há dias assim
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Hoje há a primeira conversa à volta das palavras. Ao longo da manhã irei juntar algumas notas que possam alimentar essa fogueira. No Sesimbra também há material para ajudar a combustão e no Sesimbra e Ventos a labareda vai tão alta que já queima. À noite juntamo-nos.

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Almada tem algumas das melhores casas de petiscos que conheço. O Lagoa Azul tem as melhores amêijoas. O Guizo tem as melhores, e únicas, caracoletas no forno. O Faustino tem o melhor choco frito. O Curica tem os melhores caracóis. A Tasca do Aires tem a melhor mousse de chocolate. De cada uma delas gosto de levar o que têm de melhor. No mesmo dia, de preferência.
O blogue do Rubens da Cunha, o “Das construções e desistências”, é o Casa de Paragens.
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«Voltai-me, Senhor, os olhos, para que não vejam a vaidade.»
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Disse que os peixes têm “duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não falam”.

Doze músicos consagrados reúnem-se para formar uma orquestra de jazz e proporcionar uma vibração efusiva de energia e calor sonoro.
Um poderoso naipe de metais e secção rítmica que junta músicos de seis nacionalidades diferentes.
Editam a 24 de Abril o álbum de estreia “TORA TORA”, um registo onde o jazz se deixa contagiar por ritmos caribenhos, brasileiros e africanos.
O concerto de lançamento terá lugar no Cabaret MAXIME no dia 21 de Abril (6ª f) pelas 23h30.
A chuva acaricia a tarde. Outono recém-nascido na terra Dona Francisca. Alheio a tudo, um marimbondo constrói sua casa. Traz nas patas mínimos tijolos. Vôo a vôo, ergue sua habitação. O homem ampara-se um instante na segurança arquitetônica do inseto. Sempre vislumbrou para si uma casa construída palavra a palavra, sentimento a sentimento. Ele nunca teve o instinto da construção presente no marimbondo, mas tinha vontade, tinha perícia com os sentires, alguma imaginação e muito suor para dar. Queria tanto erguer sua casa num espaço que melhor lhe aprouvesse: podia ser sobre um ipê amarelo, próximo do mangue, embaixo da cidade, dentro de si mesmo. O homem precisava de uma casa, da mesma forma que todas as crianças precisam daquela casa sem porta e sem janela, sem teto, chão e parede. Não sabe em que lugar do tempo ele errou. Em qual momento desistiu de construir a casa desejada e começou a arquitetar estas “quatro paredes sólidas”. Esta prisão de alvenaria imaginada, preenchida pelas vontades da mulher, dos filhos, da decoradora antenada com o que há de mais moderno em decoração.Ele agora é um homem misturado entre as lembranças da infância, quando brincava de fazer caverna nos barrancos, castelos nos areais e a percepção da paciência com que o inseto faz sua moradia no caibro da varanda. Dois mundos perdidos. As casinhas da infância esvaeceram, e logo a casa do marimbondo será derrubada pelas mãos limpas da empregada. O homem sabe disso e chora. Pensa impedir, deixar uma ordem para que não desmanchem o trabalho do bicho. Só que ele destruiu um desejo, se asilou nas distâncias da posição social, das contas bancárias e carros do ano, por que então deixaria parte de sua varanda ser suja por um marimbondo construtor? Se não tem mais suas “quatro paredes mágicas” não será uma insignificância qualquer que erguerá morada frente a seus olhos.
O homem se arrepende de tal pensar. Duelam nele o mundo externo, das aparências, e o mundo interno feito de perdas, sonhos, derrotas mínimas, alegrias espaçadas, esperanças. Uma guerra diária. Ele, sempre que possível, esquece, mas tem dias em que um simples olhar, um acontecimento desimportante leva-o à exasperação. É como se ele fosse um reservatório que vez em quando transborda. Hoje, foi um ato delicado da natureza. Um inseto e sua casa de barro agrediram a vida dele, dispuseram a sua frente mais delicadezas, memórias, intensidades do que pode agüentar. Um marimbondo, numa tarde chuvosa de outono, deu ao homem a dimensão das “quatro paredes flácidas” que o sustentam. O marimbondo, que nunca desiste enquanto não concluir aquilo a que foi destinado, ensinou ao homem que ele sempre foi feito de agonia inversa: a desistência contumaz dos sonhos.
Rubens da Cunha
[Obrigado]
[Música: Chet Baker – Goodbye]
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As mulheres não gostam de parecer fáceis.
Depois de uma agradável tarde de conversa com uma amiga de uma amiga para falar de negócios, verdade seja dita, em que aos poucos começámos a falar de tudo até ao ponto em que deixámos de estar ali, sentados e com o café frio que nos esquecêramos de beber, para falar de negócios, depois dessa tarde, como estava a escrever, enviei-lhe, no pombo-correio do séx. XXI, uma mensagem.
“Gostava de passar mais tempo de qualidade contigo. Gostei de te conhecer. Jantar?”
Não respondeu. Amigas versadas no assunto dizem que “agora vai haver um concílio, no qual as amigas vao decidir a resposta a dar!!” e acrescentam que “Ela nao respondeu pq nao quer parecer facil ;)”
Eu continuo a não pôr de lado a hipótese de ela não ter respondido por a conversa não ter sido assim tão boa, por ter namorado, talvez, e muito mais para fazer do que responder aos avanços de um amigo de uma amiga de quem ela nem sequer gosta muito.
As mulheres não gostam de parecer fáceis. Reitero. Independentemente da razão pela qual ela não respondeu. As mulheres, portuguesas, não gostam de parecer fáceis. Corrijo. É como se não houvesse crime maior.
Um amigo diz que, em relação às mulheres, Portugal é o Afeganistão da Europa. Na noite, em Portugal, não se pode meter conversa com uma rapariga sem sermos olhados de soslaio e ostensivamente ignorados. Se tivermos sorte. Um bocadinho de azar e estamos rodeados dos amigos protectores da sua santa candura. E que santas que elas são.
Felizmente temos Espanha e o resto da Europa aqui tão perto. Felizmente, e dou graças por isso, o mundo é suficientemente grande para mim e para as mulheres portuguesas.
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