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  • Felicidade .3

    Tristeza não tem fim
    Felicidade sim…

    A felicidade é como a pluma
    Que o vento vai levando pelo ar
    Voa tão leve
    Mas tem a vida breve
    Precisa que haja vento sem parar.

    A felicidade do pobre parece
    A grande ilusão do carnaval
    A gente trabalha o ano inteiro
    Por um momento de sonho
    Pra fazer a fantasia
    De rei, ou de pirata, ou jardineira
    E tudo se acabar na quarta-feira.

    Tristeza não tem fim
    Felicidade sim…

    A felicidade é como a gota
    De orvalho numa pétala de flor
    Brilha tranquila
    Depois de leve oscila
    E cai como uma lágrima de amor.

    A minha felicidade está sonhando
    Nos olhos de minha namorada
    É como esta noite
    Passando, passando
    Em busca da madrugada
    Falem baixo por favor…
    Pra que ela acorde alegre como o dia
    Oferecendo beijos de amor.

    Tristeza não tem fim
    Felicidade sim…

    Vinicius de Moraes

  • Rosa do Mundo .8

    Se estou
    sozinha na neve
    é óbvio
    que sou um relógio

    de outro modo como poderia
    a eternidade deslizar

    Inger Christensen
    Dinamarca
    Trad.: José Alberto Oliveira

  • LMC

    Não o conheço. Nunca o vi no palco. Sei, mais ou menos, quem é. Até já poderei ter visto uma foto ou outra, mas não me recordo. Ele existe. Acredito. Eu, nesta instável existência, encontro nele algum equilibro. A voz preenche-me. Invejo-a. Delicio-me. Ouvi-lo dizer este poema de Ruy Belo é transcendental, penetrante.

    Luís Miguel Cintra ganhou o Prémio Pessoa 2005.

  • Rosa do Mundo .7

    Nada ou seja o que for existe sem mim ou para além de mim.
    Os átomos do universo poderão ser contados, mas não tanto as minhas manifestações;
    Pois para sempre faço criar inúmeros mundos.


    Srimad Bhagavatam
    Índia
    Trad.: Manuel João Magalhães

  • Rosa do Mundo .6

    Gozar a Vida

    Vivamos, minha Lésbia, e amemos,
    e os murmúrios dos velhos mais severos
    demos-lhes a todos o valor de um centavo!
    Os sóis podem extinguir-se e voltar:
    mas nós, uma vez que se extingue a breve luz do dia,
    temos de dormir uma só noite, para sempre.
    Dá-me mil beijos, depois um cento,
    e mais mil, depois outro cento,
    depois outros mil, e mais cem.
    Em seguida, quando juntarmos muitos milhares,
    misturamo-los, para que não saibamos
    ou nenhum malvado possa invejar-nos,
    quando souber que os beijos foram tantos


    Catulo
    (c. 87-c. 52 a. C.)
    Roma
    Trad.: Maria Helena da Rocha Pereira