O tempo é nosso
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Não há outra forma de viajar se não for com tempo. De que outra forma poderemos sentir o pulsar de alguém, de alguma coisa que seja? Sem tempo podemos fazer muita coisa, mas não viajamos, não sentimos. Sem tempo podemos correr. Atrás do prejuízo? É preciso tempo para conseguirmos viver o tempo dos outros. Precisamos do nosso tempo. Viajar acompanhado tem o desafio de equilibrarmos o nosso tempo ao de quem nos companha e ainda tentarmos viver o tempo de quem visitamos, do que visitamos. Com que compasso? Por isso, sozinho, sozinhos. Sozinhos deixamos de ter tempo próprio e passamos a ter tempo para tudo. Sozinho deixo-me perder. O tempo deixa de ser nosso, não é meu.
eu não tenho idade, tenho tempo, acho que dizia a bessa luis. mas depois de tanto tempo, olho para trás e não há tempo porque não houve vida e olho para a frente e vejo a morte no tempo que parou e agora que é presente o tempo está a passar por mim (está a passar aqui na ponta dos meus dedos, no olhar que deito ao écran)e não o agarro. Só nos momentos, instantes de grande felicidade dizemos que sentimos como se o tempo parasse. E que eu me lembre nunca senti isso sózinha.
Posso dar-te o benefício da dúvida, mas não parece que tenhas o benefício da solidão.
I want to know if you can be alone
with yourself
and if you truly like the company you keep
in the empty moments.
existe o tempo de estar só, de estar acompanhada, quer pelos amigos, quer pelo cherie e existe o tempo que não é meu, nem teu, nem de ninguém… é o tempo vazio
viajar parece-me sempre algo quase metafísico, na solidão da viagem sinto-me a roubar tempo ao espaço
Falando de tempo, um que saia dos estômagos do limite directamente para um aqui-algures-nenhures: ” Ontem antes de ontem antes de amanhã antes de hoje antes deste número-tempo deste número-espaço (…)Sozinho declaraste a terceira grande paz mundial quando abrindo os olhos me deste de comer cornologicamente às mil e tantas horas da manhã de hoje” (Luiza Neto Jorge)