o mundo é dos outros
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A vida levara-o por esse mundo fora, tendo como único destino certo o dia de amanhã. O seu quartel general era em casa, ao que insistia em chamar casa, onde regressava, ao que insistia em considerar regressos, depois de cada viagem. Duvidava se regressava cada vez que chegava a casa ou se seria a partida o seu próprio regresso. O regresso ao mundo.Regressava sozinho e em cada saída do aeroporto, na porta de todas as desilusões, olhos nos olhos com aqueles que esperam os seus amigos, familiares, companheiros, olhos nos olhos com aqueles que vêem em nós a esperança, depois a dúvida e finalmente a certeza de que ainda não somos o desejado. A cada regresso, olhos nos olhos com a desilusão. A cada regresso, olhos nos olhos com a saudade. A força da saudade que nos trespassa como balas enviadas pelo tempo que deixara para trás. O tempo dos outros que nos atinge.