andando…

– Então e vão namorar?
– Acho que sim. A mãe dela adora-me!

« Newer Posts - Older Posts »