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  • menina não entra

    Há uns anos, naquela altura em que ainda não podemos votar, mas em que já sabemos que a história da cegonha não é bem como nos contaram, juntei-me ao Gonçalo e ao Miguel para formarmos um clube. O nome não vem muito a propósito pela simples razão que, hoje, me parece um bocado redutor dos seus grandiosos propósitos. O grande objectivo inicial era não fazermos nada e passarmos uma tarde no café na conversa, com estilo. Rapidamente metemos o estilo na gaveta e surgiu a ideia de escrevermos um poema, durante a semana, que depois seria lido ao café na sexta-feira, à tarde. Leitura, discussão, gozação.

    O Miguel era o pseudo intelectual. Na altura lia mec.
    Eu era o pseudo apaixonado. Rimava amor com calor e paixão com melão.
    O Gonçalo era o pseudo cómico. É fã do Tom Cruise e só isso dá vontade de rir.

    Passámos umas semanas a brincar aos poetas até que a miss carmen também se quis aventurar nestas lides. Numa noite imprópria para consumo a Carmen leu-nos o seu primeiro poema. Momento solene. Já só recordo a pujança do poema. Discussão, gozação e mandámos a carmen ir crescer para o quarto. Foi a última vez dela.

    Nós também fomos crescer. O Miguel deixou de ler mec, eu deixei de rimar e o gonçalo deixou de ver o Cocktail. Nesse dia, deixámos de escrever poesia. Continuámos a ir ao café, de vez em quando, ler poemas, cuidadosamente seleccionados, de Bocage.

    Amar dentro do peito…

    Amar dentro do peito uma donzela;
    Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
    Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
    Depois da meia-noite na janela:

    Fazê-la vir abaixo, e com cautela
    Sentir abrir a porta, que murmura;
    Entrar pé ante pé, e com ternura
    Apertá-la nos braços casta e bela:

    Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
    E a boca, com prazer o mais jucundo,
    Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:

    Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
    Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
    É este o maior gosto que há no mundo

    Manuel Maria Barbosa du Bocage

  • Pontes .3

    The Bridges of Madison County

    There is a pleasure in the pathless woods

    There is a pleasure in the pathless woods,
    There is a rapture on the lonely shore,
    There is society, where none intrudes,
    By the deep sea, and music in its roar:
    I love not man the less, but Nature more,
    From these our interviews, in which I steal
    From all I may be, or have been before,
    To mingle with the Universe, and feel
    What I can ne’er express, yet cannot all conceal.

    Lord Byron

    (de trás para a frente… começa no .3
    há pontes que não nos atrevemos a passar.
    devíamos.)

  • Acasos e Coincidências .3

    De acontecimentos que se verificavam simultaneamente, mas sem que houvesse entre eles qualquer relação de causalidade, dizia-se que aconteciam por obra do acaso.

    A Profecia Celestina
    James Redfield

  • Natal .4

    O primeiro livro da literatura europeia.

    “Canta, ó Deusa, a cólera de Aquiles (…)“

  • sentido da vista

    Traz-me silêncios
    que não me deixem dormir
    e cheiros que não me
    permitam distinguir
    onde começas ou acabas

    Não te quero ver o fim

    Dá-me a paz
    de uma guerra anunciada
    Armas que não me
    matem
    Dá-me tudo

    Dás-me o teu corpo
    nu
    Nada
    Dá-me um abraço
    Um cheiro que não me diga
    se sou eu
    se és tu