De inicio não percebem. A lucidez dos moribundos é, ate nos próprios, difícil de aceitar. Ate que percebem que o mundo, naquele instante, poderia acabar, que noutra altura nunca seria tão perfeito. Acaba, simplesmente acaba. Não sabes bem quando, mas talvez aos dois minutos de musica. No fim do mundo nunca se ouve o acorde final.
E acabou. O mundo como o conheço teve ontem um fim. O meu mundo, que nunca houve outro, já não é só meu. O meu mundo, que nunca foi demais, é ainda maior. O meu mundo é nosso e nós nunca o seremos. O meu mundo acabou.
Arquivos da categoria 'Delírios'
diletante
Tags:
Estava convencido, juraria a pés juntos, que algures nos mais de 2500 posts teria escrito ‘diletante’. Não sou diferente e, ainda assim, disto não serei nada.
Diletantes, diletantes! – Assim os que exercem uma ciência ou arte por amor a ela, por alegria, “per il loro diletto” [pelo seu deleite], são chamados com desprezo por aqueles que se consagram a tais coisas com vistas ao que ganham, porque seu objeto dileto é o dinheiro que têm a receber. Esse desdém se baseia na sua convicção desprezível de que ninguém se dedicaria a um assunto se não fosse impelido pela necessidade, pela fome ou por uma avidez semelhante. O público possui o mesmo espírito e, por conseguinte, a mesma opinião: daí provém seu respeito habitual pelas “pessoas da área” e sua desconfiança em relação aos diletantes. Na verdade, para o diletante, ao contrário, o assunto é o fim, e para o homem da área como tal, apenas um meio. No entanto, só se dedicará a um assunto com toda a seriedade alguém que esteja envolvido de modo imediato e que se ocupe dele com amor, “con amore” (Schopenhauer, em “A Arte de Escrever” [p. 23] — ou em “Parerga und Paralipomena”).
[daqui]
Takes life. Seriously.
Tags:
Serão em casa. Jim Dungo no Wall Street. Escolher não sair, porque não, não porque não seja bom, mas porque sim. Escolher o sofá, dois ou três episódios do Dexter, que amanhã preciso de comprar chocolate para o jantar, e carne, muita carne. Um dia hei-de ser vegetariano. Um dia de cada vez. Um dia talvez. Amanhã não.
o presente
Tags: pessoal
Esqueço-me regularmente do que quero escrever sem nunca deixar de o querer. Sempre no presente. Tudo no presente. O querer. O esquecer. O escrever.
uma boa oportunidade
Tags:
Ser mordaz com uma boa oportunidade será sempre um erro.
ser ou não ser
Tags:
Não sou budista. Não sou cristão, muito menos católico e penso, não poucas vezes, se serei alguma coisa. Sou do Benfica, talvez, porque nem isso é consensual, mas a verdade é que tenho cartão de sócio e sou baptizado. Talvez seja mesmo do Benfica e católico. Talvez não seja nada disto ou nada disto seja importante.
#…
Tags:
Quer sempre mais sem nunca querer demais
![]() Nada havia mudado. Naquele dia foi-se embora com a única certeza que lhe interessava. Ela nunca quis ser amada. No seu íntimo nunca desejou senão ser respeitada e apreciada. Como quem prova um vinho, dizia. Queria alguém que a conseguisse cheirar e distinguir o que a compõe, que lhe sentisse o corpo e apreciasse o equilíbrio, com todos os sentidos. Os homens só amam uma vez na vida, dizia, como se nada mais lhe interessasse. As mulheres têm mais capacidade de reciclarem. Ela nunca quis ser amada. Nunca quis reciclá-lo. Só queria beber mais um copo. |
preâmbulo
Tags:
eu tenho esta mania
de não ligar aos sinais de proibido
Pois.
no sentido de saber
neste momento
Penso que és previsível essa pergunta acabaria por surgir mais cedo ou mais tarde!
mas, sim, é importante.
acabei
não tenho que te dizer nada…
claro que não
basta dizeres.
penso nisso…
mais ou menos
Mais ou menos?
tens razão
talvez tudo isso seja melhor
se admitires essa hipótese
hoje, amanhã, depois
de vez em quando
Não, já não quero.
podemos conversar.
ok
o mundo é dos outros
Tags:
A vida levara-o por esse mundo fora, tendo como único destino certo o dia de amanhã. O seu quartel general era em casa, ao que insistia em chamar casa, onde regressava, ao que insistia em considerar regressos, depois de cada viagem. Duvidava se regressava cada vez que chegava a casa ou se seria a partida o seu próprio regresso. O regresso ao mundo.Regressava sozinho e em cada saída do aeroporto, na porta de todas as desilusões, olhos nos olhos com aqueles que esperam os seus amigos, familiares, companheiros, olhos nos olhos com aqueles que vêem em nós a esperança, depois a dúvida e finalmente a certeza de que ainda não somos o desejado. A cada regresso, olhos nos olhos com a desilusão. A cada regresso, olhos nos olhos com a saudade. A força da saudade que nos trespassa como balas enviadas pelo tempo que deixara para trás. O tempo dos outros que nos atinge.
