Sem muitos considerandos acerca disto que é a motivação, de há tempos a esta parte* que tenho procurado reunir argumentos a favor de um corpo e mente mais sã.
Tenho um amigo que optou, de há tempos a esta parte*, por escrever no telemóvel como se sentia depois de ter perdido 18 quilos. Começa a engordar e lá vai ele reencontrar-se com a razão para não continuar por aí. É uma forma. Eu escolhi ter na parede do quarto um poster da Evangeline Lilly onde escrevi que “com mais de 80 quilos não há amor à primeira vista”. No verso, porque a verdade tem de importar, escrevi que “com menos de 80 quilos também não”.
Um dos meus grandes desafios na vida nunca foi apaixonar-me à primeira vista, acontece-me muito frequentemente, mas que se apaixonassem por mim à primeira vista. Depois da minha mãe, não creio que mais alguém se tivesse apaixonado por mim à primeira vista. Pensando melhor, depois da minha mãe é difícil recordar alguém que se tivesse apaixonado por mim.
O amor à primeira vista é um mistério. Imaginar-me no Chiado, por exemplo, e de repente a tal, uma dessas muitas por quem eu me apaixono diariamente, olhar para mim com olhos de eu ser o tal, um desses muito poucos por quem ela nunca se apaixonou anteriormente, é só o que posso fazer. Imaginar! Se houvesse algo que pudéssemos fazer para que o amor à primeira vista resultasse, mas não há. «Faça um curso de meditação Zen, inscreva-se no ginásio e lave os dentes!» Não acreditem. Se alguém vos disser isto, estão, de certeza, a vender banha da cobra e, no meu caso, para banha já me chega a minha. Para que o amor à primeira vista não me aconteça, normalmente, basta-me existir.
Resolvi este dilema com a certeza de que não queria que ninguém se apaixonasse por mim à primeira vista. Não quero. Alguém que se queira apaixonar por mim só depois de dois ou três dias, ou duas ou três tisanas (estou a cortar no café), ou dois ou três copos de sumo de laranja natural com uma pedra de gelo.
A última rapariga gira (tipo capa de revista, poster de parede, …) que conheci despediu-se de mim com um «gostei muito. havemos de repetir».
– Também gostei – retorqui -, mas logo se vê. Beijinhos.
Ainda não tinha acabado de descer as escadas algo me dizia que ando a levar demasiado a sério isto do amor à primeira vista. Acho que foi o barulho da porta a fechar. Neste momento, só posso dizer que, de há tempos a esta parte*, nunca mais falei com ela.
*Alguém disse isto no Forum TSF e eu senti que havia potencial para um post.
Muito potencial sim senhor. De ha tempos a esta parte que ando a pensar em ir com frequencia ao ginásio… da próxima semana não passa :)