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A Poeira do Tempo, filme que não vi, avisa-nos que todos temos segredos. Um aviso porque esquecido. Todos temos segredos.

Aceitar a inevitabilidade do segredo é a única forma de viver. Deslocados que estamos dos padrões da sociedade, porque ninguém é o que a sociedade impõe, menos nós, algumas acções trazem-nos embaraços. Não percebem, mas aceitas e vivemos enleados na diferença. Aceitamos a sociedade em que vivemos guardando pequenos papeis que mais ninguém pode ler.

Um segredo não é algo que mais ninguém saiba. Um segredo é algo que deverias saber, mas não sabes quero que saibas. E eu?

Não me digas que não tens segredos. Não acredito.

Enguias Fritas, Enguias Grelhadas, Ensopado de Enguias – “Casa das Enguias” (Lançada – Sarilhos Grandes, Montijo)

Empada de coelho bravo acompanhada de arroz de pinhão, “A Escola” (Cachopos – St Mª Castelo, Alcácer do Sal)

Ilha de Mocambique
[Moçambique]

despedidas

A minha primeira despedida foi igual a tantas outras que depois sobrevieram.

Não estarei longe. Estaremos sempre juntos. Mudei de casa. Mudei de terra. Mudei de amigos. Há quatorze anos, com a ingénua ilusão de que é possível lutar contra a corrente, nadava na certeza de que a despedida não é um adeus. Hoje, sem ilusões, continuo a espernear, ingloriamente. A despedida é sempre um adeus. Mudamos de casa, mudamos de terra e de amigos, mudamos de vida. A despedida é um recomeço. Ainda hoje me abrigo nos amigos de há quatorze anos, mas naquele dia disse adeus a essa vida. A despedida é sempre um adeus.

E é nostálgica… Na corrente que nos afasta agarramo-nos às memórias que nos acompanham para que não nos deixem ir ao fundo, mas vamos. Nas despedidas vamos sempre ao fundo das emoções, revemos o que já esqueceramos, encontramos luz no breu, tropeçamos em cada memória. E agarramo-nos.

Hoje despedimo-nos do Cup honrando as noites memoráveis que lá passámos. Tristes ou alegres, tivemos noites muito memoráveis. Sem pingo de tristeza diremos adeus. Um adeus sem certezas.

BaudolinoUmbertoEcoera já há dez anos que Baudulino estava em Paris, tinha lido tudo o que se podia ler, aprendera grego com uma prostituta bizantina, escrevera poesias e epístolas amorosas que seriam atribuídas a outros, praticamente construíra um reino que agora ninguém conhecia melhor que ele e os seus amigos, mas não havia terminado os estudos. [Baudolino, Umberto Eco]

Maputo

Mocambique
Mais fotos, turismo, de Moçambique

Aí está, o regresso à ma-schamba. Importante para o período de estágio. Em Setembro vou, forçando um verbo que não sei como existe para além destas quatro paredes, morar para Maputo.

Até lá, ler fora de casa

Não consegui começar e acabar a minha leitura de Verão. Deste-me uma história de amor, inusitada classificação para Baudulino. Ainda assim, percebo-te, há sempre uma história de amor.

certamente a minha amada terei de rever e não tenho a ventura de nunca a ter visto, mas antes a desventura de saber quem é e como é

O Verão não acabou, bem sei, mas que será de nós sem protector solar?, O nosso Sambatyon?

o obstáculo insuperável que frustra a vontade e aguça o desejo, ou seja o Ciúme.


Anna Karina

Don’t ever promise to adore me all your life
Let’s not make promises like that
Knowing me
Knowing you

Let’s keep the feeling that this love of ours
This love of ours
Will be short and sweet

Não há lugar seguro neste mundo. Nem uma estação de comboios em Madrid. Se for para morrer hei-de estar ao pé dos meus amigos. Mas não hei-de ter a cara de um idiota útil.

aqui, A Natureza do Mal

Opiário

Tripping Out of my Space com três anos de viagens.

Não posso estar em parte alguma.
A minha Pátria é onde não estou.

Álvaro de Campos

(in)verdades

O seu estômago?, tem problemas?
Nada de mais. Sempre que dá voltas não é por nada que tenha comido.

(o médico, enquanto passa a receita)

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